Terça-feira, 25.08.09

"Portugueses,

A situação que encontrámos nas contas públicas é muito mais grave do que a que julgávamos encontrar e que o Governo anterior, mentindo ao país, dizia existir. Tenho bem presente o compromisso que assumi com o país nas últimas eleições. Continuo determinada em consolidar as contas públicas para colocar Portugal no caminho do desenvolvimento e dar mais bem estar às famílias. É por isso que, a contra-gosto, o Governo terá de proceder a um ajustamento fiscal até a situação estar normalizada. Será um ajustamento transitório, apenas com o propósito de não criar mais dificuldades ao país e às gerações vindouras, no futuro. Estou certa que, apesar das dificuldades, todos compreenderão o esforço colectivo que nos é pedido. Para colher é preciso semear.

Conto com todos.

Boa noite"

Para evitar um discurso nocturno deste tipo num canal de televisão perto de nós, o do costume, o que todos os partidos gostam, é muito aconselhável a prudência. Mesmo muito.



publicado por Jorge Ferreira às 21:59 | link do post | comentar

Os partidos gastam demais, obscenamente demais, nas campanhas eleitorais. Não há campanhas grátis, mas um pouco de respeito pelas dificuldades dos portugueses não ficava mal.



publicado por Jorge Ferreira às 10:30 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Quinta-feira, 20.08.09

Depois da novela de mau gosto que esteve em exibição há um mês em prime-time, "O Caso Joana", os socialistas estrearam outra novela, intitulada "A Revolta Contra os Assessores de Belém". São sempre oportunidades para encher jornais com palavras e para reaparecerem actores desaparecidos em combate na longa noite das trevas socráticas. Uma espécie de canal venezuelano...



publicado por Jorge Ferreira às 08:56 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Sexta-feira, 14.08.09

José Sócrates, já se sabe, tem um jeitinho especial para escolher pessoas. Depois dos rios de tinta do episódio António Preto e outros, convém recordar que existem virtudes especialmente bem distribuídas entre Manuela e José. Vai daí, escolheu Carolina Patrocínio, neta de Vasco Vieira de Almeida (a propósito: o caso Freeport tem férias judiciais?...) para mandatária da juventude. O cargo vale nada, mas a pessoa pode revelar-se um desastre político. Para começar, decidiu mandar os assessores do mandante dar uma grande curva quando estes a procuraram na praia para dar um pulinho à apresentação do programa do PS. Deixou os assessores a falar para aquela voz irritante que nos aparece nos telemóveis quando eles estão desligados e a voz off nos manda voltar a tentar mais tarde. Agora, a menina, uma apresentadora de televisão da geração morangueira açucarada, transcendeu-se e disse numa entrevista que só come cerejas porque a sua empregada lhe tira os caroços das ditas. Eu acho bem. Com mais de meio milhão de desempregados, sabe bem saber que ainda há quem possa dar emprego a outras pessoas, nem que seja para tirar os caroços das frutas. Não deve haver nada pior para as unhas de gel do que o ácido e a glucose da fruta. Carolina está, pois, certa, empregando alguém para os caroços. Apenas espero que lhe paguem tão bem que lhe seja possível ir ali ao centro de emprego mais próximo e recrutar uma mão cheia de desempregados, para os quais me atrevo desde já a deixar aqui algumas sugestões: tirar os ossos da carne, as espinhas do peixe, as nódoas da roupa, arranjar as máquinas lá de casa, forrar sofás, escolher cortinados novos de três em três meses. Sócrates escolheu, assim, a Carolina certa para combater o desemprego. Desgraçadamente, porém, escolheu, novamente o patrocínio errado. Para umas eleições de um país que o próprio se encarregou, com insuperável método, de enviar direitinho para o fundo de um poço, não cai nada bem apresentar gente assim despreocupada e sem problemas na vida aos eleitores. Sobretudo aos eleitores jovens, que se desunham para ter professores de jeito, para ter emprego, para ter casa, enfim, para terem o singelo direito a comprar as suas próprias cerejas sem pedir dinheiro emprestado aos pais. Não são só os ministros que lhe saiem mal. Os mandatários também são um susto. Mas, ao menos desta vez, um susto com a sua piada. O Sócrates "queque" é o máximo.

