Quarta-feira, 09.04.08
Eu já desesperava. Não gosto de estar sempre em desacordo. Por isso, hoje fiquei feliz: finalmente concordo com o Governo. Teixeira dos Santos, considerou hoje as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) de "demasiado pessimistas". Absolutamente de acordo. Também penso que ao FMI teria bastado ser pessimista para ser verdadeiro. Não era necessário ser demasiado pessimista. O problema é que à boleia desta concordância é Teixeira dos Santos que entra em discordância com o seu próprio Governo, que pela voz autorizadíssima do seu Primeiro-Ministro, tem declarado um optimismo ainda que moderado.


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Terça-feira, 01.04.08
A remodelação do Governo foi uma aposta ganha. A Cultura está muito melhor. Até agora ainda não aconteceu nada. Continuem assim se faz favor.

Actualização: leio agora que o ministério deu sinal de vida. Foi nomeado um Director-Geral. Não se pode elogiar!


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Quinta-feira, 20.03.08
Agrada-me que o Presidente da República não tenha espaço na sua agenda para estar presente na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. E estou na expectativa quanto à agenda do Governo. Atendendo a que o Partido Comunista chinês foi convidado do último Congresso do PS, atendendo à diplomacia medrosa e agachada que domina as Necessidades, não me admirava nada de ver Sócrates a fazer jogging na Praça Tianamen ou, quiçá, em Lhasa.


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Sábado, 15.03.08
A repressão chinesa voltou a abater-se sobre os tibetanos. Mortos, feridos, acessos cortados para ninguém ver, perigosos monges presos, a barbárie outra vez. Presumo que o Governo não tenha agenda disponível para se pronunciar sobre o assunto. A política de cócoras das Necessidades, obviamente, aconselha-o.

(Bandeira do Tibete)


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Sexta-feira, 14.03.08
Falta pouco mais de um ano para as próximas eleições. Esta semana, o Governo comemorou o terceiro aniversário da sua posse. No balanço que o PS fez desse glorioso dia, dois factos há a assinalar.

O primeiro: José Sócrates foi ao partido comemorar a data. Depois de uma longa intervenção, nenhum dois seus colegas de partido perguntou nada. Apesar de, magnânimo, Sócrates ter incentivado as inscrições, talvez já assustado com a falta de capacidade crítica do Partido que tão bem tem estimulado.

O segundo: Vitalino Canas anunciou que o PS não perde tempo com o que correu mal. Esta surpreendente declaração do inimitável porta-voz do PS padece de dois erros: o do autismo e o do tempo do verbo. O do autismo, porque revela que o PS, hoje, não existe como entidade política. O do tempo do verbo, porque o porta-voz deveria ter dito “com o que está a correr mal”.

Três anos depois, os próprios socialistas reconhecem à boca pequena que este é um mau Governo e que José Sócrates deveria ter feito uma profunda remodelação. Mas não fez e assim terá de levar às cavalitas este mau Governo que ele próprio escolheu e manteve em funções, salvo vítimas de ocasião como Freitas do Amaral, Campos e Cunha, Correia de Campos e Isabel Pires de Lima.

Destes três anos, ressaltam duas características do Governo: a falta de respeito pelos compromissos eleitorais e o atabalhoamento na execução das reformas prometidas e mal iniciadas. É o desencanto provocado por estes dois factos que está na origem da queda do PS e de Sócrates nas sondagens, que só não é mais acentuada porque o líder do maior partido da oposição veio comunicar ao país que ainda não merece substituir o PS no Governo.

Agora, há que preparar as eleições e isso já se nota. Nota-se na saúde, nota-se na educação, notar-se-á nos impostos lá mais para a frente. Para os socialistas, a dúvida não é se ganham as eleições, mas se serão capazes de reeditar outra maioria absoluta. Para o país, a dúvida é saber quantos anos vão ter de esperar para poder substituir o PS e José Sócrates.

Certo, certo é que será difícil voltar a reunir tão boas condições para realizar as reformas de que o país e o Estado necessitam e que não têm passado de toneladas de propaganda e de inabilidades. Nesse sentido este é um Governo de oportunidade perdida, isto é, de velhas oportunidades.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)


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Terça-feira, 11.03.08
A laranja está a amarelecer. Depois de Menezes ter feito aprovar um regulamento que impede que se saiba quem são os eleitores antes do dia da eleição (será um ensaio de democracia de tipo coreano?), veio Rui Rio dizer que o sistema de pagamento de quotas em dinheiro favorece o branqueamento. Vai daí, o tribunal interno chama Rio para o ouvir e lhe aplicar uma sanção ética, como se um orgão jurisdicional tratasse de moral e não de Direito. A bagunça não podia ser maior e eu já não sei o que é mais verdade: se é a crise no PSD que beneficia Sócrates, se é o desnorte do Governo que oculta a crise do PSD.


