Sábado, 22 de Março de 2008
Do Grupo de Amigos de Olivença recebi esta nota que julgo relevante dar a conhecer.

CHEGOU A ALTURA DE RESOLVER A QUESTÃO DE OLIVENÇA
José Loureiro dos Santos

O contexto estratégico conjuntural que originou o Tratado de Badajoz de 1801, pelo qual Olivença passou paras a soberania espanhola, não se modificara integralmente em 1815, quando a devolução de Olivença a Portugal foi determinada pelo Tratado de Viena. A relação de forças na Europa da Época não ordenou de modo peremptório e imediato essa devolução, remetendo-a para quando Portugal e Espanha considerassem oportuno - o que significava, de facto, submeter a resolução do problema ao entendimento Portugal-Espanha, logo aos objectivos nacionais de cada país e às tensões estratégicas correspondentes. A definição do momento oportuno, se não fosse efectuada por potências extrapeninsulares, teria de ser proposta por Portugal a uma Espanha da qual, naturalmente, nunca partiria a iniciativa. Para Portugal, o momento oportuno teria de coincidir com uma "oportunidade estratégica" favorável. Na altura do regime da ditadura, foi dito não ser oportuno levantar o problema.
Aqui reside o cerne do problema. Findos os acontecimentos que envolveram os dois Estados nas guerras napoleónicas e seus desenvolvimentos, a relação de forças europeias e mundiais nunca deixou de se traduzir, para a península, numa lógica de conflito e confrontação. Por trás do comportamento pacífico e amistoso entre os dois Estados, havia sempre a percepção, por cada um deles, que a existência do outro constituía uma ameaça. Ou porque poderia servir de cais de desembarque e base de ataque para forças poderosas que visassem a Espanha e/ou foco de contaminação política que fizesse perigar o seu regime (absolutista, liberal ou monárquico). Ou porque representava uma ameaça existencial para Portugal e/ou também poderia contaminar negativamente o seu regime.
Esta lógica de confrontação teve situações mais agudas e outras menos, mas nunca deixou de existir. A percepção dos responsáveis políticos portugueses ao longo dos séculos XIX e XX, até à guerra fria, foi sempre a de que tudo deveria ser feito para evitar uma crise aberta com a Espanha, pois tinham consciência de que a lógica de conflito existente entre os dois países se poderia transformar num confronto aberto muito desfavorável a Portugal. Confronto aberto que até poderia ser convenientemente provocado pelos governantes espanhóis, para fazerem esquecer os graves problemas internos que os seus súbditos sentiam, bem como os efeitos deletérios dos traumas causados pelos enormes abalos nacionais que afectaram Espanha.
Dentro desta lógica de confronto, tornava-se quase impossível alterar as relações de forças de modo a surgir uma oportunidade estratégica que nos permitisse procurar resolver a questão de Olivença junto dos espanhóis.
A lógica de confronto, embora atenuada pela natureza dos regimes então vigentes, não terminou durante a guerra fria. Só viriam a surgir modificações, e profundas, com a democratização dos dois vizinhos peninsulares, a queda do Muro de Berlim e, principalmente, com a globalização, o mercado comum europeu e, acima de tudo, com o estabelecimento do espaço Shengen. Estas novas linhas de força tiveram como resultado uma alteração profunda no contexto estratégico do relacionamento peninsular. Não porque surgiram desequilíbrios que nos fossem favoráveis em termos de confronto, mas precisamente pelo congelamento da lógica de confronto e a sua substituição por uma lógica de cooperação/competição.
A abertura de fronteiras e a liberdade de movimentos de pessoas, bens e ideias entre os dois países fizeram com que as regiões homogéneas naturais da península, todas periféricas, se tivessem aproximado, como que desafiando o centro peninsular - a despeito das fronteiras administrativas e políticas. Na Espanha, foram reconstituindo uma configuração multipolar em termos económicos, com as regiões periféricas a tentar "conquistar" poder político a Madrid, interagindo umas com as outras e também com Portugal, que além de região económica é um país soberano. Esta situação multipolar, num contexto de uma lógica de cooperação/competição, favorece Portugal, pois, de todas as regiões peninsulares com ligações a um centro de poder afastado (Bruxelas), é a única cuja independência lhe permite relacionar-se com o Governo espanhol no mesmo patamar político. Todas as restantes terão de sujeitar-se às orientações de Madrid.
Finalmente, esta lógica de cooperação/competição que caracteriza as nossas relações com a Espanha permitiu o aparecimento da oportunidade estratégica para que os dois países - amigos, aliados, que não encaram o outro como ameaça - resolvam a questão de Olivença. E para que Portugal possa tomar a iniciativa de abrir o diálogo.
É pôr fim a um contencioso que pode funcionar como um foco de potencial atrito e de conflito em situações de maior tensão entre as posições dos dois países. Lembremo-nos de que a História não acabou. Há muita História no futuro. Um futuro incerto e, provavelmente, muito perigoso. É avisado acautelarmo-nos. Olivença é um problema que se pode agravar, mas podemos fazer dele um pólo de atenuação de tensões entre os Estados peninsulares.
Não deve ser ignorada a realidade actual de Olivença, criada nos últimos dois séculos pela administração espanhola. Uma realidade que já não é sustentada apenas em elementos identitários lusitanos, mas em que persistem muitos deles. Olivença constitui uma micro-região, com características distintivas em relação aos espanhóis, mas também aos portugueses. Foi como se, na zona raiana, tivesse aparecido um elo de ligação entre os dois povos, semelhante a ambos mas deles diferenciado.
Para a solução desta questão são de afastar posições radicais, sem recuo e sem condições, antes recorrer-se a uma abordagem gradual e "soft", com a tónica na cultura: considerar a hipótese de permitir que os oliventinos escolham a dupla nacionalidade, autorizar o ensino da língua portuguesa por professores destacados por Portugal, além do castelhano já obrigatório, não proibindo o uso do português no espaço público, estabelecer uma delegação que promova a cultura portuguesa. Admitir mesmo a hipótese de se chegar a uma soberania partilhada sobre Olivença, como região especial e exemplo de amizade e cooperação entre os dois países, que, numa fase inicial, poderia assumir vínculos políticos mais fortes com Espanha do que com Portugal.