 

(Cereja com caroço)



publicado por Jorge Ferreira às 18:04 | link do post | comentar

 

Ler aqui.



publicado por Jorge Ferreira às 15:12 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13.08.09

Eu já suspeitava que o PS não se preocupava comigo. Desde que o PS governa que estou mais pobre, tenho pior qualidade de vida e tenho menos esperança no futuro, que os danos são muitos e profundos. Mas, pelo menos, tenho uma consolação: o PS preocupa-se com os avós e com as crianças. É para eles o jornal de campanha do PS, sinistramente chamado Avançar Portugal. Eis a confirmação de que o PS não se preocupa comigo. Já não sou criança nenhuma e ainda não sou avô...



publicado por Jorge Ferreira às 13:01 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 12.08.09

"Gostava que as virgens ofendidas da política que encontramos hoje no PS e no SIMplex se lembrassem, quando falam das listas do PSD, que o seu candidato a Primeiro Ministro tem um track record em matéria de suspeição que faz parecer António Preto e Helena Lopes da Costa dois pastorinhos de Fátima."

 

Rodrigo Adão da Fonseca, no Jamais. Ou o velho provérbio português do "diz o roto ao nu que o aspecto é que conta"...



publicado por Jorge Ferreira às 12:09 | link do post | comentar

Se Manuela Ferreira Leite ganhar as eleições vou divertir-me a ver os críticos de hoje por causa de Passos Coelho, António Preto e tal contornarem as divergencias de "ontem" em nome do interesse nacional e da estabilidade governativa, institucional e tal e tal. Se perder as eleições vou divertir-me a ver os louvaminheiros de "ontem" a encher o curriculum com discordâncias atempadas e oportunas acerca das famosas listas que nunca lhes conheceramos até então. Vai começar a época do futebol...



publicado por Jorge Ferreira às 00:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 04.08.09

A renovação das listas do PSD propagandeada pelas fontes anónimas do PSD parece ser uma renovação para trás. Aparentemente estamos perante um regresso do cavaquismo recauchutado: Couto dos Santos, João de Deus Pinheiro, até Maria José Nogueira Pinto. Hum... não me parece bom prenúncio.



publicado por Jorge Ferreira às 16:29 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 02.08.09

Um novo blogue para discutir um Novo Rumo para um novo Portugal. Nasceu hoje, não tem partido e é o blogue da semana no Tomar Partido. O destque respectivo já está no sítio certo. A menos de dois meses de eleições legislativas é útil e necessário discutir tudo. Sem medo e sem amarras. Eu também vou andar por lá e dizer umas coisas. Para já comecei com o Circuito Aberto.



publicado por Jorge Ferreira às 23:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Se todos pensam que os partidos não respeitam os seus programas eleitorais quando chegam ao Governo, porquê tanta polémica sobre o facto de o PSD ainda não ter apresentado o seu? Sim, o PS já apresentou. E daí? Alguém continua a levar a sério o que o PS diz em campanha?... Interessa-me mais o que eles fazem do que o que eles dizem. Todos.



publicado por Jorge Ferreira às 13:15 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sábado, 01.08.09

Vi ontem na SIC Notícias uma cena em directo desta telenovela de mau gosto e, diria até, mal cheirosa. Mas no léxico de Paulo Campos, aprendi novo vocabulário: sinónimo de convidar: "indagar da possibilidade de"...



publicado por Jorge Ferreira às 14:35 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 31.07.09

Bem sabemos que a temperatura eleitoral dilata os corpos, incluindo naturalmente a parte do cérebro. À beira de eleições é mais provável ouvir disparates e ser surpreendido com as mais bizarras iniciativas. Desde ir ao notário formalizar promessas (e há notários que aceitam fazê-lo!...), até distribuir garrafas de vinho ou electrodomésticos, ou inaugurar curvas de estradas, como já sucedeu na Madeira, onde se combate pedagogicamente a concorrência eleitoral a tiros de caçadeira, já vimos de tudo. Ou melhor: julgávamos já ter visto de tudo.

 

Desta vez, confessemos, o PS surpreendeu. A nova promessa do partido que não cumpre as promessas é bem demonstrativa da forma como o PS desgoverna: ao lado dos problemas que não resolve, cria novos problemas para os outros resolverem.

 

O país assistiu, atónito, à explicação do porta-voz do PS explicar que o partido tinha decidido promover a natalidade atribuindo a cada bebé 200 euros, numa conta bancária aberta pelo Governo e que o bebé poderia movimentar apenas quando atingisse a maioridade.