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Quarta-feira, 06.02.08
Ocorre que Luís Filipe Menezes ainda não mostrou nada. Falso: mostrou alguma coisa, mas de pior em relação a Marques Mendes. Como ocorre, na ressaca da remodelação, que a esquerda-extrema ralha, ralha, ralha, mas vai a correr para o cadeirão assim que lhe assobiam. Como ocorre que todos falam, falam, falam, mas não perdem pitada das presidenciais norte-americanas. Como ocorre que nos tempos de hoje está desculpada a ilegalidade, desde que ocorrida nos tempos de ontem e fosse praticada por todos os cidadãos. Como ocorre que se o Padre fosse vivo talvez não se dedicasse aos sermões mas passasse à clandetsinidade.


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Sexta-feira, 01.02.08
À força, como sempre tem sucedido, José Sócrates lá remodelou. Mas desta vez o estilo de Sócrates não foi o de Cavaco Silva. A remodelação foi à Guterres. Com Cavaco Silva as remodelações eram secas, rápidas, letais. De preferência ao fim de semana, com os mercados em descanso e o povo de fim de semana. Com Guterres, as remodelações eram lentas, debatidas na rua, penosas, trapalhonas. Chegou a estar um ministro num debate no Parlamento e, simultaneamente, a ser corrido em osso pela rádio, perante a estupefacção do próprio e da bancada socialista.

A remodelação demonstra que Sócrates é, afinal, um Primeiro-Ministro acossado, sem iniciativa e que anda a reboque de mensagens, temores e contestações. A reboque de mensagens de Cavaco Silva, de temores de Manuel Alegre e de um eventual novo partido, e de contestações de rua às suas políticas.

Importa reter três factos desta semana negra do Governo.

O primeiro: ainda ninguém sabe quem decidiu a remodelação. Se foram os próprios que pediram para sair, se foi o Primeiro-Ministro que decidiu que saíam. Num dia foram os remodelados que pediram, no outro foi Sócrates que decidiu, num terceiro foi ainda uma conjugação de vontades. Parece uma novela futebolística típica da substituição de treinadores.

O segundo: todos perceberam a escolha do dia. Essa escolha foi decidida de supetão, para desviar as atenções dos discursos de Marinho Pinto, do relatório sobre os voos da CIA e das atenções à volta da cerimónia de abertura do ano judicial, em que Cavaco Silva aproveitou para fazer a Alberto Costa, o que fez a Correia de Campos na mensagem de Ano Novo, isto é, traçar-lhe o destino.

O terceiro: o conteúdo da remodelação suscita a maior das perplexidades. Quanto à cultura, o ministério é irrelevante e devia ser extinto. Para distribuir subsídios bastaria uma assessoria contabilística no gabinete do ministro das Finanças. Não conta. É apenas mais um aparelho político para reconhecer serviços e colocar pessoal político.

Mas quanto à saúde, não se entende. Sócrates escolheu uma pessoa que é demandada pelo próprio Estado em tribunal por ter autorizado pagamentos indevidos no Hospital Amadora Sintra. O processo está pendente em tribunal e mandaria o elementar bom senso que uma pessoa nestas condições não fosse chamada a funções governamentais, sobretudo na mesma área, enquanto o assunto não estivesse resolvido. Mas não. A própria parece entender que não é nada com ela e o Primeiro-Ministro, sem capacidade de recrutamento, está por tudo.

Depois admiram-se de certos discursos.

O que é de registar em conclusão é que politicamente esta remodelação foi uma operação política falhada. Ninguém hoje pensa do Governo coisa diferente do que já pensava antes.


(publicado na edição de hoje do Semanário)


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Quarta-feira, 30.01.08
""Só esses?", perguntavam os deputados socialistas, ao início da tarde, quando se cruzavam com jornalistas nos corredores do Parlamento e tentavam saber as últimas novidades sobre a remodelação. "Sim, só esses", respondiam os jornalistas. A versão oficial, veiculada pelo porta-voz do PS, diz que o Governo sai reforçado depois das mexidas cirúrgicas operadas por Sócrates. Mas, com os microfones desligados, não faltava entre os deputados socialistas quem confessasse a incredulidade perante a "oportunidade perdida" do primeiro-ministro.
Como é que eu, que até sou da oposição, não hei-de ter dúvidas?...


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Nunes Correia, a Isabel Pires de Lima do Ambiente, sobreviveu, ou vai na próxima leva?


publicado por Jorge Ferreira às 13:34 | link do post | comentar

Ainda há 11 ministros, incluindo o Primeiro, do Governo original, que não pediram para sair. O que se passará com eles?

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Terça-feira, 29.01.08
Sem ser Vitalino Canas, ninguém diz bem da mini-remodelação. Politicamente é, portanto, uma oportunidade perdida para José Sócrates, que não apenas já anda a reboque de Cavaco Silva, Manuel Alegre e mais uns quantos, como revela que o líder do PS está sem poder de iniciativa e capacidade de liderança.


publicado por Jorge Ferreira às 20:26 | link do post | comentar | ver comentários (1)

A remodelação é mini. A remodelação faz-se dentro na pasta que conta. Sócrates não encantou ninguém de fora para dar sangue político novo ao Governo. Talvez não consiga ficar por aqui.


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Neste Governo parece que toda a gente pede para sair. Sempre por razões pessoais. Campos e Cunha, Freitas do Amaral, Amaral Thomaz, Correia de Campos, Isabel Pires de Lima. Safa! Que estranho Governo este.


publicado por Jorge Ferreira às 16:14 | link do post | comentar

A remodelação do Governo. Verdadeiramente extraordinário é que Mário Lino fica.