José Loureiro dos Santos
«General»

Nota: Este texto constitui a súmula da apresentação do livro de Ana Paula Fitas "Juromenha e Olivença, Uma História por Contar" das Edições Colibri, a publicar na íntegra no próximo número da "Revista dos Negócios Estrangeiros".

Jornal Público, Sexta-feira, 14 Março 2008.

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Estado perde 108 milhões de impostos com tabaco. É bem feita!

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Sexta-feira, 21 de Março de 2008
Galvão de Melo não era um homem qualquer. Tive o privilégio de privar algumas vezes com o General já na década de noventa. Guardava a chama que fez dele um dos resistentes ao comunismo em 1975. Sem papas na língua, não perdia tempo com sinecuras nem com salamaleques tão do agrado dos cotesãos que nos governam. Portugal, a democracia e a liberdade que hoje damos por adquirida devem-lhe muito. Sempre que falei com ele, aprendi. Muito oportuna esta evocação parlamentar de João Miranda no Blasfémias.

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Em 1915, esta é a data provável para o lançamento, em Lisboa, do primeiro número da revista Orpheu, fundada por Luís de Montalvor, Fernando Pessoa e o poeta brasileiro Ronaldo de Carvalho. Em 1950, o chanceler alemão federal, Konrad Adenauer, propunha a união económica entre a França e o seu país. Em 1960, eram massacrados 57 manifestantes negros em Sharpeville e Windhoest, África do Sul, gerando a primeira onda internacional de protestos à política de apartheid. Os acontecimentos são assinalados com o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, proclamado pela ONU. Em 1991, o Tribunal de Monsanto condenava Pedro Grilo a 12 anos de prisão, pela morte do dirigente do PSR José Carvalho, em 1989. Em 1993, era aberto ao público o Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Em 1999, morriam Tomás Ribas, divulgador da dança, e o teólogo francês Jean Guitton, com 98 anos. Em 2005, o Programa do XVII Governo Constitucional era apresentado no Parlamento.