 

Julgando promover a natalidade, o PS apenas inventou um excelente negócio para os bancos. O problema é que esse negócio é bom para os bancos, sim senhor, mas não promove natalidade coisíssima nenhuma. Os portugueses não têm mais filhos pela simples razão de que não só não têm dinheiro para os sustentar, como as políticas públicas, como a política fiscal, por exemplo, desincentivam a natalidade. Mas sobre isto, o PS, co-autor do problema, nada disse.

 

Nos países europeus que decidiram incentivar a natalidade com dinheiro fez-se assim: os Governos decidiram atribuir aos pais das crianças, naturalmente aos pais das crianças, que é quem sustenta as crianças caso os socialistas não tenham dado por isso, subsídios únicos de 2.550 euros em Espanha e 5.000 na Alemanha, por exemplo. Os socialistas de cá não fizeram por menos: em vez de atribuírem o subsídio aos pais ofereceram-no aos bancos durante 18 anos.

 

Dificilmente os bancos poderiam encontrar mais oportuno delegado de vendas do que um Governo do PS. O PS angaria os clientes logo no berço, transfere o numerário e permite os juros, por conta do recém-nascido. Um maná.

 

Se o PS, e os outros, estivessem realmente interessados numa política de incentivo à natalidade, melhor andariam de dessem ouvidos às propostas sensatas e oportunas da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas. Mas não. O subsídio está-lhes no sangue. Ainda que se enganem no destinatário e o entreguem aos bancos em vez de o entregarem a quem quer ter filhos e não pode.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

 



publicado por Jorge Ferreira às 10:02 | link do post | comentar

A próxima legislatura terá poderes constituintes. Um mandato transparente dos eleitores nas próximas eleições legislativas deveria ter em conta este facto. Mas para isso seria necessário que os partidos apresentassem as suas ideias sobre a futura revisão constitucional.

 

Como António Barreto já escreveu no Público, também eu acho que seria muito bom que os portugueses tivessem orgulho na sua Constituição. Mas não estou optimista. Para que isso acontecesse seria necessária uma nova Constituição e nenhuma força política acha necessária essa mudança. Todos estão satisfeitos com a Constituição que temos. Tem sido ela que tem permitido o essencial do funcionamento do Estado tal e qual o conhecemos, tal e qual já se percebeu que não serve.

 

Tendo a considerar que a Constituição devia ser um texto adoptado por todos os portugueses, o que obviamente pressupõe que fosse conhecido deles. Para isso a Constituição deveria ser o mínimo denominador comum entre todos, em vez de cada um querer lá ver descrito em intermináveis artigos, tão ignorados quanto não cumpridos, o seu programa de Governo.

 

Considero, há muito, que a Constituição impede a liberdade de escolha eleitoral dos portugueses, que a Constituição contém um programa de Governo ruinoso, que a Constituição se amarrou à história como se tivesse o poder de a aprisionar e nos manter eternamente a caminho do socialismo, que a Constituição regista um elevado grau de incumprimento sem sanção, que a Constituição divide os portugueses em vez de os unir, que não passa as mais das vezes de mais uma lei, ainda por cima fastidiosa e inutilmente longa.

 

Sei que os sacristães da Constituição vão dar voltas na cadeira, mas a Constituição de 1976 é muito mais parecida com a Constituição de 1933 do que aquilo que parece à primeira vista. Tem mais de romance do que de que de efectivo e operante Direito político.

 

A prática dos partidos “constitucionais” também tem contribuído para o descrédito constitucional. Basta pensar que a última revisão da Constituição foi feita para permitir o referendo sobre os tratados europeus e depois os partidos não deixaram fazer o referendo sobre o tratado europeu. Não é possível reconhecer credibilidade a um sistema destes.

 

Evidentemente que nada disto terá grandes alterações em breve. Basta dar uma vista de olhos à pré-campanha para o concluir. Ela segue paupérrima, refugiada em pormenores de proposta, do género subsídios aos bebés crescidos e pequenas traficâncias de listas, sem que se veja nos partidos do sistema vontade, interesse, sequer consciência do problema constitucional do país. Também concordo: seria exigir demais a esta geração dirigente. Não deixa de ser irónico que o único político que se debruça sobre este assunto nos dias que correm, evidentemente com motivações interesseiras, mas ainda assim discute o assunto, seja Alberto João Jardim. Está tudo dito…

 