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Sexta-feira, 25.01.08
Amaral Thomaz quis sair do Governo. Como todos os anteriores membros do Governo que saíram, sai por razões pessoais. Mais tarde saber-se-á. Mais uma vez José Sócrates vai remodelar à força. Eu não digo?


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Domingo, 20.01.08
O Governo começa a ter excesso de ministros de quem as pessoas se riem quando falam. E também já tem um que faz as pessoas chorar. E os Governos dependem muito das emoções. Aí, não há propaganda que valha.

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Quarta-feira, 09.01.08
Afinal, o Governo recuou e vai pagar o aumento extaordinário das pensões de uma só vez. É extraordinário como certas coisas passam pelas cabecinhas pensadoras do Governo.


publicado por Jorge Ferreira às 12:37 | link do post | comentar

Até agora conhecíamos as fracções dos bilhetes da lotaria. Agora, com o PS passaram a existir as fracções dos aumentos das pensões. Esta coisa de pagar o aumento das pensões em doze avos aos pensionistas é apenas pornográfico. Mais pornográficas ainda são as explicações e as justificações.


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Quarta-feira, 02.01.08
Há quem considere que a função presidencial em Portugal é a de um típico poder moderador. Eu acho que é mais um poder falador. Ontem, um ano depois de ter exigido, embora sem quantificar e identificar, resultados, o Presidente deu, o que se chama em bom português vernáculo, um "porradão" no Governo. Suficientemente equívoco, porém, para o Governo poder continuar a dizer que concorda com as palavras do Presidente. Falando.


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Sexta-feira, 21.12.07
Há quem pense que o Presidente tem melhores juristas que o Governo. Eu penso que é mais o Governo a atirar o barro ao Tribunal.


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Uma vez que Belmiro de Azevedo decretou que estamos tratados, isto é, que não vale a pena mexer mais no assunto do novo “Tratado Complicado”, porque está tudo “decidido”, confirmado que está que o CDS é o terceiro pilar federalista do sistema partidário português, pois decidiu que vota sim ao “Tratado Complicado”, da mesma forma que no Governo tinha apoiado a Constituição europeia agora reeditada com novo papel de embrulho, é melhor falar de educação.

Não sei por que raio de sortilégio me surgiu esta associação de ideias, mas surgiu. Talvez por se ter sabido esta semana que mais de 120.000 alunos chumbaram no ensino básico, isto, naturalmente sem contar com os que transitaram através de um Despacho ministerial que manda passar os alunos que não tendo notas para o fazer, se considera que no ano seguinte poderão vir a ter. É um despacho ministerial que tem o óbvio propósito de engordar artificialmente as estatísticas do sucesso educativo, que o PS gosta tanto de exibir, como se as pessoas fossem apenas números.

No fundo temos é um grande Governo, cheio de rasgo e de estratégia. Apesar de o Primeiro-Ministro ser um provinciano, como ele próprio reconhece (aqui para nós, o “pessoal” por cá já tinha essa suspeita…), isto está tudo muito bem pensado. Os 120.000 alunos que não passaram no ensino básico são a matéria-prima de que se alimenta o programa das Novas Oportunidades. O que seria deste programa se passassem todos? No fundo, o sucesso está garantido. O sucesso ou acontece no ensino básico ou acontece no programa.

Mais uma vez, seja por onde fôr, estamos tratados. O Governo trata de tudo. Só é pena que estejamos todos cada vez mais mais pobres. De 1995 para cá, com cerca de dez anos de PS no Governo, com a pontual mas prestimosa ajuda do CDS e do PSD, o PIB vai perdendo terreno, o poder de compra vai perdendo terreno, o desemprego vai aumentando, os impostos vão aumentando e o país, em geral, empobrecendo. Mas lá está. O salário mínimo garantido vai ter um aumento verdadeiramente socialista, isto é, à grande. Mais uma vez o Governo trata de nós. Os indicadores descem, mas o ordenado sobe.

Tudo isto é crueza a mais para a quadra natalícia, bem sei. O que salva isto é a lei do tabaco e a ASAE. No fundo, muito lá no fundo, somos um país moderno. Cheios de vídeo-vigilância e só com partidos grandes, empanturrados de militantes. O resto não conta. Ou melhor só conta para os não provincianos. Uns chatos, é o que é. Afinal de contas, estamos tratados, o que poderíamos ambicionar mais?
(publicado na edição de hoje do Semanário)


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Quarta-feira, 05.12.07
CDS acusa Governo do PS de o ultrapassar pela direita! Ora aí está uma notícia. Embora me pareça mais correcto dizer que tem sido o CDS a ultrapassar o Governo pela esquerda.

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Domingo, 02.12.07
Já acredito que vem uma remodelação governamental a caminho. Ao ler esta entrevista de Nunes Correia (para quem não sabe e devem ser muitos, é o actual ministro do Ambiente), onde afirma que a última palavra sobre o novo aeroporto é sua. Pior: diz que lhe agrada mais que se construa o aeroporto em Alcochete, isto é, em pleno deserto. Ora bem.


