O facto de o F. C. do Porto não poder jogar nas competições europeias durante um ano que seja é uma decisão que tem um significado e um impacto social, desportivo e económico que não se pode iludir, por maior que seja a ridícula vitimização em curso por parte dos responsáveis do clube.
Desde já quero sublinhar que existem no F. C. do Porto pessoas equilibradas e ponderadas que recusam o estatuto até agora compensador de “yes man”. Rui Moreira é um exemplo de adepto lúcido que não alinha em rebanhos e que mesmo relativamente ao clube de que é adepto põe o dedo na ferida.
Mas o mais importante é o problema ético. Por mais voltas que se dêem não pode valer tudo no desporto, por mais industrializado que ele seja. A ética desportiva não pode ser sistematicamente posta em causa por quem é responsável por milhões de euros de receitas e de acções e, sobretudo, por espectáculos de paixões e de multidões.
Esta história do apito veio provocar a implosão do mito. Do mito de que Pinto da Costa é o dirigente desportivo exemplar e infalível. Do mito de que o F. C. do Porto é uma máquina desportiva, logística, administrativa e jurídica imbatível. O mito de que a estratégia de afrontamento sistemático de todas as forças terrenas e celestiais, maquiavélica e conspiratoriamente unidas para prejudicar o Porto é a melhor estratégia para a afirmação do clube. O mito, enfim, de que Pinto da Costa é o líder intocável que tudo se pode permitir sem consequência nem sanção.
A verdade é que a responsabilidade do que está a suceder ao F. C. do Porto é do seu presidente. Numa empresa normal ninguém admitira que o seu CEO misturasse tanto a vida pessoal com a vida da empresa, prejudicando tão profundamente a empresa. Numa empresa normal, como deveria ser uma SAD, mas não é, os accionistas já teriam um substituto. Nos últimos tempos, os sucessos desportivos têm escondido uma série de erros de gestão que agora se revelam em toda a sua plenitude e que culminaram na incrível (incrível face à estratégia e ao discurso oficial do clube e de Pinto da Costa) decisão de não recorrer da decisão que condenou o clube.
Embora não seja costume a UEFA recuar nas suas decisões, a verdade é que a decisão de afastar o F. C. do Porto das competições europeias ainda não é irreversível. Aguardemos, pois pela decisão final. Mas, ainda que a decisão agora tomada venha a ser alterada, o mal principal está feito e esse é, sim, irreversível. A mancha da imagem e da reputação do clube e por arrasto do futebol português. O que parece também não ter sido devidamente compreendido pelos responsáveis do F. C. do Porto. Subsiste o mesmo estilo e a mesma arrogância, que os factos apenas já tornam patética. Com a agravante de que até os jornalistas já se “atrevem” ao heroísmo de fazer verdadeiras perguntas a Pinto da Costa nas entrevistas, como sucedeu, vejam lá o desaforo, esta semana na SIC.
Para a história resta acrescentar, sublinhe-se, com ironia, para que não haja mal entendidos, que a culpa de tudo isto é apenas … do Benfica. Tudo mesmo: Carolina Salgado, Augusto Duarte, Jacinto Paixão, a fruta, os pomares, Maria José Morgado, o Ministério Público, a Liga, é tudo uma invenção do Benfica. O contrário é, obviamente, mentira.
Só mais uma coisa: como benfiquista não será com prazer desportivo que verei o meu clube disputar a próxima Liga dos Campeões. Era bom que houvesse um Presidente do Benfica que tivesse o golpe de asa de dar uma enorme bofetada de luva branca neste sistema de podridão desportiva em que temos vivido nos últimos anos e dissesse que apenas inscreveria o clube na Taça UEFA, já que esse foi o único direito desportivo que o clube conquistou na última época.
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