Sexta-feira, 26.09.08

Há dias o Rádio Clube Português conseguiu surpreender-me. Telefonaram-me a meio da tarde, afundava-me eu algures num processo, com o objectivo de responder a umas perguntinhas. Estranhei o interesse e perguntei qual era o asssunto. Que estavam a fazer uns trabalhos sobre o que pessoas que estiveram na política activa estavam agora a fazer, explicou-me o simpático jornalista. Acedi. Foi aí que tomei verdadeira consciencia que faço imensa coisa. Inevitavelmente começaram pelo CDS e se se tinha tratado de uma desilusão. Respondi pela centésima vez que não tinha sido desilusão mas divergência. Perguntaram-me também sobre se não era difícil um partido novo ter sucesso em Portugal. Concordei. Dificílimo, senão imposssível. O sistema de partidos vigente blindou qualquer hipótese, A não ser que seja um partido novo amestrado, daqueles que os partidos do sistema fazem por encomenda para o que der e vier. Anda um desses por aí.



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Sexta-feira, 12.09.08

Os partidos políticos existem para chegar ao poder, aos vários níveis de poder político instituídos na sociedade. Chegar ao poder não significa, porém, o mesmo para todos os partidos por igual. Para uns é ganhar eleições para formar Governo, sozinhos ou em coligação, partilhando uma parcela de poder para garantir longevidade e condições de exercício do seu poder maioritário. Para outros é simplesmente ter mais ou menos deputados. Para outros ainda é ter mais ou menos autarcas e Presidentes de Câmara. Os níveis de poder a que cada partido ambiciona dependem da respectiva expressão eleitoral de base e das expectativas que a actuação dos seus líderes e dirigentes lhes cria ou não.

 

Ora, a conflitualidade interna dos partidos, que não é mais do que a competição interna pelo poder dentro dos partidos para chegar ao poder nas instituições políticas, tende a ser tanto maior quanto maior for a distância a que esses partidos estão de chegar ao poder, relativamente aos seus objectivos específicos.

 

Dois exemplos: nas eleições legislativas, que elegem deputados e conferem o direito de formar Governo, para o PS e para o PSD chegar ao poder é ganhar as eleições, ser o partido mais votado, obter uma maioria parlamentar e formar Governo. Para o BE, o PCP e o CDS chegar ao poder é eleger mais deputados do que aqueles que têm e, no limite do paraíso, fazer com que os seus deputados sejam indispensáveis para formar uma maioria parlamentar com o PS ou com o PSD consoante os casos e negociarem umas prateleiras douradas ou uns sofás nos ministérios para a sua clientela ou fazerem uns negócios políticos de ocasião para disfarçarem a sua irrelevância.

 

Apliquem-se estes critérios ao estado actual destes cinco partidos.

 

No Bloco estão todos deslumbrados e já vêem Louçã de fato e gravata a tomar posse em Belém como ministro de qualquer coisa numa coligação com o PS. No PCP está tudo satisfeito exactamente pelas expectativas de mais deputados que as sondagens lhes dão, sendo certo que ninguém vê Jerónimo no papel de Louçã, mas sim o PCP a mandar com segundas e terceiras linhas no Governo do PS em sectores estratégicos para o Partido. No PS está tudo preocupado com os efeitos da crise internacional, mas não se alcança, nem à lupa, meia dissidência que seja, com a excepção de Manuel Alegre, que está a disputar uma espécie diferente de poder. Com método e implacabilidade Sócrates conseguiu hoje completar o seu puzzle de poder, tem hoje as pessoas certas nos lugares certos para não ter surpresas desagradáveis. O PSD é um saco de gatos momentaneamente entretidos com as férias e divertidos com um debate sobre o silêncio e as palavras. O CDS já não é um partido, mas um simples desespero. É este, em breve síntese, o estado das expectativas. E é esta a chave de interpretação da conflitualidade interna dentro dos partidos.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



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Segunda-feira, 08.09.08

Caro CMC,

 

O silêncio em política, quando bem gerido, é uma arma tão poderosa como a faladura. Valoriza a fala, gera expectativa. Não estou convencido que os eleitores se deixem encantar por um líder de oposição tipo Menezes, que passa o tempo a falar de tudo e de nada. Manuela Ferreira Leite pode perder as eleições, mas não é a falar todos os dias, por tudo e por nada, de tudo e de nada, que as ganha certamente.

 

(publicado no Camara de Comuns)



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Domingo, 07.09.08

Habitualmente, quando não se sabe o que se há-de dizer de um discurso de um político diz-se que foi um conjunto de banalidades ou que não teve novidade nenhuma. Esquecem estes críticos que não consta nos manuais que os eleitores, que são para quem os políticos discursam, sejam especiais adeptos da inovação ou da novidade. O bom discurso político não é uma peça de investigação científica nem uma tese de doutouramento. É aquele que mobiliza as esperanças e as decisões dos eleitores. E para medir isso não há blogue nem sondagem que seja capaz. Apenas as eleições o fazem e definitivamente. Há, pois que aguardar. É já em 2009.

 

Actualização: eu não disse?


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publicado por Jorge Ferreira às 16:57 | link do post | comentar

Sexta-feira, 05.09.08

Antigamente dizia-se que a política tinha horror ao vazio. Hoje, deve adaptar-se essa frase para esta outra: a política tem horror ao silêncio. Ou melhor: não é bem ao silêncio mas à ausência que a política hoje tem horror. À ausência de onde? Da televisão. Porque vivemos na era da imagem. E as imagens que não aparecem significam inexistência. E para haver imagens são necessárias algumas concessões. Concessões aos episódios efémeros, concessões ao dia-a-dia, concessões à superficialidade e, nos casos mais doentios, que são os de maior sucesso, concessões à futilidade. Frequentemente não interessa o que se diz. Apenas interessa dar motivo para que se fale do político. É o falatório que se gera do que o político diz que faz muito da impressão que os cidadãos, os eleitores, isto é, o mercado, colhe para efeitos de decisão de voto.

 

Este é o verdadeiro problema da Manuela Ferreira Leite. Ao contrário do que se tem escrito e dito o drama do PSD não é o silêncio da líder, já que não é de discussão de ideias substantivas que vive o debate público. É verdadeiramente surpreendente ver e ler jornalistas e colunistas que se deliciam com o fait-divers, com o folclore, com o acessório, com a roupa dos políticos, com as refeições dos políticos, com os hábitos matinais dos políticos, com o jogging, com as fotografias que têm nas estantes onde puseram os livros pré-escolhidos para as peças televisivas, de repente exigirem ideias, debate, profundidade, substância a Manuela Ferreira Leite.

 

As ideias de Manuela Ferreira Leite conheço-as eu. Foi ministra de duas pastas sensíveis, foi deputada vários anos, tem vasta intervenção pública. Se eu dissesse que não sabia o que a líder do PSD pensava estaria a chamar-lhe nomes feios de forma implícita. Não creio que se trate de pessoa de mudar muito aquilo que andou a dizer, a propor e a defender durante anos. É por isso que obviamente não votarei PSD.