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Sexta-feira, 23.11.07
Cavaco Silva começou o seu mandato com base na célebre "cooperação estratégica" com o Governo do PS e a maioria parlamentar que o sustenta, como tinha prometido na campanha eleitoral. Isso consistia basicamente em não levantar ondas, receber os diplomas, promulgá-los e fazer uns discursos aparentando uma agenda de preocupações um bocadinho carregadas para mostrar utilidade ao cargo. Nada de especial. O esperável.
Mas, agora, Cavaco Silva mudou. Em vez da "cooperação estratégica" o Presidente passou à fase da "prevenção estratégica". Isto é, lê os jornais, vê as polémicas e telefona a avisar que é melhor mudar umas coisas antes de receber o diploma para promulgação. É uma assessoria de luxo do Governo.


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O Francisco alvitra que no caso de se ter tratado de atrevimento do Procurador-Geral da República, a entrevista que deu esta semana à Visão, que o melhor é um processozito disciplinar. Bem sei que o Francisco ironiza, mas com este Governo o melhor mesmo é não dar ideias. Digo eu, não sei ...


publicado por Jorge Ferreira às 12:56 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Os socialistas apanharam-se no poder e a primeira coisa que fizeram foi igualzinha à que fizeram o PSD e o CDS em idêntica circunstância: aumentaram os impostos para financiar um Estado mastodôntico e despesista.

Hoje, depois de traírem as promessas eleitorais, recusam baixar os impostos, alegando a famosa consolidação orçamental. No seu afã, investem ilegalmente para tudo quanto mexe, penhorando o que podem e o que não podem. Isto, claro, com os contribuintes que têm contas ordenado, contas reforma e que nem sequer dinheiro têm para contratar um advogado para os defender deste estado de selvajaria fiscal.

Ao contrário, qualquer empresa estrangeira que decida investir em Portugal só o faz com um acordo fiscal que lhe garanta condições fiscais mais favoráveis do que as condições de que beneficiam as empresas portuguesas. Isto é, o Governo reconhece que a carga fiscal que neste momento existe em Portugal é excessiva e inimiga do crescimento económico.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)


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Quinta-feira, 22.11.07
Isso mesmo: o Governo vai entrar em guerra. Se não fosse a sério seria ridículo. Mas sucede que é a sério. E sendo a sério, pergunto apenas quanto do imposto que o Estado hipócrita cobra aos fumadores vai ser gasto nos panfletos. Este Governo panfletário e guerrilheiro vai ser exemplar a sensibilizar e a fiscalizar a lei do tabaco. Lamento que não tenha o mesmo empenho a combater outros males da sociedade. Há tantas coisas a sensibilizar e a fiscalizar por esse país fora... Por exemplo as promessas eleitorais que José Sócrates fez ao país e que deitou para o caixote do lixo. Este tique persecutório deve ser contágio de certas visitas de casa do Primeiro-Ministro. Ao menos esta guerra não exige a operacionalidade dos helicópteros e dos submarinos do Dr. Portas. Sempre é alguma coisa.


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Sexta-feira, 26.10.07
Os Estados-membros da União Europeia fecharam na semana passada uma negociação sobre um novo Tratado para reger a vida desta organização internacional. Foram Estados independentes que o negociaram. Uma negociação pressupõe uma composição de interesses. De interesses nacionais que dizem obviamente e em primeira instância respeito aos respectivos Estados.
Durante esta negociação fomos tendo notícia de várias reivindicações de países como a Itália, a Espanha, a Polónia, o Reino Unido, a França e outros. Mas não tivemos notícia de nenhuma posição, nenhuma opinião, nenhuma reivindicação do Estado português. Sucede que os contribuintes pagam uma diplomacia do seu bolso para que esta defenda os interesses portugueses e não os interesses de outros Estados, que naturalmente providenciaram a sua diplomacia própria.
Ora, perguntamos então: o que estiveram a fazer os diplomatas portugueses nestes meses todos e, em última e derradeira instância quem esteve José Sócrates a representar nesta negociação? Bem sei que o Governo teve de desempenhar as funções de Presidente do Conselho de Ministros da União Europeia nestes meses. Mas não deixou de ser o Governo de Portugal. Ou deixou?
O facto é que Portugal parece ter-se comportado como um mero escriturário de um guião alemão para realizar o filme “Constituição Europeia II”, fita que se pretende estrear em todos os países da União em 2009. Com um truque: 90% do filme é exactamente igual ao seu antecessor “Constituição Europeia I”, o que é uma fraude a quem comprar bilhete para ir ao cinema.
O Governo deve explicações aos portugueses sobre assuntos tão enxutos como estes: que posições próprias defendemos nas negociações sobre os poderes das instituições comunitárias? E sobre o problema das votações por maioria qualificada e das matérias novas que a elas passam a estar sujeitas? E sobre a composição da Comissão? E sobre a política externa da União? E sobre a composição do Parlamento Europeu? E sobre outras matérias que me escapem? Ou, pura e simplesmente o Governo de Portugal não defendeu nenhuma posição própria limitando-se a aceitar acrítica, atenta, veneranda e obrigadamente as posições de outros?
Este Tratado, ao contrário do que afirmaram os seus negociadores, com o deslumbrado José Sócrates à cabeça, não é um Tratado histórico. É um Tratado em larga medida dispensável, que onde inova criará novos e sérios problemas (já se vê o conflito entre o futuro presidente permanente e o presidente da Comissão Europeia), que prejudica gravemente os interesses de Portugal e que não resolve nenhum dos problemas críticos da União Europeia: a estagnação social e económica, o afastamento das populações, o défice de legitimidade e de democracia.
Quanto a nós, se me permitirem, para mim, Portugal está primeiro, Portugal perdeu em toda a linha. Perdeu deputados europeus, perdeu o direito automático a um comissário europeu, perdeu o direito de acesso á Presidência do Conselho de Ministros por rotatividade, perdeu o seu voto na lógica da inundação de votações por maioria qualificada e perde soberania em matérias onde terá de aceitar que lhe imponham mais decisões ainda do que hoje em domínios até agora decididos por unanimidade.
Então, perguntar-se-á a razão de tanta felicidade nos rostos de Sócrates e de Barroso. É simples. Para as suas carreiras pessoais o resultado da CIG não podia ter sido melhor. Mas, salvo o devido respeito e melhor opinião, os interesses de Portugal sobrepõem-se aos interesses dos destinos políticos de ambos. Ou não?
(publicado na edição de hoje do Semanário)