A legislatura que se inicia no final deste ano terá poderes constituintes. Mas quer-me bem parecer que os portugueses irão votar sem saber o que cada partido propõe, se é que tem, as suas ideias para a revisão da Constituição. Votaremos às cegas. O que é sem dúvida cómodo para os partidos, que assim conservarão total liberdade de decisão para no momento que entenderem oportuno fazerem uma negociata constitucional. Será muito mau para a saúde do regime democrático porque aprofundará o divórcio entre eleitos e eleitores que corrói o nexo de representação essencial ao funcionamento de uma democracia digna desse nome.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



publicado por Jorge Ferreira às 10:01 | link do post | comentar

Quarta-feira, 29.07.09

As trapalhadas socialistas são infindáveis. Do inenarrável subsídio dos bébés às originalidades na formação das listas, o PS aí está, no seu máximo esplendor a convidar todos os portugueses a não votarem neles.



publicado por Jorge Ferreira às 20:03 | link do post | comentar

O PS desatou a derramar o bodo eleitoral aos pobres. Promessas, mais promessas, dinheiro para todos. Agora são 200 euros por cada bébé. Uns unhas de fome, é o que é. Acho que há Camaras que pagam mais.



publicado por Jorge Ferreira às 09:58 | link do post | comentar

Sexta-feira, 24.07.09

O pessoal do PSD decidiu responder ao pessoal do PS e vai daí graduaram a Papa Myzena das europeias em Jamais, cujo objectivo assumido é substituir Sócrates por Ferreira Leite já em Setembro. Ana Margarida Craveiro, Maria Isabel Goulão (a famosa Miss Pearls), Maria João Marques, André Abrantes Amaral, Joaquim Biancard, José Eduardo Martins, José Caetano Dias, José Gomes André, José Pacheco Pereira, João Gonçalves, João Villalobos, Manuel Pinheiro, Miguel Morgado, Miguel Noronha, Nuno Freitas, Nuno Gouveia, Paulo Cutileiro, Paulo Marcelo, Paulo, Rangel, Paulo Tunhas, Pedro Picoito, Pedro Vargas David, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Moreira Ramalho são os militantes.



publicado por Jorge Ferreira às 12:17 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 18.07.09

Para qualquer democracia que se preze, mesmo aquelas que só proíbem ditaduras de uma espécie e não de todas, ter pessoas que se sobressaltam, que intervêm, que dirijem até perguntas aos partidos, a todos, para não dar nas vistas e para não se poder pensar que na verdade só têm um certo partido em vista, é um privilégio... Mas lá está: durante quatro anos ninguém se lembra de fazer manifestos. À beirinha de eleições todos desatam a pensar. Era como se saíssem de uma espécie de hibernação cívica. Compreende-se: ser intelectual dá muito trabalho. Há que aproveitar as férias para uns extras. Assim saiem manifestos. De preferencia socialistas para dar um certo ar de movimento.



publicado por Jorge Ferreira às 11:56 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 15.07.09

"O candidato a deputado pelo movimento Missão Minho, Manuel Monteiro lamentou hoje que o Presidente da República e o Rei de Espanha venham a Braga inaugurar o Instituto Ibérico de Nanotecnologias, 'antes de estar concluído e a funcionar'. Em declarações à Lusa, Monteiro garantiu que o edifício pouco mais tem do que as paredes e algumas salas prontas, classificando de 'escândalo' e 'atentado à democracia' o acto inaugural marcado para sexta-feira, com a presença de Cavaco Silva e Juan Carlos, chefes de Estado dos dois países, e dos primeiros-ministros, José Luiz Zapatero e José Sócrates."
 

Correio do Minho.



publicado por Jorge Ferreira às 19:46 | link do post | comentar

Sexta-feira, 10.07.09

José Sócrates já definiu a sua agenda eleitoral. Num penoso jantar de fim de legislatura com o Grupo Parlamentar socialista, incluindo espantosamente Manuel Alegre na sua mesa, o líder do PS decretou que o combate eleitoral que se avizinha vai ser uma questão de atitude. Isso mesmo, atitude. Não, não se tratou de um discurso de Manuel João Vieira nem de Adolfo Luxúria Canibal, mas do Primeiro-Ministro em exercício, na versão líder do PS.

 

Quem pensava que se iriam discutir ideias, programas, soluções, responsabilidades, promessas e resultados, caminhos, desfaios, horizontes, o futuro do país, enfim, durante a campanha, desilude-se. Mais uma vez assistiremos a um desfile na passarelle entre os estilos, os perfis, a atitude. Este é o campo de eleição de Sócrates: a atitude, a imagem, o vazio. Adivinho que será a atitude feroz, que chama mentirosos aos deputados, versão mansa dos cornos exibidos pelo mimo Manuel Pinho.