 

Alguém duvida que se Manuela Ferreira Leite fosse Primeira-Ministra alguma coisa de essencial mudaria? Na despesa pública, que aumentou quando secretária de Estado do Orçamento? Na educação, que não mudou quando pôde fazê-lo enquanto ministra? Na União Europeia, onde sempre alinhou pelo federalismo, pela perda de soberania, por tudo o que de mau e pernicioso Bruxelas tem imposto aos Estados membros? No papel do Estado alguma coisa mudaria, ela que é uma social-democrata “à Cavaco Silva”? Sinceramente…

 

Por mim, Manuela Ferreira Leite pode continuar sossegada e calada, que não me afecta nada. Já quanto ao PSD, tratem de a pôr na televisão a ir ao supermercado, a adormecer o neto ao colo ou a dar palpites sobre quem vai ganhar a Superliga deste ano e desaparecerão as críticas sobre o silêncio. O sistema, na verdade, não a quer ouvir. Quer apenas vê-la.

 

O que está a falhar na liderança do PSD não é a palavra. É a imagem.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



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Sexta-feira, 04.07.08

É um fenómeno recorrente na política portuguesa. As chamadas elites vão para o Governo e durante anos são secretários de Estado, são ministros e não consta que por essa razão percam o cérebro, a boca e os dedos que os habilitam a pensar, falar e escrever, requisitos fisiológicos necessários para decidir. Decidir é precisamente o que se espera de quem aceita exercer funções no Governo.

 
Depois, um dia, saiem do Governo. Faz parte da democracia e da vida. Eis senão quando, passados uns tempos, certamente nostálgicos que se fale deles, vão a um programa de televisão, vão a uma conferência ou escrevem umas artigalhadas nos jornais a dizer que é preciso fazer isto, que é preciso fazer aquilo, que é necessário e urgente a reforma disto ou daquilo.
 
Esta semana foi David Justino, ministro da Educação do Governo PSD/CDS, que teve uma maioria absoluta no Parlamento, a dizer que a Educação precisa de reformas estruturais. Francamente: por que é que ele não as fez quando teve o poder para isso?
 
Esta amnésia paroquial é mais um factor de descrédito da política à portuguesa. David Justino não precisa de críticos da sua acção governativa: ele é o maior crítico se si próprio.
 
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)


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Sábado, 14.06.08

Agora são os rebocadores que, à boleia dos camionistas, querem alterar os preços pagos pelas seguradoras, os quais não contemplam certamente as alterações no custo dos combustíveis. Será que Sócrates vai pôr o Orçamento do Estado a suportar o diferencial, sempre a custo zero, claro, como despudoradamente nos garante a pantomina oficialeira para telejornal ver?



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Quarta-feira, 11.06.08

Lisboa já está sem gasóleo. O Aeroporto já suspendeu o abastecimento dos aviões. Sucedem-se os actos ilegais de intimidação por todo o país. Alguns camiões circulam sob forte escolta policial pelas estradas do país, como se estivéssemos num país de salteadores. O camionistão é o teste político, económico e social mais forte que José Sócrates enfrenta desde que chegou ao Governo.



publicado por Jorge Ferreira às 12:34 | link do post | comentar

Terça-feira, 10.06.08

"Não deixa de ser irónico que ao fim de mais de dois anos com o PCP a tentar promover conflitos sociais sejam os pescadores e os camionistas que, fugindo ao controlo do "partido do proletariado" tenham protagonizado os conflitos mais graves vividos nos últimos anos, senão mesmo na última década. Ainda por cima, em vez de os trabalhadores serem liderados pela "vanguarda do proletariado" são conduzidos pelos patrões, com os quais são solidários e cujos lucros defendem como condição para a sua sobrevivência".

 

O Jumento.



publicado por Jorge Ferreira às 17:34 | link do post | comentar

 

 

Esta fotografia fui "pilhá-la" ao blogue de Pedro Rolo Duarte. Não sei porquê, mas apeteceu-me lembrar a história.



publicado por Jorge Ferreira às 13:31 | link do post | comentar

Acabo de ver o ministro da Ota na televisão a dizer que não cede a pressões, devido ao camionistão. Tradução: camionistão igual a buzinão do socratismo. Tradução: ministro da Ota igual a ministro que conseguiu cumprir a sua palavra e construiu um aeroporto na Ota. Entretanto, a violência está na rua, num espectáculo terceiro-mundista de coacção e violência em relação a quem quer trabalhar. Faz-me lembrar o poder popular de 1975 e as célebres barricadas onde os energúmenos de ocasião mandavam parar carros e os revistavam.



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Segunda-feira, 09.06.08

Amanhã é feriado. Faz favor não incomodar Suas Excelencias com maçadas. O país está quase em ruptura com o protesto dos camionistas, a distribuição de produtos alimentares está em risco, como se já não bastasse a alta dos preços, não tarda não há combustíveis para abastecer nas bombas, mas as conversas seguem 4ª feira. Não se macem. Há tempo.

 

(Foto)



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Quarta-feira, 04.06.08

O célebre e pantanoso bloco central faz hoje exactamente vinte e cinco anos. Como fazem os verdadeiramente poderosos, nenhum dos seus membros tratará de comemorar a efeméride.



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Terça-feira, 03.06.08

Um excelente teste para revelar a nossa identidade política. É o politicómetro da Veja.


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publicado por Jorge Ferreira às 15:35 | link do post | comentar

Segunda-feira, 02.06.08

Provavelmente nenhuma figura institucional do regime admitirá publicamente que o futebol analgésico é tão útil hoje à democracia como o foi à ditadura.



publicado por Jorge Ferreira às 19:05 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Algumas reflexões sobre o futuro do PSD, que a tantos preocupa, muito mais do que o presente, o que já de si mostra a pouca confiança no sucesso eleitoral em 2009: 1º Os ismos são pessoais e intransmissíveis. 2º Na política não há estatutos eternos. 3º Os futuros líderes de hoje poderão não ser os líderes de amanhã. É só por causa das contas. Relativizem, pois.


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Sexta-feira, 02.05.08

Este mês não será apenas o mês do coração, mas também o mês da oposição. Primeiro, moção de censura do PCP, já no dia 8 de Maio, para o PCP responder à ocupação do seu discurso pelas propostas do Governo contra a precariedade do trabalho que o PCP tanto queria e agora não gosta de ver. Trata-se também de marcar terreno a Carvalho da Silva nas negociações na concertação social. Trata-se, enfim, de mais uma jornada do campeonato inter-turmas da extrema-esquerda.

 

Depois, novas directas no PSD para organizar o caos político interno. Quer num caso, quer noutro, é em 2009 que se pensa. E, no centro das preocupações, a sorte de Sócrates. A oposição concorre para tirar a maioria a Sócrates, não para ganhar a Sócrates.

 

No estado actual da situação é a crise que pode derrotar Sócrates e não a oposição. Aliás, a bem dizer a oposição não é uma oposição mas uma posição: a posição do passado que o país cilindrou por duas vezes nas urnas, em eleições europeias e legislativas.