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Domingo, 16.09.07
Parece que uns tantos condenados pela prática de crimes em primeira instância, que tecnicamente se encontram em prisão preventiva, porque interpuseram recurso da respectiva sentença condenatória, vão ser libertados devido à entrada em vigor, ontem, um sábado, de um Código de Processo Penal publicado no fim do mês passado e que se aplica de imediato aos processos pendentes. Esta será a lista negra socialista. O Governo estudou e propôs, os deputados aprovaram e o Presidente promulgou. Vamos experimentar, disse o Prersidente. Isto tem um nome: não ter noção do que se está a fazer. Não escapa um.


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Quinta-feira, 13.09.07
Sou a favor da utilização das novas tecnologias. Sou a favor da democratização do computador. Mesmo gostando ainda hoje de escrever em papel e de sentir a textura e o cheiro dos jornais em papel, confesso que a informação mudou radicalmente com o advento da Internet e que é muito mais fácil ter acesso a mais e melhores conhecimentos.

Mas o que eu gostava mesmo era de ver os ministros e os secretários de Estado nas escolas a promover a língua portuguesa e os valores do esforço, do mérito e das competências e não a fazerem o papel de Valetins Loureiros e a oferecerem computadores, que não deixam hoje de ser uma espécie de electrodoméstico qualificado.

Para o Governo os computadores são o novo milagre das rosas. Mas não há computador que disfarce a ignorância e a impreparação. E o nosso sistema de ensino o que faz, depois dos delegados de propaganda governamental deixarem lá os computadores e partirem para os gabinetes, é, salvo muitas e boas excepções, continuar os equívocos que têm feito de sucessivas gerações de jovens portugueses uma legião de candidatos ao desemprego. A diferença entre um ignorante com computador e um ignorante sem computador é que o primeiro tem mais com que se distrair.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)


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Quarta-feira, 12.09.07
Esta operação de propaganda terceiro-mundista de pôr os ministros e os secretários de Estado a entregar computadores portáteis pelas escolas do país, tem algo de patético, de pequenino, de ridículo mesmo. O computador transformado em panfleto. A escola em comício. O Governo em carteiro. Pouco, muito pouco.


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(Dalai Lama)

Agachados. É a posição do Governo e do Presidente da República face à visita do Dalai Lama a Portugal. Que seja muito bem vindo a um país onde os mais altos representantes do Estado são atentos, venerandos e obrigados às pressões dos Estados estrangeiros.


publicado por Jorge Ferreira às 12:44 | link do post | comentar

Domingo, 09.09.07
(Dalai Lama)

Tenzin Gyatso, um tibetano mais conhecido por Dalai Lama, vem a Portugal. Por razões óbvias e que são conhecidas, Luís Amado diz que o Governo não o recebe. Obviamente e reconhecidamente Portugal tem uma diplomacia pequenina, curvada aos interesses chineses, que envergonha qualquer cidadão que tenha um módico de sentimento patriótico. É de lembrar que o Partido Comunista chinês esteve no Congresso do PS, sem lamento nem murmúrio do partido que em tempos foi tão sensível à defesa dos direitos humanos no mundo. Bate tudo certo. Tudo menos os princípios. Aplauso para Jaime Gama, experiente diplomata também, mas que agora segunda figura do Estado, receberá o Dalai Lama na qualidade de Presidente da Assembleia da República. "Shame on you, Mr. Amado!"


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Sexta-feira, 24.08.07
O Governo vai reparar e permitir, vergonhosamente, a entrada em Portugal de elementos das FARC para a Festa do Avante, ou vai desconhecer o assunto como sucedeu o ano passado?

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Segunda-feira, 20.08.07
Assim se vê a alternativa. Por causa desta notícia relativa ao ano politico-parlamentar que passou. Nada de novo, ou seja, PS descansado.