 

Para Sócrates tudo não passará de uma escolha entre “quem tem confiança no país, vontade e ambição” e quem faz da “resignação, pessimismo e negativismo” uma “linha política”. Presumo que para Sócrates exibirá essas virtudes de “atitude” quem concordar com a sua governação falhada e não as terá quem tiver a ousadia de pensar e querer coisa diferente daquela que o PS tem feito nestes quatro anos e meio.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



publicado por Jorge Ferreira às 10:44 | link do post | comentar

Sexta-feira, 03.07.09

Este ano os portugueses vão ser chamados a votar por três vezes. Já voatram, pouco, aliás, para elegerem os deputados portugueses ao Parlamento Europeu. Vão votar em Setembro para elegerem 23º deputados à Assembleia da República e, finalmente, em Outubro, vão votar para os membros das câmaras municipais, metade dos membros das assembleias municipais e os membros das assembleias de freguesia onde não existem plenários de cidadãos eleitores. Por junto, para elegerem milhares de cidadãos para o exercício de funções de representação aos mais diversos níveis institucionais e políticos.

 

É, sem dúvida, uma boa ocasião para uma reflexão sobre a utilidade, a função, a realidade e a ficção desses actos nobres da democracia política portuguesa. Será que elegemos mesmo quem pensamos que elegemos quando votamos? Será que elegemos pessoas para funções com utilidade prática? Será que não elegemos gente a mais para o que se trata de fazer durante os respectivos mandatos? Será que não existem eleições escondidas por detrás das eleições formais previstas na Constituição e nas leis? Será que estas eleições devem continuar a fazer-se tal e qual se fazem?

 

Com a evolução constitucional, política e partidária da sociedade portuguesa, desde a implantação da democracia, as eleições legislativas perderam verdade e autenticidade. Hoje em dia, a verdade é esta: os portugueses quando votam nas eleições legislativas escolhem quem não estão a eleger e elegem quem não estão a escolher.

 

Quer dizer: escolhem o Primeiro-Ministro, que nos termos da Constituição não é eleito por sufrágio directo e universal, mas sim indigitado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos políticos e tendo em conta os resultados eleitorais; e elegem 230 deputados, cujo nome ignoram, cuja identidade lhes é estranha, cujo mandato lhes é indiferente e motivo de crítica, quando não puro desdém e que lhes são impostos em listas fechadas, decididas nos circuitos fechados dos partidos, que na Lei e na prática detêm o monopólio da escolha dos deputados.

 

Esta disfuncionalidade do sistema político é má para todos. É má para o Primeiro-Ministro, que recebe através da unção eleitoral um vínculo político insubstituível e que torna quase virtualmente impossível a escolha de Primeiros-Ministros sem a prova eleitoral das legislativas. É má para os deputados, que sentem que não têm compromisso com os eleitores, que sabem que ninguém lhes exigirá contas do que fizerem ou não fizerem e que nessa medida é profundamente desresponsabilizante. E é má para os eleitores que dificilmente reconhecem Primeiros-Ministros sem a prova do voto e que descrêem ainda mais da instituição parlamentar onde percebem que o seu voto pouco conta.

 

O que se passou na legislatura anterior veio pôr em evidencia esta realidade, até então disfarçada pelo facto de não terem existido crises políticas que a desnudassem.

 

Nas eleições legislativas de 2002 algum cidadão votou na coligação PSD/CDS? Não, porque esta coligação não concorreu às eleições. Concorreram o PSD e o CDS separadamente e sem que nenhum deles assumisse o compromisso prévio perante o eleitorado de fazerem uma coligação de Governo a seguir às eleições e sem tornarem claras as circunstâncias em que o fariam.

 

Num mero arranjo de poder, sem projecto comum e sem alma própria, o PSD e o CDS dividiram entre si os lugares de Governo. É constitucional? É. E respeita a vontade do eleitorado? Não.

 

Nas eleições legislativas, quem elegeu o povo? Os deputados que compõem o Parlamento. Escolheram o Governo? Não. Apenas escolheram o partido que haveria de ser chamado a formar Governo. Escolheram o Primeiro-Ministro? Não. Escolheram apenas o partido que haveria de ser chamado a indicar o Primeiro-Ministro. Isto é o que resulta da Constituição.