 

Não é pelo espectáculo das oposições que o gato vai às filhós.

 

Esta semana, adensaram-se as preocupações do Primeiro-Ministro. As notícias são más. A Comissão Europeia deu seguimento à recomendação do FMI para rever em baixa as previsões de crescimento da economia. Os preços de bens essenciais para o consumo individual ou para o funcionamento da economia, como os bens alimentares, o crédito à habitação e os combustíveis estão numa escalada de que não se vê fim.

 

Os jornais de economia desta semana acrescentaram preocupações. Ficámos a saber que recentes membros da União Europeia, como a Estónia e a Eslováquia vão ultrapassar Portugal em criação de riqueza no próximo ano, o que significa competência e eficácia na rentabilização das oportunidades criadas com a adesão e ficámos a saber que pelas contas de Bruxelas a inflação vai comer poder de compra às nossas carteiras pelo terceiro ano consecutivo. Isto significa que o rendimento disponível continua a descer e que Portugal vai ficando para trás em competitividade face aos seus parceiros económicos da União Europeia, com os quais devia convergir.

A situação económica do país é, no mínimo, preocupante. Mas o Governo continua com um discurso optimista e com uma política insensível às dificuldades. Cavaco Silva já vai avisando que é preciso não regredir no resultado alcançado na diminuição do défice, já que se percebe que com 2009 à vista a despesa pública pode derrapar para ultrapassar o cabo das tormentas eleitoral.

 

Que o Governo não pode dormir na forma muito mais tempo, ninguém duvida. O que vai fazer quando acordar, ninguém sabe. Talvez nem o próprio Governo. Estas crises não se combatem com mais socialismo, mas com políticas diferentes. Houvesse um, ao menos um, líder da oposição à direita minimamente decente e não queimado por desgraças governativas anteriores e outro galo cantaria.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)



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Sexta-feira, 14.03.08
Anos depois de o PS passar de vermelho a rosa, o PSD sobrepôs o azul ao laranja. Depois de o PS ter substituído o punho pela rosa, o PSD tira duas das suas três setas ao emblema. Não se trata de acasos. O rígido PCP arranjou, a seu tempo, maneira de se encafuar numa CDU que vestiu de azul, arrumando o vermelho para debaixo dos móveis eleitorais. São tentativas de mudanças de identidades sem correspondência na verdade política que cada um representa. Mas que visam atrair os eleitores apesar dos significados reais que os partidos transportam das fundações, das doutrinas e das histórias. Acabo de ver Sócrates prestar-se a uma entrevista política na SIC Notícias vendida à audiência como uma reportagem sobre a vida pessoal do Primeiro-Ministro. O mesmo sucedeu com Luís Filipe Menezes. Apesar de se poder entender estes actos como puro marketing, eles revelam uma faceta essencial da política dos nossos dias. A ideia foi substituída pela imagem. O importante é a emoção que se gera, não a razão do que se diz. É por isso que, paradoxalmente, as mesmas sociedades que consomem estes produtos se queixam do vazio da política. Esquecem-se que, porventura, esse vazio tem precisamente origem na forma como tomam a decisão eleitoral. A luta política que vale a pena é pois a de convencer as pessoas de que a revolução hoje não está nas armas nem na rua mas na mudança do critério de decisão eleitoral. Bem sei: não é fácil. Mas também sei que água mole em pedra dura às vezes fura.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)

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publicado por Jorge Ferreira às 13:23 | link do post | comentar

Terça-feira, 04.03.08
Correia de Campos caiu na rua à porta das urgências encerradas. Maria de Lurdes Rodrigues não se sente lá muito bem. Os professores, quedos e mudos há anos perante as desgraças do sistema de ensino, saíram à rua porque não querem ser avaliados. O PS, partido formal, institucional, firme, rigoroso, com pose de fato e gravata de semana e Armani ao fim de semana, vai descer à rua, respondendo com um comício de camionetas à rua das urgências e dos professores. O poder voltou à rua? Vejam lá se a malta toda volta a entusiasmar-se.

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publicado por Jorge Ferreira às 23:49 | link do post | comentar

"Quem quer ter ilhas, paga-as", disse o inenarrável Jaime Ramos da Madeira. Eu só quero saber se me vão perguntar alguma coisa ou se deram por adquirido que eu quero ter ilhas ...


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Sexta-feira, 29.02.08
Muitos milhões de euros de fundos comunitários depois de 1986, Portugal continua com índices vergonhosos de pobreza adulta e de pobreza infantil. Continua com um défice de produtividade das suas empresas que compromete a competitividade e a empregabilidade da economia. Continua com uma população jovem deficientemente preparada pelas escolas para enfrentar o mundo real.

Esta semana vimos um alto responsável universitário contestar que os cursos superiores sejam avaliados pela sua empregabilidade, alegando até que há cursos muito bons que têm pouca empregabilidade. Esquecendo que vive num país com recursos escassos que tem de definir prioridades.

A chamada crise social tem sido disfarçada à custa do assistencialismo público e do meritório esforço de uma miríade de instituições de solidariedade social. Portugal continua um país pobre, porque não teve sucesso na maior riqueza que tem: as pessoas. Sem riquezas naturais como ouro ou petróleo, sem colónias, resta enfrentarmo-nos a nós próprios.

Mas não é fácil vermo-nos ao espelho. A imagem não é boa nem bonita. Como sociedade fraca que somos estamos sempre à espera que o Estado ou alguém por nós resolva o que depende em primeira instância de nós próprios. Não queremos trabalhar mais e não admitimos ganhar menos. Culpamos sempre os outros, o célebre “eles” dos males do mundo.

É importante dizer a bem da verdade que existe uma parte da pobreza que não o é. Há quem prefira os subsídios da segurança social e os biscates ocasionais ao trabalho efectivo. Temos engenheiros, professores universitários e pessoas altamente formadas e preparadas de nacionalidade russa e ucraniana a trabalhar como jardineiros, por exemplo, porque não há portugueses que estejam dispostos a sujar as unhas. Há muitos à procura de emprego e poucos dispostos a ter trabalho. O Estado alimenta esta preguiça parasitária chamando-lhe “políticas sociais”.

Esta situação exige novas ideias e o abandono de preconceitos ideológicos politicamente correctos.

Não é isso que está a acontecer. O país continua adiado, com as instituições públicas atoladas em dívidas, a começar no Estado e a acabar nas autarquias. Dívidas que vão disfarçando com novas dívidas e não resolvendo com os necessários cortes na despesa. As eleições comprometem a verdade. Ganham-se com dinheiro e não com poupança. O Governo já começou a recuar nalgumas tímidas reformas que tentou encetar. Na saúde, na educação, na suave dilatação da despesa. Reproduzindo o modelo que nos conduziu à situação presente.