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Domingo, 12.08.07
Interrupção de férias para um agradecimento e uma homenagem. Um agradecimento ao Governo, que decidiu fazer gazeta à homenagem a Miguel Torga. Agradecimento porquê? Porque com esse gesto apenas conseguiu engrandecer o homem e a obra. O Governo, com a sua presença, apenas diminuiria o significado da evocação. Afinal de contas, os literatos não se podem destituir por falta de lealdade não é? A homenagem? Ao próprio Torga, amigo de tantas horas sós, palavras de tanta coisa por dizer, revelação de tanta verdade escondida.


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Segunda-feira, 30.07.07
O tal senhor Renato Sampaio, Presidente da Federação do Porto do PS está uma importância de se lhe tirar o chepéu. Definitivamente, é o novo porta-voz do Governo. Depois de ter revelado ao país que Margarida Moreira não seria demitida, informou hoje solenemente a comunidade nacional que a RTP Porto não perderá influência. Esta patologia partidocrática torna os ministros dispensáveis, mas interpela directamente Pedro Silva Pereira, que, salvo-erro (ele há tantos!...) ainda será o porta-voz do Conselho de Ministros. O senhor ministro, pelos vistos não faz nenhum e entregou os destinos supremos da governação no aparelho do partido. O PS já nem disfarça. Estamos entregues.


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A partir de Setembro, os estudantes do 1.º e 2.º ciclo, dos sete aos onze anos, terão um novo currículo nas salas de aula: vão aprender a entender a publicidade e a defender-se dos seus abusos. Ora aí está um oportuno impulso pedagógico. Sugiro até que a formação tenha um módulo inicial sobre como defender as crianças da publicidade do Governo. Nomeadamente em sessões de representação do Primeiro-Ministro que envolvam criancinhas recrutadas para actores secundários.


publicado por Jorge Ferreira às 11:21 | link do post | comentar

Sexta-feira, 27.07.07
Vêm aí eleições. São as legislativas de 2009. Na entrevista desta semana à SIC o Primeiro-Ministro deu o tiro de partida para a campanha eleitoral de 2009 ao anunciar que a grande novidade do Orçamento para 2008 será o aumento do investimento público. Com o país já em férias, mergulhado em dificuldades, o PS optou por jogar pelo seguro e mudar de azimute.

José Sócrates acredita que o país real lhe perdoará tudo: a incompetência de alguns dos seus ministros, as trapalhadas da engenharia, as cartas de Manuel Alegre, as vaias, as entradas pelas traseiras, os processos disciplinares, a perigosa obsessão com a concentração de poderes que vão dos serviços de informações à criação de fundações. E que esse país, que zurze nas costas mas quer sossego, na hora certa lhe renovará a maioria absoluta.

Não basta ao PS o estado comatoso da direita geométrica, intimamente convertida ao estilo autoritário e ideologicamente descontente pela esquerda do PS com as políticas do Governo. É preciso cilindrar.

Ora, este anúncio é a melhor demonstração como só na aparência o país está a ser governado como deve ser no domínio das políticas substantivas. Na hora do aperto Sócrates mostra a sua natureza socialista e lança mão da solução tantas vezes experimentada e tantas vezes falhada de resolver os problemas da economia: o investimento público.

No fundo a receita é sempre a mesma: “falem os jornais o que falarem lá estarei eu para inaugurar os chafarizes e cortar fitas” (sem ofensa aos meus amigos do blogue com o mesmo nome). Seja o PSD seja o PS seja o CDS que estejam no Governo, a receita tem sido sempre aplicada. Aumento de impostos primeiro, aumento do investimento público depois, segundo a ilusão de que o Estado é que manda na economia.

Ora, sucede que, como tenho defendido, nada do que tem sido feito tem a ver com a solução estrutural dos problemas, mas apenas com a maquilhagem desses problemas. Sócrates não quer resolver a crise do modelo social, quer apenas resolver o problema de tesouraria do modelo social. A isto chama-se apenas adiar o inevitável.

Como sempre, quem vier atrás que feche a porta.

O problema é que a falta de alternativa visível parece reforçar aos olhos os eleitores uma espécie de necessidade de manter Sócrates no poder. À direita neste momento, o melhor mesmo é esperar que alguém decida fazer a rodagem do seu carro novo.
(publicado na edição de hoje do Semanário)


publicado por Jorge Ferreira às 00:10 | link do post | comentar

Vê-se, ouve-se e lê-se e não se acredita. Bem sei que estamos já em plena silly season, traduzindo, a estação parva, onde os mais lúcidos dos espíritos se turvam a pontos de praticarem actos sem sentido e até grotescos (não confundir com aflorações de esquizofrenia, esta já do foro médico e não de calendário), e os mais anormais comportamentos se justificam pela intensidade do calor, mesmo com um Verão suave, como tem sido este. Mas há limites para tudo. Ou devia haver. O Governo não tem limites.