(Capa do primeiro número da Orpheu)


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É Sexta-feira, 21 de Março, octogésimo primeiro dia do ano. Hoje assinalam-se o Dia Mundial da Floresta, o Dia Mundial da Poesia, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, o Dia Mundial do Sono e o Dia Nacional da Árvore. Faltam 285 dias para o final de 2008. Hoje é Sexta-feira Santa. O dia é dedicado à morte de S. Bento, patrono da Europa. É Lua Cheia às 18:40. O Sol nasce às 06:38 e o ocaso regista-se às 18:50. No porto de Lisboa, a preia-mar verifica-se às 03:01 e 15:20, a baixa-mar às 08:52 e 21:03. Carneiro é o signo dos nascidos nesta data, destacando-se o compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685), o poeta alemão Jean Paul (1760), o compositor russo Modest Mussorgsky (1839), o caricaturista português Rafael Bordalo Pinheiro (1846), o produtor teatral Florenz Ziegfeld (1869), o violinista Arthur Grumiaux (1921), os actores Timothy Dalton (1946) e Gary Oldman (1958), o condutor Ayrton Senna (1960), o futebolista Ronaldinho (1980).


publicado por Jorge Ferreira às 19:38 | link do post | comentar

Em democracia a oposição é tão importante como o Governo. Existe entre nós uma dúvida clássica sobre se a melhor estratégia a adoptar é estar sentado à espera que o poder caia no colo, ou fazer política de forma combativa, mostrando alternativas. Existe também entre nós a ideia que não é a oposição que ganha eleições mas sim o partido do poder que as perde. A história, salvo o exemplo atípico do Governo Santana Lopes/Paulo Portas (o único exemplo de Governo directamente derrotado nas urnas), parece dar razão a esta tese.

Na verdade, Cavaco Silva ganhou em 1985 não a Mário Soares, então Primeiro-Ministro, mas a Almeida Santos. Ninguém sabe qual teria sido o resultado se fosse Mário Soares o “candidato” a Primeiro-Ministro do PS de então. António Guterres, em 1995 também não ganhou a Cavaco Silva, mas a Fernando Nogueira. Ninguém sabe qual teria sido o resultado se fosse Cavaco Silva o “candidato” a Primeiro-Ministro do PSD de então. Durão Barroso também não ganhou em 2002 a António Guterres, mas a Ferro Rodrigues. Ninguém sabe qual teria sido o resultado se fosse António Guterres o “candidato” a Primeiro-Ministro do PS de então.

Parece indiciar-se assim que se Sócrates se candidatar outra vez, não há oposição que valha. Parece. O clima que se vive faz lembrar o de 1991. Então também o país publicado era da oposição e o país real não só votou outra vez cavaco Silva, como lhe ampliou a maioria. Mas para mudar as regras basta uma primeira vez. Como bastou em 1987, quando Cavaco Silva obteve a primeira e até então considerada impossível no nosso sistema eleitoral, maioria absoluta de um só partido.

Só que para que essa regra possa mudar é necessário que várias condições se reúnam e uma delas é ter uma oposição credível. Coisa que em Portugal, neste momento, cumpre reconhecer que não existe.

O PS invadiu o eleitorado do centro-direita. Por sua vez, o PSD e o CDS não aprenderam nada com a humilhação eleitoral de 2005 e repetem na primeira fila os mesmos protagonistas que então se estatelaram na maioria absoluta de Sócrates, por sinal, a primeira do PS.

Resultado: a oposição é hoje o PCP, que cavalga a rua, acolitado por um Bloco de Esquerda repetitivo e sem frescura. Evidentemente que uma coisa é liderar politicamente a oposição, outra bem diferente é ter hipóteses de ganhar eleições. O PCP nunca as ganhará.

Do lado direito o cenário é desastroso. Luís Filipe Menezes irá certamente disputar as eleições. O PSD não tem hoje projecto, programa ou credibilidade próprias, enquanto a oposição interna a Menezes se delicia a discutir a cor de fundo do emblema, as setas e as quotas. Quanto ao CDS transformou-se de um partido num caso de polícia. Suceder-lhe-á no país o que lhe aconteceu em Lisboa.