A SEDES, histórico alfobre da elite de governantes do bloco central, com sucessivas responsabilidades governativas, veio dizer o que todos sentem. O que espanta é ter sido considerado uma novidade o alerta sobre a crise social do país. E a ausência de autocrítica. Mas é assim Portugal. Os mesmos sempre a dizer o mesmo dos mesmos. Talvez por isso o povo, cansado da fatalidade, responda com perigosa e crescente indiferença aos alertas, às críticas e aos problemas.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)


publicado por Jorge Ferreira às 00:26 | link do post | comentar

Sábado, 26.01.08
""Manuel Maria Carrilho não se deixou intimidar pela onda de violentas críticas a propósito do seu livro «Sob o Signo da Verdade», lançado a 11 de Maio. Consciente da manifesta incapacidade dos jornalistas discutirem os seus próprios problemas, o deputado do PS elevou o debate e avançou com duas ideias: a declaração de conflito de interesses dos jornalistas e o código de conduta das agências de comunicação. As propostas vão ser apresentadas num encontro com estudantes de Comunicação Social, na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, terça-feira, 6. É evidente que o deputado socialista está a jogar a sua sobrevivência política à custa da promoção de um debate sobre a imprensa. Mas confundir o discurso despeitado e o direito à crítica tem um risco: transformar Carrilho em herói da liberdade de imprensa. Quanto mais se varrer para debaixo do tapete os podres da informação, mais o politico Carrilho ganha protagonismo à custa de uma causa que nunca o interessou. As propostas de Manuel Maria Carrilho podem ser criticadas. Até podem não ser suficientes para alterar o Estatuto do Jornalista. Mas os profissionais da comunicação social não podem confundir a árvore com a floresta."
Aqui.


publicado por Jorge Ferreira às 11:52 | link do post | comentar

"As relações entre as agências de comunicação, a política e a comunicação social têm estado na berra. Na passada segunda-feira o Público fez um execelente trabalho sobre este mundo que o país viu começar a ser desvendado por Manuel Maria Carrilho. Respigo desse trabalho este excerto: "Para Salvador da Cunha, dono da Lift (grupo Bairro Alto), as técnicas usadas para assessorar na política são as mesmas que numa empresa: trabalhar a definição da mensagem e dos públicos. "É preciso estruturar as promessas, o discurso e as ideias do político", diz." Por aqui se vê o que as agências pensam do seu trabalho na política. Nomes alugam-se... eles tratam do resto."
Aqui.


publicado por Jorge Ferreira às 11:47 | link do post | comentar

A "guerra da agência" actualmente em curso no PSD, traz à memória a questão levantada por Manuel Maria Carrilho depois das eleições autárquicas de Lisboa. E que, na altura, muito boa gente, sobrepondo antipatias pessoais à relevância do problema, preferiu não discutir abertamente.


publicado por Jorge Ferreira às 11:40 | link do post | comentar

Domingo, 06.01.08
3 milhões de carros fantasmas. Uns centos de milhar de eleitores fantasmas. Um terço do PIB de economia paralela. Um terço de criminalidade fantasma não denunciada. Um país, dois sistemas. Francamente, da maneira que isto anda não sei em que país se viverá melhor, se no Portugal oficial, se no Portugal fantasma.


publicado por Jorge Ferreira às 13:48 | link do post | comentar

Sexta-feira, 04.01.08
Um dos temas que mais tem excitado os comentadores é a possibilidade de José Sócrates fazer ou não uma remodelação do Governo. Apontam candidatos a sair, dizem como Sócrates deve fazer, eles falam , falam, falam… e o Governo continua na mesma. E cheira-me que continuará na mesma.

Desde já convém notar que as remodelações dos Governos não passam de exercícios psicológicos de criação de efeitos especiais. Em última instância é o Primeiro-Ministro que é responsável pelo programa, pelas políticas e pelos membros da sua equipa.

Remodelar é disfarçar. Os Primeiros-Ministros costumam usar essa arma para salvar a pele e não para mudar o essencial.

Depois as remodelações dependem do feitio de cada um. Os jornalistas deliciam-se com a expectativa das remodelações. Dá para falar da intriga política dos corredores e dos bastidores, dá para tocar música, quase discos pedidos, para ilustrar a dança dos nomes, dá para escrever longos textos sobre os ministros que se acha que devem sair e os que se palpitam que podem entrar.

Evidentemente que ao cidadão comum esta conversa de remodelação para cá e para lá, diz pouco. Ou nada.

Mas, no caso vertente, impõe-se alguma memória. José Sócrates, que logo no início do seu mandato fez questão de mandar os portugueses “habituarem-se”, já teve de fazer várias remodelações. Campos e Cunha, lembram-se? Freitas do Amaral, lembram-se? Foram remodelações que ocorreram no Governo. Não foram desejadas pelo Primeiro-Ministro.

José Sócrates tem remodelado o Governo à força das circunstâncias. Ele está convencido e porventura bem que o país aprecia o género de político que se está nas tintas, em português vernáculo, para os comentadores e para os jornais e por isso aparenta estar determinado a seguir o seu caminho imperturbável e impassível para chegar às eleições com uma aura de firmeza, mão forte e carisma, que manifestamente tem de ir buscar aos factos já que de natureza não o tem.

A questão, para os eleitores, e a que verdadeiramente interessa é saber se querem ou não remodelar o Primeiro-Ministro nas próximas eleições. E para saber isso, os eleitores vão olhar para o lado e ver o friso das alternativas.

Quanto ao mais, desiludam-se: Sócrates só remodela à força. À força das circunstâncias. O melhor é analisarem as circunstâncias e não Sócrates.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)


publicado por Jorge Ferreira às 00:03 | link do post | comentar

O regresso à Terra de José Sócrates está a doer. Apesar da mitomania da mensagem de Natal, o Primeiro-Ministro deve estar agora a concluir que o povo não partilha das suas façanhas eurocráticas, nem está disposto a verter uma lágrima, como José Sócrates verteu, pelo notariado exercido na assinatura do Tratado de Lisboa. É caso para dizer, diz-me com o que te emocionas, dir-te-ei quem és.

O povo é mais comezinho. A fumar ao frio e à chuva, com urgências a fechar, mais desemprego, preços a aumentar e o empobrecimento geral a toldar os espíritos mais optimistas, veio juntar-se agora a recomendação de Ferro Rodrigues: “menos arrogância”. Duvido que alguém no PS oiça a recomendação, apesar de modesta (“menos”, ou seja, para Ferro é admissível alguma arrogância, mas não em excesso). O PS está fascinado. E o país, desmoralizado.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)


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Sexta-feira, 28.12.07
É de bom tom fazer balanços quando se aproxima o fim do ano. Este ano é relativamente fácil proceder ao exercício. E que bem sabe escrever para dizer bem. Passamos os dias a criticar, a zurzir, a lamentar, a crucificar as desditas do destino, por vezes julgávamos até que a divina imprudência nos tinha reservado uma safra dos piores para tratar dos nossos assuntos. Até que chega o dia. O tão esperado e ansiado dia em que podemos escrever bem.