 

Mas, na prática, os cidadãos o que fazem hoje, em primeira instância, quando votam em eleições legislativas, é escolher o Primeiro-Ministro. Tanto assim que os partidos eleitoralmente mais representativos chegam sempre a um ponto do seu argumentário eleitoral em que colocam a questão de uma forma muito clara ao eleitorado: “o problema é muito simples: quem querem os portugueses para Primeiro-Ministro? Eu ou fulano de tal?”.

 

Cavaco Silva, Almeida Santos, Jorge Sampaio, António Guterres, Fernando Nogueira, Durão Barroso, Ferro Rodrigues, Santana Lopes e José Sócrates fizeram-no. E não serão certamente os últimos, a continuar este sistema tal e qual como está. Ao fazê-lo, atribuíram um novo significado às eleições legislativas, fazendo delas uma fonte directa de legitimidade pessoal e política. Na prática o nosso sistema de Governo assenta hoje numa bicefalia política com origem no voto directo que tanto elege o Primeiro-Ministro e o Presidente da República.

 

Com a partida de Durão Barroso, faz agora cinco anos, e a sucessiva nomeação de Santana Lopes, o Governo durou seis meses. Poderá sempre argumentar-se que Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República por razões que nada tiveram que ver com este problema. Mas a verdade também é que o Governo de Santana Lopes nasceu com o pecado original da falta dessa legitimidade eleitoral que blinda os Primeiros-Ministros perante o outro vértice com legitimidade directa do sistema de Governo que é o Presidente da República.

 

A actual situação política do país, em que se espera que não se repita uma maioria absoluta virá complicar ainda mais a vida constitucional. Parece que se tentarão repetir coligações não sufragadas pelo povo. E tudo continuará na mesma, com a agravante de um substancial agravamento da credibilidade dos políticos e da confiabilidade do sistema que ocorreu nos últimos anos por razões várias.

 

Por isso defendo que o regime precisa de uma grande volta. Uma volta presidencialista. Que um dia virá, quando o copo transbordar.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



publicado por Jorge Ferreira às 10:23 | link do post | comentar

Sábado, 27.06.09

Eleições legislativas são uma coisa. Eleições autárquicas são outra. Gosto especialmente de saber que o bom senso de Cavaco Silva se sobrepõe, por vezes, às suas convicções. Boa medida a de não fazer as duas eleições no mesmo dia.



publicado por Jorge Ferreira às 16:29 | link do post | comentar

Quarta-feira, 24.06.09

De vez em quando somos dados a profundos debates metafísicos sobre assuntos da maior importância para o quotidiano da Pátria. O debate em curso sobre as datas das eleições, ou seja, a questão de saber se são juntas ou separadas é um deles. Resumindo a polémica: para os partidos que julgam beneficiar do "efeito contágio do boletim de voto" elas devem ser simultaneas. Para os outros devem ser separadas. No meio, está o Sr. Presidente da República, que quando foi Primeiro-Ministro não foi propriamente um governante preocupado com a poupança e o desperdício do Estado, mas agora se revestiu de solenes vestes de despojamento e contenção. Digo eu: fazei as eleições quando quiserdes! O povo não é estúpido e sabe muito bem "deitar" em quem quer. Fazei à suiça ou à americana, dezenas de refendos no mesmo dia. Marcai um dia santo onde tudo se resolva, Presidente, deputados, autarcas e o mais que houver a eleger. Assim só se estragaria um dia e despachávamos a democracia por atacado. Poupai nas eleições o que desbarateis na Refer, em Alcochete, no TGV, nos ministérios, nas avenças e nas consultadorias, no betão e nos papéis, nos Magalhães, nos Simplex's, nos Planos, e em tudo. Agora, digo-vos: para preservar a genuinidade das eleições, não tenho dúvidas que a melhor solução é realizar cada eleição em sua data.



publicado por Jorge Ferreira às 10:55 | link do post | comentar

Sexta-feira, 22.05.09

 

O combate à corrupção é a bandeira do primeiro cartaz cartaz da campanha de Manuel Monteiro e do Movimento Missão Minho para as eleições legislativas. O ex-dirigente do CDS-PP e do Partido da Nova Democracia vai concorrer pelo distrito de Braga, apoiado pelo Movimento ‘Missão Minho’

 

(Foto)



publicado por Jorge Ferreira às 16:13 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 03.04.09

São manifestamente exageradas as notícias sobre a morte política de José Sócrates por causa do caso Freeport, apesar de todas as notícias e factos conhecidos até à data. Sabe-se que a memória é curta entre nós e as eleições ainda estão relativamente longe. Sabe-se também que quem tem o poder num país pequeno, sobretudo o poder absoluto e total como é presentemente o caso de José Sócrates (até no Eurojust!...) tem sempre uma enorme vantagem sobre os concorrentes. Acresce que o momento de profunda crise em que vivemos desmotiva o eleitorado conservador do centrão para arriscar aventuras ou desconhecidos.