Esta semana José Sócrates decidiu voltar aos power point. Passadas as tormentas dos últimos meses, alguém deve ter aconselhado o Primeiro-Ministro a regressar aos gloriosos tempos da propaganda. Desta vez calhou à Educação. E lá foram Sócrates e a ministra apresentar o plano tecnológico da educação ao Centro Cultural de Belém.
Passar de um rácio actual de 12,8 computadores com ligação à Internet por aluno para dois terminais em 2010. Ter metade das 27 mil salas de aula equipadas com um quadro interactivo e videoprojector já em Abril de 2008. Data em que também todas as escolas de 2.º e 3.º ciclos do básico e secundário terão em funcionamento o sistema de cartão electrónico do aluno (que permite eliminar a utilização de dinheiro), alarmes e câmaras de vigilância no exterior. Convém registar os números para poder comparar depois com os resultados.
“Vamos dar às escolas as condições para assumir um papel de vanguarda. Este programa vai modificar muito a nossa escola”, afirmou o Primeiro-Ministro e deverá colocará Portugal “entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica do ensino em 2010.” Ao todo são 400 milhões de euros de fundos comunitários que permitirão construir a “escola do futuro.” Já para a ministra da Educação, registe-se, da Educação, o programa terá um papel importante na peça da diminuição da desigualdade entre escolas. E, em particular, “para mitigar os efeitos destas desigualdades nos resultados escolares dos estudantes.”
A ideia era mostrar as potencialidades da utilização dos quadros interactivos numa sala de aula. Sentadas em carteiras, cerca de uma dezena de crianças respondiam ao “professor” e faziam os exercícios descritos no quadro, com ajuda do rato ou de uma caneta especial que faz as vezes de giz. Só que para além da sala improvisada no Centro Cultural de Belém havia algo mais encenado. Os “alunos” eram crianças que tinham sido recrutadas por uma agência de casting: a NBP, num trabalho que rendeu 30 euros a cada um, de acordo com o relato feito por um dos miúdos à RTP. “A empresa propôs fazer a apresentação aqui no local para que pudéssemos todos perceber como funcionam [os quadros interactivos]”, explicou a ministra da Educação, sublinhando que esse era um pormenor muito pouco relevante perante o investimento hoje anunciado.
A escola do futuro de Sócrates faz-se de computadores, videovigilância e quadros interactivos. Os alunos são secundários. Os professores são secundários. A disciplina é secundária. Os programas são secundários. A tabuada é secundária. A gramática é secundária. As máquinas é que contam. E neste mundo virtual, tecnocrático e cinzento de José Sócrates não são necessários alunos. Bastam robots. Como não há dinheiro para comprar robots, contratam-se alunos a fingir, actores infantis em estágio para os reallity-shows de uma qualquer produtora de televisão.
Se repararmos, é só vantagens: José Sócrates pode entrar nos eventos pela porta da frente porque não será vaiado. A assistência terá o número certo de figurantes, porque se encomenda à medida da plateia pretendida. Contribui-se para a economia dando trabalho a crianças, assim como certas fabriquetas do Norte faziam antigamente, embora pagando certamente pior que o Governo. Toda a gente sorri, dando a possibilidade das revistas do coração aproveitarem o evento para as edições de Agosto que esgotam nos areais do All Garve. Mais: esta metodologia fornece números para o programa Novas Oportunidades. O lema poderia ser: “Queres ser actor? Queres entrar numa telenovela? Inscreve-te já num estágio com José Sócrates”.
Depois do PS ter recolhido figurantes para a noite eleitoral de Lisboa no Alandroal, em Famalicão e sei lá mais onde, agora a coisa sofisticou-se: contratam-se crianças. Que génio! Aproveitem e contratem também eleitores, que a abstenção não está para brincadeiras…
Só há um contra: os jornalistas. Esses estupores desalmados, que têm a mania de fazer perguntas (os que têm…). Mas há leis a caminho para tratar disso. Não há direito de estragar a felicidade socialista.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)


publicado por Jorge Ferreira às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 01.07.07
Marques Mendes descobriu que votar em António Costa é dar um balão de oxigénio ao Governo. Nada de transcendente. Votar é dar ar a quem se vota. Como votar em Fernando Negrão, o homem que produz slogans à velocidade da luz, é dar um balão de oxigénio a Marques Mendes.


publicado por Jorge Ferreira às 19:07 | link do post | comentar

Sexta-feira, 29.06.07
O resultado desta sondagem é um produto de muita coisa junta. Os disparates que s efazem não se traduzem logo nas sondagens, demoram um certo tempo a amadurecer. Certamente que a partir de hoje, casos como a implantação do deserto na margem sul, da DREN ou do centro de Saúde de Vieira do Minho, para já não falar em alguns procesos judiciais seriam tratados de outra maneira. O que surpreende na sondagem é que a descida aos infernos de Sócrates e do PS faz-se por si, sem oposição eficaz. Veremos daqui em diante se mudam ou não mudam certas coisas.


publicado por Jorge Ferreira às 21:21 | link do post | comentar

Sexta-feira, 15.06.07
Marques Mendes anunciou que nos próximos seis meses não será líder da oposição. Digamos que o PSD anda mesmo muito baralhado e confuso. Por mim desde já declaro que manterei a mesma atitude relativamente ao Governo que nos tem desgovernado. E mais, considero ser estrita obrigação do Governo representar decentemente Portugal no exercício da Presidência do Conselho da União Europeia. Ou será que essa Presidência vai servir de pretexto para uma mordaça? Era só o que faltava.