Em 2007 o desemprego baixou. Sim, não se admirem. José Sócrates prometeu e cumpriu. Cada vez menos portugueses precisam de receber subsídio de desemprego. Cada vez mais portugueses trabalham, contribuindo para aumentar a produtividade e a riqueza nacional. É por isso que os portugueses andaram mais contentes, contagiando o clima social do país.

Em 2007 foi possível baixar os impostos, aumentando o rendimento disponível das famílias e das empresas, libertando recursos para o consumo, o que pressiona a produção de bens e serviços e para o investimento, o que tem permitido aumentar postos de trabalho e as exportações. José Sócrates, que prometeu não aumentar os impostos, excedeu-se e até os baixou! Como deve estar feliz por ter desrespeitado uma promessa eleitoral para mais e não para menos.

As empresas diminuíram os custos com a burocracia e podem hoje decidir e agir mais rápido, em função da economia e não em dependência da administração. Para fazer grandes negócios e escolher administradores já não é preciso esperar pela opinião do ministro das Finanças, nem pela indicação do gabinete do Primeiro-Ministro.

Os trabalhadores, salvo algumas ovelhas ranhosas, as do costume, decidiram trabalhar mais e produzir melhor para contribuírem para o esforço nacional de recuperação da economia, tendo finalmente percebido que só é possível distribuir mais riqueza se se produzir mais.

Em 2007 o Estado reduziu a despesa corrente, extinguiu serviços inúteis, aumentou a eficácia dos serviços úteis, como por exemplo nas áreas da Justiça e da segurança. Reduziu-se o tempo de espera dos processos em tribunal, investiga-se a criminalidade mais rápido, diminuíram os homicídios, os gangs e as máquinas multibanco dormem mais seguras durante a noite.

Em 2007 as autarquias deram o exemplo, gastando menos, reduzindo as suas dívidas, extinguindo empregos políticos e extinguindo empresas municipais.

Em 2007 os políticos honraram as promessas feitas nas campanhas eleitorais. O PS vai propor o referendo ao Tratado de Lisboa, o PSD continua fiel à promessa de realizar o referendo, e ambos os partidos decidiram empreender um programa de despartidarização da administração pública e das empresas do Estado. Pela primeira vez na história o Presidente da Caixa de Depósitos não tem partido e nenhum dos seus administradores é filiado em nenhum partido. Até no CDS se abandonaram as golpalhadas. Paulo Portas foi leal aos princípios e aos mandatos e aguarda democrática, civilizada e educadamente o fim do mandato de Ribeiro e Castro para se candidatar outra vez. Sem agressões, gritos, empurrões.

O Governo deu o exemplo, deixando o mercado funcionar e foi possível assistir a OPA’s vitoriosas sobre a PT, por exemplo.

Na Educação, o balanço é extraordinário. Os alunos falam e escrevem melhor o português, já não é preciso o célebre despacho da ministra a permitir passagens administrativas para garantir as estatísticas do sucesso.

O que se passou no país este ano teve, aliás, total correspondência em Aveiro. Resolveram-se problemas, saldaram-se dívidas, todos estão de parabéns. A notícia de que Élio Maia terá anunciado na sessão de ontem da Assembleia Municipal que a dívida da Câmara a curto prazo aumentou 6,4 milhões de euros não passa seguramente de uma brincadeira de Carnaval, que, como todos sabem, vem logo a seguir ao Natal. Sentido de humor não falta, felizmente, ao Presidente da Câmara. As 29 medidas anunciadas em Junho para resolver o problema financeiro da Câmara foram de uma eficácia notável. Talvez por isso, estão na forja mais 29. A este ritmo, ninguém pára Aveiro.

É assim, com gosto e prazer que escrevo este último artigo do ano para o Diário de Aveiro. Compreenderão certamente os leitores que este ano já não é necessário desejar um próspero Ano Novo a ninguém. Ele será próspero. Como é evidente.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)


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Sexta-feira, 14.12.07
(Chiu!)
Os partidos instalados com alvará no Orçamento do Estado, com licença da entidade reguladora do sistema, aprovaram uma lei que diz que para um partido existir tem de ter pelo menos 5.000 inscritos. Obesos de tantos negócios, resta-lhes a sobremesa de proibir a concorrência fora do prato de lentilhas onde se empanturram.

São miniaturas de Chavez, disfarçados de democratas. Aquele corta a licença às televisões e o papel aos jornais. Estes, que dominam já as televisões com licença, querem cortar o pio a quem pode chamar os bois pelos nomes. Bem os compreendo.

Através de um Tribunal Constitucional anacrónico e ao serviço de uma espécie de estalinismo legal, os partidos do Orçamento tratam de vidinha. Os partidos do Orçamento violam as leis que eles próprios produzem, mas querem obrigar os que não fazem as leis a cumpri-las.

(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)


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Quarta-feira, 26.09.07
É verdadeiramente repugnante fazer política com um discurso onde se introduzem subtilmente características físicas supostamente desvantajosas dos adversários. Não é a primeira vez que sucede na política portuguesa. Mas quem o faz paga caro. E é justo que o pague. É indigesto.

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publicado por Jorge Ferreira às 10:19 | link do post | comentar

Quarta-feira, 19.09.07
O presidente do PS da Madeira, João Carlos Gouveia, disse hoje que o regime político na Madeira poderá mudar se houver actuação dos órgãos policiais e judiciais. Este socialista parece revelar-se um pouco imprudente. É que há quem pense que no continente também.


publicado por Jorge Ferreira às 17:59 | link do post | comentar

Sexta-feira, 07.09.07
O mês de Agosto, habitualmente tido como o mês em que não acontece nada, revelou-se este ano pródigo em acontecimentos cuja gravidade não pode fenecer com as rentrées partidárias, com o renascimento da agenda da Presidência portuguesa ou do quotidiano parlamentar. Sublinho três: o maior ataque à propriedade privada desde as ocupações selvagens do gonçalvismo, a protecção de Cavaco Silva ao Estado injusto perante os cidadãos indefesos e o primeiro caso conhecido de financiamento partidário ilícito.

Em Silves um bando de energúmenos deu cabo da vida a um agricultor que vive do que planta, milho transgénico, coisa que faz no escrupuloso cumprimento da Lei. Destruíram-lhe a plantação e agrediram-no. Um enxerto gonçalvista no século XXI. Um crime praticado a céu aberto. A GNR esteve lá. Perante o flagrante delito, não actuou como manda a Lei, detendo os criminosos. Este comportamento contemporizador do Estado veio evidenciar outra realidade, também ela grave: o Estado não trata a violência toda da mesma maneira. O Estado investiga e detém cidadãos alegadamente envolvidos em actividades de extrema-direita, mas fica-se quando se trata da extrema-esquerda. O Estado não protege, como é sua estrita obrigação o direito de propriedade dos cidadãos cumpridores. O Estado é uma vergonha.

