As funcionárias da Loja do Cidadão de Faro, inaugurada a 3 de Abril, foram proibidas de usar saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos. As instruções foram dadas numa acção de formação antes da abertura da loja, denunciou uma funcionária. Acho especialmente misteriosa a proibição que diz respeito à roupa interior escura. Será um fetiche do formador? Não tarda o Governo decreta uma farda para todos. Assim como os exércitos têm.
Por causa do texto a que chamou Sou Liberal Contra o Aborto, o Tiago Moreira Ramalho desencadeou uma tempestade no Corta-Fitas. Saúdo o Tiago pelo exercício da liberdade de convicções, de opinião e pela coragem de o fazer. E constato, com pena, a intolerância e a dificuldade de conviver com a liberdade dos outros que a publicação do texto veio demonstrar num blogue de onde menos seria de esperar tal ocorrência.
Costumo dizer que é difícil ser liberal em Portugal ou em qualquer parte do mundo porque a natureza humana tem as suas limitações. A liberdade individual e a privacidade são uma fortíssima necessidade humana. O problema é que convivem com outras fortíssimas necessidades humanas. A necessidade de segurança, por exemplo. O que tem levado os Estados a adoptar medidas cada vez mais restritivas da privacidade, logo, da liberdade, em nome da necessidade de prevenir e combater eficazmente a criminalidade.
Mas, à boleia desta necessidade, o Estado tem aproveitado para meter cada vez mais o bedelho na nossa vida. Ordenando por via de lei comportamentos, intrometendo-se por via de tecnologia nas nossas vidas, obtendo cada vez mais informação sobre quem somos, onde estamos, o que fazemos, o que temos. O pão não pode ter mais que uma certa quantidade de sal, não se pode fumar em quase lado nenhum, o ADN vai começar a ficar armazenado numa base de dados, já temos, na prática o cartão único do cidadão, com a informação única a que o Estado tem acesso, coisa que em 1973, durante a ditadura, já estava pronta e que a Constituição de 1976 proibiu. Temos uma central de responsabilidade de créditos onde a vida financeira dos cidadãos está escarrapachada, bem como sistemas de cruzamentos de dados onde é possível apurar milhentas situações das difíceis relações dos cidadãos com o Estado.
O Estado tem-se comportado em relação à privacidade e à liberdade individuais, sempre para corresponder a necessidades diversas e concorrentes com a necessidade de liberdade, como o mar em relação às praias: todos os anos invade mais um bocadinho. Com a internet e por este andar, qualquer dia, estamos todos no ecran.
Desde que o PS está no poder, o Estado tem avançado pela liberdade e pela privacidade dos cidadãos dentro com uma fúria imprevisível. Mas o PS não tem tratado, com idêntica convicção, eficácia e rapidez de criar mecanismos de defesa dos cidadãos perante os abusos do Estado no uso da informação a que tem acesso.
A liberdade anda às arrecuas nos últimos anos. E a pior notícia é que não se vê no horizonte maneira de parar esta insaciável sede de informação e de controlo das nossas vidas privadas pelo Estado. Porque outras necessidades, fortemente concorrentes com a liberdade, se levantam. Não sei mesmo se voltaremos a ser os mesmos que éramos antes desta sanha de devassa.
(publicado na edição de hoje do Semanário)
A civilização que acaba de se lambuzar durante uma semana a gozar com o Papa por causa de uma frase sobre preservativos aceita, sem pestanejar, pedir desculpa por ter gozado com Maomé para ter a Turquia não sei aonde ou para garantir o apoio da Turquia não sei para quê, ou, ou, ou. Quem não se dá ao respeito não pode esperar respeito dos outros. Estamos entregues aos Rasmussen's desta vida.
(Via Blasfémias)
"No PS existe a mania que os socialistas têm liberdade de expressão e por isso ninguém pede responsabilidades", acabou o impagável Carlos Candal de dizer sobre Manuel Alegre na SIC-N. Vi eu, ninguém me contou.
O PCP, encafuado no Campo Pequeno onde queria meter os reaccionários, isto é, todos os que não eram do PCP, em 1975, queixa-se da falta de liberdade. Duvido que qualquer um dos reaccionários que tivessem sido encafuados no Campo Pequeno em 1975 mantivessem a mesma liberdade de se queixar da falta dela.
"Sócrates até pode estar certíssimo na sua análise. Só lhe falhou um pormenor: enganou-se no país. Durante os seus delírios no Parlamento, Pedro Silva Pereira deveria ter dado um toque suave no seu ombro e murmurado ao ouvido: "El Comandante", isto aqui é Portugal." Muito provavelmente por estar a acompanhar intensamente as eleições americanas e a tentar fixar as frases de Barack Obama, Sócrates já anda a confundir Lisboa com Washington e o PSI 20 com o Dow Jones. Sequer sugerir que terá havido um tempo, fora do século XIX, em que o País andou enrolado com as doutrinas liberais é argumento digno da mais alta comédia."
João Miguel Tavares, no Diário de Notícias.
(publicado no Portal Lisboa)
O protesto de hoje dos camionistas não tem recebido o apoio generalizado da classe e muitos dos veículos pesados são obrigados a parar junto às bermas das estradas e no interior das empresas contra a vontade dos seus motoristas. Sem questionar o direito à manifestação dos camionistas, entendo que o Estado não pode ser cúmplice do impedimento do exercício da liberdade de circulação relativamente aos camionistas que não querem participar no protesto. Da mesma forma que não entendo como é que o Estado tolera o abuso de poder praticado recorrentemente pelos tenebrosos piquetes de greve, que mais não fazem do que impedir ilegitimamente o exercício do direito ao trabalho pelos trabalhadores que não querem fazer greve. Defendo mesmo que a lei seja alterada e se acabe com estes piquetes. Como? Revogando o artigo 594º do Código do Trabalho.
(publicado no Camara de Comuns)
(É favor acrescentar um capacete cor de rosa)
A repressão chinesa voltou a abater-se sobre os tibetanos. Mortos, feridos, acessos cortados para ninguém ver, perigosos monges presos, a barbárie outra vez. Presumo que o Governo não tenha agenda disponível para se pronunciar sobre o assunto. A política de cócoras das Necessidades, obviamente, aconselha-o.
Vai por aí polémica da grossa sobre a qualidade dos serviços prestados pelos CTT. A DECO criticou, os CTT vão meter processo judicial (parece que estão na moda os processos) e leio no Abrupto, já que não vi, que ontem na SIC Notícias voltou a haver conversa da grossa. Eu só tenho a dizer uma coisa: privatizem-se os correios para as pessoas terem por onde escolher o carteiro que lhes parecer mais rápido e mais barato. A arrogância dos CTT vem do monopólio e a dos seus gestores governamentais do ambiente socrático instalado. Quando se depende da escolha dos clientes tudo é diferente. Quando os clientes estão garantidos à força, tudo pode acontecer.
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