 

Mas sabe-se, infelizmente, outra coisa ainda pior: é que se Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais foram reeleitos nas respectivas autarquias depois de tudo e tudo e tudo, por que razão Sócrates não o há-de ser também? É o mesmo povo, com a mesma cultura política…

 

José Sócrates poderá, assim, viajar do DCIAP para S. Bento, montado na sela de um inquérito inconclusivo, demorado, ineficiente e eventualmente prescrito. Transformará, talvez com ar pungido em teleponto de ocasião, essa gloriosa noite eleitoral o país numa mini-Venezuela, sem petróleo, mas com uma enorme pobreza social, digna de um personagem à altura do pior Hugo Chavez. E invocará, vitorioso, o julgamento eleitoral como sinónimo de absolvição criminal, como, aliás, de forma lamentavelmente terceiro-mundista já ensaiou no lamentável Congresso de Espinho, perante as palmas de um partido que é hoje apenas um mero simulacro do partido que era.

 

Num país em que existisse a famosa e, em si, salutar ética republicana, que o PS tanto gosta de invocar e não gosta nada de praticar, não só a questão já estaria resolvida, como seria o próprio José Sócrates a tomar a iniciativa de dar o lugar a outro até se resolver definitivamente o imbróglio. Mas como é cá, José Sócrates prefere que o país espere pela TVI às sextas-feiras para se distrair com as novas revelações do caso que o envolve, em vez de salvaguardar as instituições e afastar-se. Ao agir deste modo, Sócrates faz de Portugal, do PS e do Governo os seus reféns de luxo. O preço é muito alto.

 

A verdade é que as eleições legislativas estão em aberto.

 

Quanto à justiça, a investigação do caso Freeport tem-se  revelado um caso de terror. O país assiste, atónito ao funcionamento nu e cru da sua Justiça. Sobretudo quando as suspeitas incidem sobre quem tem poder.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



publicado por Jorge Ferreira às 00:12 | link do post | comentar

Quarta-feira, 01.04.09

 

A partir de hoje também colaboro no blogue que o Público criou para debater a enxurrada eleitoral deste ano. Quem quiser saber quem são os escribas todos é ler aqui.

" A partir de uma ideia de Carlos Santos, José Gomes André e o Nuno Gouveia que agregou por convite mais de 40 participantes, quase todos autores ou integrantes de outros Blogs, Paulo Querido e António Granado chamaram ao o Público um novo Blog, Eleições 2009, que pretende, na reunião de sensibilidades e cores políticas distribuídas geograficamente, fazer a cobertura das 3 campanhas eleitorais deste ano.

O Blog arranca com a participação de:

Alexandre Homem Cristo (sem blog), Ana Margarida Craveiro dos
31 da Armada e Delito de Opinião, Ana Matos Pires do Jugular, Ana Narciso do Vila Forte, Ana Paula Fitas dos a Nossa Candeia e Forum Palestina, André Freire do Ladrões de Bicicletas, António Granado do Ponto Media, António José Correia (sem blog), Bruno Gonçalves (sem blog), Carlos Manuel Castro dos Palavra Aberta e Câmara dos Comuns, Carlos Santos do o Valor das Ideias, Cipriano Justo (sem blog), Clara Pinto (sem blog), Daniel Rebelo (sem blog), Diogo Moreira do Loja de Ideias, Francisco Rocha Gonçalves (sem blog), Gabriel Silva do Blasfémias, Isabel Meirelles (sem blog), João Espinho do Praça da República, em Beja, João Ribeirinho Soares (sem blog), Jorge Assunção dos Delito de Opinião e Despertar da Mente, Jorge Ferreira do Tomar Partido, Jorge Vala do Vila Forte, José Guilherme Gusmão dos Ladrões de Bicicletas e Esquerda.net, José Manuel Faria do Ruptura Vizela, José Reis Santos do Loja de Ideias e Les Canards Libertaires, Luís Alberto Sousa do Vila Forte, Luís Malhó do Vila Forte, Luís Novaes Tito do a Barbearia do senhor Luís e Penduras, Manuel Meirinho (sem blog), Maria João Marques do Farmácia Central, O Cachimbo de Magritte e O Insurgente, Marta Rebelo do Babel, Natasha Nunes do Les Canards Libertaires, Nuno Ferreira da Silva (sem blog), Nuno Gouveia do O Cachimbo de Magritte e 31 da Armada, Palmira F. Silva do Jugular e De Rerum Natura, Paulo Querido do Certamente, Paulo Sousa do Vila Forte, Pedro Morgado do Avenida Central, Pedro Oliveira do Vila Forte, Pedro Pestana Bastos do O Cachimbo de Magritte,Rui Pedro Nascimento do Loja de Ideias, Rui Tavares do Rui Tavares, Tiago Azevedo Fernandes do a Baixa do Porto e TAF-Opinião, Vasco Campilho do 31 da Armada e Vasco Campilho, Virgílio Alves do Thomar Vrbe, Vitor Manuel Dias do Tempo das Cerejas.

Têm sido muitos os Blogs que já referenciaram este novo projecto pelo que, na impossibilidade de menção de cada um deixo, pela minha parte, um sincero agradecimento.

Contamos com a vossa presença e comentários sem os quais tudo isto não fará qualquer sentido.
LNT"

Este texto foi uma trabalheira do Luís Novaes Tito, que eu descaradamente reproduzo, para encurtar razões... (falso: é resultado de pura preguiça!).



publicado por Jorge Ferreira às 10:06 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Quinta-feira, 22.01.09

Parece que o PS anda desesperado pela antecipação das eleições, que lhe evitaria o assador da crise até Outubro. Quem conhece Cavaco sabe que ele não é atreito a mudanças de calendário e preza a célebre estabilidade. Mas há uma maneira do PS conseguir: basta o Governo demitir-se. Falta um motivo. Arranjar-se-á?



publicado por Jorge Ferreira às 19:59 | link do post | comentar | ver comentários (3)

JORGE FERREIRA
Novembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


ARQUIVOS

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

subscrever feeds
tags

efemérides(867)

borda d'água(850)

blogues(777)

josé sócrates(537)

ps(339)

psd(221)

cavaco silva(199)

pessoal(182)

justiça(180)

educação(150)

comunicação social(139)

política(137)

cds(126)

crise(121)

desporto(120)

cml(116)

futebol(111)

homónimos(110)

benfica(109)

governo(106)

união europeia(105)

corrupção(96)

freeport de alcochete(96)

pcp(93)

legislativas 2009(77)

direito(71)

nova democracia(70)

economia(68)

estado(66)

portugal(66)

livros(62)

aborto(60)

aveiro(60)

ota(59)

impostos(58)

bancos(55)

luís filipe menezes(55)

referendo europeu(54)

bloco de esquerda(51)

madeira(51)

manuela ferreira leite(51)

assembleia da república(50)

tomar(49)

ministério público(48)

europeias 2009(47)

autárquicas 2009(45)

pessoas(45)

tabaco(44)

paulo portas(43)

sindicatos(41)

despesa pública(40)

criminalidade(38)

eua(38)

santana lopes(38)

debate mensal(37)

lisboa(35)

tvnet(35)

farc(33)

mário lino(33)

teixeira dos santos(33)

financiamento partidário(32)

manuel monteiro(32)

marques mendes(30)

polícias(30)

bloco central(29)

partidos políticos(29)

alberto joão jardim(28)

autarquias(28)

orçamento do estado(28)

vital moreira(28)

sociedade(27)

terrorismo(27)

antónio costa(26)

universidade independente(26)

durão barroso(25)

homossexuais(25)

inquéritos parlamentares(25)

irlanda(25)

esquerda(24)

f. c. porto(24)

manuel alegre(24)

carmona rodrigues(23)

desemprego(23)

direita(23)

elites de portugal(23)

natal(23)

referendo(23)

apito dourado(22)

recordar é viver(22)

banco de portugal(21)

combustíveis(21)

música(21)

pinto monteiro(21)

bcp(20)

constituição(20)

liberdade(20)

saúde(19)

augusto santos silva(18)

cia(18)

luís amado(18)

todas as tags