Calha bem abordar agora, na sequência desta iniquidade policial, a segunda má notícia de Agosto: o veto presidencial à Lei que aprovou o novo regime da responsabilidade extra-contratual do Estado. Essencialmente, esta lei tem como função proteger o cidadão dos arbítrios e dos erros cometidos pelo Estado no exercício da sua actividade, garantindo aos cidadãos a reparação dos prejuízos que sofram em consequência desses arbítrios e desses erros. Uma das consequências desta lei, caso entrasse em vigor, seria o aumento das reclamações e da legitimidade dos cidadãos para pedir indemnizações ao Estado ou entidades públicas. O Presidente alega que a nova Lei teria enormes consequências financeiras para o Estado e na sobrecarga dos tribunais com eventuais processos.
Esta Lei seria de facto perigosíssima para o Estado. Obrigá-lo-ia a agir com cuidado e rigor, coisa como se sabe difícil de suceder. Pelo que, a seguir viria outra consequência sinistra: o Estado teria de pagar muito dinheiro aos cidadãos pelos males causados. Obviamente inaceitável, para quem acha que o Estado não somos nós, mas sim uma entidade superior e abstracta que deve gozar do privilégio do erro. Para um social-democrata estatista como Cavaco Silva, esta Lei é um absurdo. A sacrossanta estabilidade orçamental vale obviamente mais do que a garantia dos direitos dos cidadãos. No fundo, o cidadão é visto como uma ameaça ao Estado, numa total subversão dos valores. O Estado existe para servir e não para prejudicar os cidadãos.

Por último, o caso da Somague. Em tempo recorde, que contrasta flagrantemente com atitude bem diferente noutros casos, o Ministério Público já concluiu não existirem indícios de crime no caso do financiamento ilícito do PSD pela Somague. Tratar-se-á assim de uma ilegalidade, embora não de um crime. Saindo da Justiça para a política o que sobra? Um imensa descrédito da política. A sensação é que vale tudo. E, claro, ninguém no PSD sabia. Claro que não.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)


publicado por Jorge Ferreira às 00:31 | link do post | comentar

Quinta-feira, 06.09.07
Luís Filipe Meneses anda num jacto pago por um empresário com interesses económicos no concelho em que o mesmo Luís Filipe Meneses é Presidente de Camara. Não é nada sadio. O principal factor de descrédito da política é a suspeita. É que à mulher de César não basta ser séria. É preciso parecê-lo. O problema é que os políticos do sistema bastam-se com a auto-proclamação de que são sérios. Esquecem-se que o que é necessário na política é justamente sê-lo e parecê-lo. O que fundamenta uma condenação nos tribunais é a prova. Na política basta a mera suspeita para minar a credibilidade.


publicado por Jorge Ferreira às 13:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 29.08.07
A vindima. A apanha do tomate. O turismo algarvio. Os vetos de Cavaco Silva.


publicado por Jorge Ferreira às 23:09 | link do post | comentar

Segunda-feira, 20.08.07
Assim se vê a alternativa. Por causa desta notícia relativa ao ano politico-parlamentar que passou. Nada de novo, ou seja, PS descansado.


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Sexta-feira, 27.07.07
Vêm aí eleições. São as legislativas de 2009. Na entrevista desta semana à SIC o Primeiro-Ministro deu o tiro de partida para a campanha eleitoral de 2009 ao anunciar que a grande novidade do Orçamento para 2008 será o aumento do investimento público. Com o país já em férias, mergulhado em dificuldades, o PS optou por jogar pelo seguro e mudar de azimute.

José Sócrates acredita que o país real lhe perdoará tudo: a incompetência de alguns dos seus ministros, as trapalhadas da engenharia, as cartas de Manuel Alegre, as vaias, as entradas pelas traseiras, os processos disciplinares, a perigosa obsessão com a concentração de poderes que vão dos serviços de informações à criação de fundações. E que esse país, que zurze nas costas mas quer sossego, na hora certa lhe renovará a maioria absoluta.

Não basta ao PS o estado comatoso da direita geométrica, intimamente convertida ao estilo autoritário e ideologicamente descontente pela esquerda do PS com as políticas do Governo. É preciso cilindrar.

Ora, este anúncio é a melhor demonstração como só na aparência o país está a ser governado como deve ser no domínio das políticas substantivas. Na hora do aperto Sócrates mostra a sua natureza socialista e lança mão da solução tantas vezes experimentada e tantas vezes falhada de resolver os problemas da economia: o investimento público.

No fundo a receita é sempre a mesma: “falem os jornais o que falarem lá estarei eu para inaugurar os chafarizes e cortar fitas” (sem ofensa aos meus amigos do blogue com o mesmo nome). Seja o PSD seja o PS seja o CDS que estejam no Governo, a receita tem sido sempre aplicada. Aumento de impostos primeiro, aumento do investimento público depois, segundo a ilusão de que o Estado é que manda na economia.

Ora, sucede que, como tenho defendido, nada do que tem sido feito tem a ver com a solução estrutural dos problemas, mas apenas com a maquilhagem desses problemas. Sócrates não quer resolver a crise do modelo social, quer apenas resolver o problema de tesouraria do modelo social. A isto chama-se apenas adiar o inevitável.

Como sempre, quem vier atrás que feche a porta.

O problema é que a falta de alternativa visível parece reforçar aos olhos os eleitores uma espécie de necessidade de manter Sócrates no poder. À direita neste momento, o melhor mesmo é esperar que alguém decida fazer a rodagem do seu carro novo.
(publicado na edição de hoje do Semanário)


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Quinta-feira, 26.07.07
Portugal decidiu copiar a China. Este país, como sabemos, ainda se diz comunista mas convive amável e cumplicemente com o capitalismo, que procura e deseja, para desenvolver a sua economia. Em Hong Kong e em Macau, ninguém sabe do comunismo. É o conhecido método “um país, dois sistemas”.

Cá, vivemos hoje no mesmo no regime. Há o país da rua, do desemprego, da escola, e há o país de Sócrates. No primeiro existe pessimismo e dificuldades. No segundo só existem maravilhas, para lá, é claro, do sucesso no combate às cáries dentárias, que é o orgulho do Primeiro-Ministro.

"Saímos daqui com vontade de comprar uma casa." Foi desta forma que o Primeiro-Ministro se referiu às vantagens do "Casa Pronta", o novo balcão único onde se pode tratar dos vários procedimentos inerentes à compra e venda de casa, como a assinatura da escritura pública ou pedir a caderneta predial. Pois será. O problema no tal país que Sócrates ignora do alto das cataratas de propaganda onde se atola, mas que existe, não é falta de vontade para comprar casa. É a falta de dinheiro.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)


publicado por Jorge Ferreira às 10:24 | link do post | comentar

Segunda-feira, 16.07.07
Ontem o regime teve a sua noite patética. Com um novo Presidente de Camara eleito por um lisboeta em cada nove, com a manifestação de desprezo com que o eleitorado de Lisboa brindou os partidos, é com grande dificuldade que se pode encontrar um verdadeiro vencedor. António Costa ganhou aritmeticamente, mas nem sequer teve eleitores de Lisboa suficientes para encher a sala da vitória, teve de recorrer a vizinhos de fora. Parabéns por isso. Veremos se ganhou politicamente. Os partidos deviam encerrar para balanço. A direita institucional não existe, sendo duvidoso que consiga aprender alguma coisa com isso. Sócrates ganhou a primeira eleição depois de 2005. Isso sim. Graças à estratégia estúpida do PSD e do CDS. Nada ficará na mesma.