publicado por Jorge Ferreira às 21:11 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 05.06.07
Temporariamente afastado da intensa actividade blogueira por motivos pessoais e profissionais, vejo que a Pátria continua como a célebre roda que mexe mas não anda. Surpreendo-me com a oposição à ideia de que autarca acusado deve ter o mandato suspenso. Não era o que todos exigiam para Felgueiras, Loureiro e Morais a bem da higine autárquica? Mas surpreendo-me ainda mais com o Governo, e sim, é possível surpreender-me ainda com o Governo. Por que raio de imaculada beatitude ficam os membros do Governo e o Primeiro-Ministro de fora da lei geral e abstracta? Será que o Governo quer apenas uma lei de campanha eleitoral, uma lei de casta? Será que o Governo considera o Governo preenchido por intocáveis que jamais poderão vir, em teoria é claro, em teoria, acusados da prática de crimes? É que se assim fôr Saldanha Sanches pode vir afinal a ter razão e um dia destes ainda afirma que o Ministério Público está sequestrado pela Lei futura que se destina, parece, apenas aos autarcas. É que para a banditagem, não há territórios especiais. Nem necessariamente eleitos.


publicado por Jorge Ferreira às 01:20 | link do post | comentar

Domingo, 27.05.07
"Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá."
António Barreto, no Público de hoje.

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publicado por Jorge Ferreira às 19:27 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Sexta-feira, 25.05.07
Pedro Santana Lopes excedeu-se e reconheceu. Eis um bom exemplo da má moeda. Este Governo socialista, a suposta boa moeda farta-se de dar péssimos exemplos e nem um assomo de arrependimento ou um pedido de desculpas. A Casa da Moeda, que para o efeito mora actualmente em Belém, continua a autenticar a boa moeda.


publicado por Jorge Ferreira às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Depois de uma semana desastrosa para o Governo, eis que os desastres parecem transferir-se para os Editoriais do Diário de Notícias. O editorialista acha fantástico como o Governo resiste aos disparates que fez nos últimos dias, obtendo o PS maioria absoluta. Eu acho fantástico como é que o editorialista queria que a sondagem, que foi feita entre 15 e 18 de Maio havia de reflectir os disparates ocorridos de 19 de Maio para cá. Gatos escondidos...
(via Gabriel Silva, do Blasfémias)


publicado por Jorge Ferreira às 14:02 | link do post | comentar

Sexta-feira, 18.05.07
A golpada socialista, que calhou bem ao PSD, foi ao ar.

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publicado por Jorge Ferreira às 21:18 | link do post | comentar

A situação da Câmara Municipal de Lisboa e a indicação de António Costa, substituto legal e político do Primeiro-Ministro nas suas ausências e impedimentos, veio revelar uma curiosa situação de debilidade política de José Sócrates. Muitas vezes, submersos na torrente de notícias do dia-a-dia, nem reparamos como a realidade muda sob o nosso nariz, de forma quase imperceptível, mas que no futuro revelará todas as suas consequências.

O Governo tem pouco mais de dois anos. Quando começou, Sócrates tinha três ministros de Estado. Freitas do Amaral, o independente de luxo, uma espécie de Sousa Franco da era de Guterres. Campos e Cunha, a mão firme independente e credível nas Finanças, para controlar o défice, que parece ter batido com a porta por considerar certas despesas sumptuárias incompatíveis com o rigor das finanças públicas. E António Costa, o delfim, o número dois, o representante político da importância do Partido no Governo depois do Primeiro-Ministro.

Olhe-se hoje para o Governo. Não tem ministros de Estado, o que significa que não existem pessoas com peso político específico, próprio, indiscutível, no Governo. E nenhum dos três políticos que o foram estão neste momento no Governo. O que significa que a margem de manobra política de José Sócrates é hoje muito menor do que era e que já não mobiliza energias fora da bolsa de disponíveis que pululam pelas comissões e grupos de trabalho com que se entretêm os segundas linhas que não lograram lugar ao Sol na primeira fila do poder.

A esta situação, verdadeiramente imprevista e inusitada não deve ser estranha a diminuição de credibilidade do Primeiro-Ministro, nomeadamente após as polémicas acerca do seu diploma e das suas próprias declarações ao longo dos anos sobre habilitações que se concluiu não serem rigorosas.

De par com esta diminuição de peso político, outro pormenor vai merecer atenção em Julho. As eleições para a CML terão lugar nas vésperas do debate sobre o estado da Nação no Parlamento. E este será certamente dominado mais pelo estado do PS e do Governo após o veredicto de Lisboa. José Sócrates não ganhou uma única eleição depois das eleições legislativas em que obteve a maioria absoluta. Ao escolher António Costa para candidato à CML, nomeadamente da triste figura que o PS fez na própria CML durante os últimos anos, Sócrates está a atribuir significado político nacional à eleição. O que significa uma avaliação intercalar do Governo e um teste ao estado de saúde do PS depois das trapalhadas em que o Primeiro-Ministro se envolveu nos últimos meses. Para o bem, se ganhar. Para o mal, se perder. Resta saber se Lisboa ganha alguma coisa com isto.
(publicado na edição d ehoje do Semanário)


publicado por Jorge Ferreira às 02:15 | link do post | comentar

JORGE FERREIRA
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