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publicado por Jorge Ferreira às 12:26 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 14.07.07
Hoje, em Lisboa concelho, é o tal dia ridículo em que a lei obriga as pessoas a pensar. A lei desconfia que os eleitores não pensam. Daí ter achado melhor, à cautela, reservar-lhes um diazinho especial para o efeito.

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publicado por Jorge Ferreira às 13:32 | link do post | comentar

Terça-feira, 10.07.07
Há quem atribua o nosso atraso à pequenez das nossas elites. Elas são propulsoras de maus exemplos cívicos. Por vezes, as elites até escrevem bem, acertam na sintaxe, possuem vocubulário. Ostentam conhecimentos raros, que brilham no meio da indigência quotidiana dos portugueses comuns. Cai bem lutar por Aristides Sousa Mendes, que o comum do cidadão não conhece e os que conhecem, conhecem apenas a parte que lhes deixam conhecer (não há História perfeita, não há...). Exibem até curriculuns profissionais brilhantes nas respectivas áreas de formação. Uns fizeram pontes, outros são artistas, além foram projectistas, estrategos, arquitectos. Outros ainda são advogados, outrora apenas da escola de Coimbra, hoje democratizada por todo o território nacional, numa distribuição socialisticamente correcta da mesquinhez e da pequenez em que sempre viveu a nossa Universidade, educada na reverência balofa aos poderes. Mas elas têm uma vulnerabilidade: o amor ao penacho, a rendição ao tacho, a cedência à mordomia, que normalmente é sinónimo de motorista pago pelo Estado, secretária para atender telefones e um gabinete. Ah!, o gabinete! Um extâse de importância, um sinal distintivo de superioridade perante quem tem um mero escritório ou, mais rasca ainda, quem se limita, oh! cúmulo da rasquice, a simplesmente trabalhar na empresa. Ele são Alto-Comissários, ele são Alto-Qualquer Coisa, desde que venha no pacote a Excelência, o Dr., o Engenheiro (ai os diplomas, que loucura social de mercado!). Etc. e tal. Além desta vulnerabilidade as elites têm outra: a ganância. Nunca se contentam. Querem sempre mais. Nem que seja um part time. Pular num modesto mês do Tribunal Constitucional para o ministério, daria romance imortal em Eça. Agora, convenhamos, tratar da frente ribeirinha de Lisboa e, em simultaneo, ter de suportar o mandatarinato eleitoral de António Costa, ou de outro qualquer, nem romance de cordel do século XIX justificaria. É feio, mas pouco para merecer papel e mais verbo.


publicado por Jorge Ferreira às 22:10 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 17.06.07
(Octopus Vulgaris)

Fala-se de medo nos dias que correm na Pátria. Medo de escrever em blogues, medo de financiar estudos, medo de falar de assuntos quentes na comunicação social, agoara também medo de Directores Regionais de Educação. Funcionam um pouco por todo o lado os mecanismos invisíveis de coacção. De pessoas que escrevem nos blogues, de empresas que financiam estudos contrários às posições do Governo, de jornais que simpaticamente prescindem de jornalistas incómodos, e alguns visíveis como processos disciplinares. Valha a verdade que este fenómeno não é novo. Não é um exclusivo de Sócrates. Já foi assim, apenas porventura com variação da intensidade e do grau, com o PSD e com o CDS no poder.
Especialmente no que toca aos empresários, o medo de se saber que pagaram um simples estudo, que por ironia dos Deuses se vem a saber agora que foi combinado com Sócrates, revela apenas que em Portugal continua a não ser possível a economia funcionar sem o Estado. Quando um empresário que arrisca o seu capital precisa do Estado para ter hipóteses de sucesso, é porque não há mercado a sério, propriedade privada a sério, liberdade económica a sério. E esse é, há séculos, quer se queira quer não, o principal factor do atraso económico e social do país.
Mas há que dizer ainda outras duas coisas. Alguns dos chamados grandes empresários portugueses sempre preferiram acoitar-se no amparo dos dinheiros públicos e do encosto com o poder do que experimentar o negócio a sério. Dá mais trabalho certamente. É ver nomeadamente a pouca vergonha que se passou com as chamadas privatizações, que foram devoluções e não privatizações, com concursos públicos de fachada em muitos casos, com resultado pré-decidido.
Por último: desta situação tanto é responsável a pequenez dos políticos portugueses que têm tido o sortilégio de manobrar o Estado, como as vítimas deles, ou seja os portugueses, e no caso do estudo da CIP os financiadores ocultos, que preferem não se incomodar e denunciar. Como vêem agora, Roma não paga a traidores, mas também não paga a cobardes, esses idiotas inúteis nas mãos do poder (mas aqui para nós, caros empresários, a verdade é que já o sabiam, não é assim?).
Depois de ler o link que antecede, digam-me lá se isto tem salvação...


publicado por Jorge Ferreira às 13:04 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 25.05.07
Nos idos de noventa, quando o cavaquismo atingiu o auge do autismo, do autoritarismo e dos disparates, o país vivia sufocado. Foi aí que um célebre Presidente da República resolveu proclamar o direito à indignação. Aqui fica a sugestão ao Professor Cavaco: que tal fazer o mesmo, ou será que ainda não chega? Será preciso chegar ao ponto de ter de se bloquear uma ponte? Espero bem que não, porque isso revelaria não só que Cavaco Silva era excessivamente susceptível a pontes, como significaria que Almeida Santos afinal estava certo quanto ao risco que as pontes representam para a ordem pública.


publicado por Jorge Ferreira às 14:15 | link do post | comentar

(Há que sacar, sacar, sacar)

Osvaldo de Castro, hoje um socialista, pertence àquele lote de pessoal político que transitou do PCP para o PS, quando, depois do muro de Berlim abrir brechas descobriu o lado sinistro e totalitário do sistema político que apoiou, em que militou e pelo qual tentou convencer muita gente, com um assinalável fracasso, fracasso que, aliás, só pode saudar-se em nome da liberdade e da democracia.

Hoje é presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República. Esta semana, Osvaldo de Castro defendeu que ainda é possível alterar a Lei de Financiamento dos partidos políticos , a fim de permitir a atribuição de subvenções públicas aos partidos e grupos de cidadãos que concorram às eleições em Lisboa.

Considerou que a lei é omissa e conclui daí ser necessário suprir essa omissão, já que a lei nada diz quanto a eleições intercalares. A lei prevê apenas a atribuição de uma subvenção pública aos partidos e grupos de cidadãos eleitores que «concorram simultaneamente aos dois órgãos municipais» - câmara e assembleia municipal. No entanto, a lei é omissa quanto à realização de eleições intercalares, o caso das eleições de 15 de Julho, nas quais só está em causa a eleição para a câmara municipal.

Este facto originou dúvidas por parte de alguns partidos políticos, que questionaram a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP). De acordo com as recomendações da ECFP, publicadas segunda-feira no sítio do Tribunal Constitucional, caberá à Assembleia da República decidir se a subvenção será ou não atribuída.

Questionado sobre esta questão, Osvaldo de Castro considerou que a «omissão» da lei poderá ser suprida «atempadamente (…) Acrescentar umas expressões será suficiente para abranger as intercalares. Parece-me simples», afirmou, sublinhando, no entanto, que «será necessário que algum partido tome a iniciativa».

Recorde-se que a lei do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais prevê um limite máximo de despesas de 1.350 salários mínimos nacionais [403 euros] para a campanha em Lisboa. A subvenção a atribuir é de valor total equivalente ao do limite de despesas admitidas para o município - 816.075 euros.

A tentativa de alterar à pressão esta lei é verdadeiramente escandalosa. Os partidos do sistema, quando se trata do seu dinheiro, são lestos a detectar lacunas da lei e rápidos a legislar para aumentarem as notas na sua própria carteira. Esta golpada legal que está em cogitação é, sobretudo, uma afronta a um país que os partidos do sistema puseram de pantanas. Com o desemprego a níveis históricos e a pobreza declarada e envergonhada a aumentar, os partidos do sistema sob a liderança insuperável do PS, preparam-se para exibir um desprezo indigno pelas dificuldades dos cidadãos. Sobretudo se considerarmos que estas eleições se realizam para uma Câmara Municipal que deve 832 milhões de euros, que não paga a ninguém, que é um paradigma do clientelismo partidário, esta iniciativa é particularmente chocante. Mas também é verdade que está ao nível do desastre que tem sido a gestão de Lisboa de há muito tempo para cá.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)


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Quinta-feira, 24.05.07
Os independentes voltaram a estar na moda. Todos os que estão na moda ou saíram de partidos, ou candidataram-se por partidos nas últimas eleições. O que significa que até agora só há independentes de proveniência partidária. Eu sempre defendi as candidaturas de independentes em todas as eleições e continuo a defender. Faz bem às eleições, faz bem aos partidos para não se julgarem os donos do voto e faz bem aos eleitores, que têm mais por onde escolher.

As eleições intercalares de Lisboa vão ser um novo teste aos independentes. Mas e não há bela sem senão, parece que a independência vem viciada. Consta que o PSD se mobilizou na recolha de assinaturas para a candidatura de Helena Roseta. E consta que o PS está a ajudar na recolha de assinaturas para Carmona Rodrigues. Se fôr verdade, não há mal nenhum nisso. Os cidadãos podem viabilizar as candidaturas que quiserem.

Mas vindo os independentes com a aura da transparência e da verdade para o mercado político, talvez fosse bom começarem por esclarecer de onde lhes vêm as condições e os apoios para se candidatarem.
(publicado no Democracia Liberal)


publicado por Jorge Ferreira às 14:43 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Ninguém se incomoda com a ditadura desta maioria. Só se incomodavam com a ditadura da outra maioria. Será que se habituaram? Será que gostam de levar?

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publicado por Jorge Ferreira às 10:29 | link do post | comentar

Sexta-feira, 18.05.07
"As pessoas (nas quais me incluo) não podem queixar-se do regime que temos. Foi o voto delas, o nosso voto, à esquerda e à direita, que moldou o regime. Não podemos, ao fim de 30 anos, protestar surpresa com coisas que nunca nos incomodaram, ou que nunca nos incomodaram o suficiente para forçar os partidos a legislar noutro sentido. " Eduardo Pitta, no Da Literatura.
E, acrescento eu, a experimentar novos partidos. Eis mais uma bela oprtunidade que se depara nas eleições para a Camara Municipal de Lisboa. Sempre estou para ver no que dá o fervor anti-sistémico.


publicado por Jorge Ferreira às 20:51 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 16.05.07
Repito o que escrevi na entrada 980: não tenho comentado nomes. E não vou comentar, até que apareça algum nome que o justifique. Mas já comento outra coisa. A excessiva circulação política entre vários serviços públicos que não soa aconselhável numa democracia a sério. O último exemplo é o de um político socialista da bolsa dos disponíveis que ciranda entre os serviços de informações, os tribunais, o Governo e as missões, o Governo, as missões, os tribunais e os serviços de informações. Vai e volta, volta e vai. Estas deslocações provocam correntes de ar nada aconselháveis à saúde da transparência política e da democracia. Bem sei que o país é pequeno e que Sócrates parece ter esgotado o campo de recrutamento para os cargos do Estado. Mas devia haver limites de bom senso, já que a Lei não prevê dos jurídicos. A sensação que se tem é que há demasiadas pessoas que deviam estar a recato político pelas funções que execerceram em determinados serviços, como os serviços de informações, que, ao invés, depois de por lá passarem sobem, sobem, sobem. É o que parece.


publicado por Jorge Ferreira às 16:46 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Não tenho comentado nomes. Sim, não tenho comentado nomes. Há nomes para comentar? Por favor, informem-me.

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publicado por Jorge Ferreira às 12:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 15.05.07
Fernando Seara deu a conhecer ao país que deu uma tampa política a Marques Mendes. "Por razões pessoais". Curioso: em Portugal os políticos que têm compromissos eleitorais invocam razões pessoais para recusar romper esses compromissos. Nunca invocam a razão mais óbvia, qual seja a de terem um compromisso político com os eleitores. Assim revelam o conceito que fazem desses pobres desgraçados. Nunca é por causa deles que decidem.


publicado por Jorge Ferreira às 12:55 | link do post | comentar

Quinta-feira, 26.04.07
Numa democracia normal a luta política e a oposição ao Governo deve fazer-se através de programas, ideias e propostas sobre a sociedade e a organização do Estado. Numa democracia doente e degradada, a luta política faz-se através da discussão dos comportamentos dos políticos.

No 34º aniversário do PS José Sócrates disse que o PS quer uma democracia decente. Ora, decência é tudo aquilo que o PS não tem mostrado ter nos últimos tempos de Governo e de maioria. A proclamação revelou uma hipocrisia política aguda e chocante. Ainda ontem Sócrates deu mais um sinal ético, ao considerar um exemplo de ética a atitude de Pina Moura abandonar os cargos políticos e partidários para ir controlar a TVI. Não ocorreu ao Primeiro-Ministro que acumular a representação da Nação no Parlamento, um órgão de soberania, com os interesses empresariais espanhóis da Iberdrola fosse um exemplo anti-ético ou uma indecência. Sócrates é muito selectivo em matéria ética.

Mas é José Sócrates o primeiro a agir assim? Infelizmente, não. Outros que o antecederam no poder foram pioneiros. Durão Barroso, Paulo Portas, só para lembrar alguns dos mais recentes, foram ilustres percursores. E estão todos no activo. O que (temos de ter capacidade para ver os factores positivos) é uma boa notícia para quem tem uma noção séria e elevada da política. Fica mais nítida a diferença.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)


publicado por Jorge Ferreira às 10:37 | link do post | comentar

JORGE FERREIRA
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