Isto, claro, a não ser que a situação económica internacional, de que ninguém fala em Portugal, tenha um impacto devastador na situação económica e social do país. E aí, seja Menezes, seja um totem que esteja na cadeira da S. Caetano à Lapa, o poder muda mesmo. O que seria um novo desastre anunciado com este PSD e com este CDS.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

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A China, é a resposta. Não gosto de ver o desporto misturado com a política. Embora não seja difícil de perceber que as grandes competições desportivas internacionais são, nos tempos contemporâneos, um fenómeno de soberania e de poder entre os Estados.

A invasão soviética do Afeganistão determinou o boicote do Ocidente aos Jogos Olímpicos de Moscovo de 1980, devidamente retaliado, aliás, pelo boicote do império soviético de então aos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984. Duvido seriamente da eficácia destes boicotes. Nem um nem outro provocaram o efeito pretendido. A URSS não saiu do Afeganistão por causa do boicote, mas apenas dizimada pela resistência. O Ocidente está na mesma e nem outro efeito o boicote soviético poderia ter já que de uma mera vingança se tratou.

Perante a ocupação do Tibete o que tem feito o mesmíssimo Ocidente que boicotou os Jogos Olímpicos de Moscovo? Tem pedido moderação à China, como a inenarrável ONU. Não é crível que venha a optar pelo boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim. A bem do desporto, mas, sejamos sérios, sobretudo a bem dos negócios. Os desgraçados dos tibetanos que ainda estão vivos que se aguentem.

Kosovo? Timor? Ah, mas aí havia outros interesses estratégicos. No Tibete, para desgraça dos monges, há pessoas e montanhas. Nem a esquerda lhe vale, obcecada que está com o Iraque, com Bush, com Hillary e com a obamologia. Resta como possibilidade a persistência diplomática e o abandono da diplomacia agachada perante Pequim. Aceitam-se voluntários.

(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008
Galga o país o video sobre o que se passou numa sala de aula do Carolina Michaelis de Vasconcelos, no Porto. Primeiro: não entendo por que razão os jovens hão-de poder levar telemóveis para as salas de aula. Segundo: foi no Porto, não num reduto de subúrbio, daqueles onde a maldade lusitana gera gangs de ladrões e de assassinos. Terceiro: não são pequenotes traumatizados pela sociologia da família, da pobreza ou da conflitualidade familiar. Quarto: o video, sejamos francos, não surpreende ninguém. Há muito que a disciplina e o respeito pelo professor são tidos pelos especialistas da deseducação como valores reaccionários e salazaristas. Não surpreende de facto. A verdade politicamente incorrecta é que esses especialistas da deseducação é que mereciam que lhes saísse pela frente um bando de energúmenos desta estirpe na sala de aula. Agora, apesar de não surpreender, dá para perceber o estupor de país que andamos a fabricar.


publicado por Jorge Ferreira às 20:34 | link do post | comentar | ver comentários (2)

"Mas, agora que posso, tenho que comecar a falar. Devem saber o que se passa no Tibete... O que vos posso dizer eh que tudo eh muito mais violento do que mostram na televisao. Foi muito muito violento. Para os tibetanos vai ser um massacre. Nunca vamos saber quantos morreram ou morrerao. Para nos, alem de violento psicologicamente, foi mais perigoso porque acabou por se saber que fomos os dois (eu e o Miguel) as unicas testemunhas do principio de tudo (no mosteiro de Drepung, onde estavamos no dia 10 de Marco, por acaso)."

Excerto de um email publicado por Luís Carmelo, no Miniscente.


publicado por Jorge Ferreira às 18:32 | link do post | comentar

Rui Gomes da Silva concordou com o conselho de Marcelo Rebelo de Sousa quanto à necessidade dos sociais-democratas conquistarem o eleitorado centro-esquerda. Teme-se o pior. depois do namoro do PSD com a FENPROF, espera-se a todo o momento que os TSD adiram à CGTP, que o Povo Livre mude o nome para Avante Livre e e que o laranja escureça um bocadinha na seta recauchutada. No próximo Conselho Nacional passará a ser obrigatório o tratamento por camarada em vez do tradicional companheiro. O veneno político de Marcelo encontra assim apoio onde menos se esperaria. A única esperança para os laranjinhas de origem é que Gomes da Silva aceite o contraditório interno, em nome das gloriosas polémicas do passado ...


publicado por Jorge Ferreira às 17:20 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Agrada-me que o Presidente da República não tenha espaço na sua agenda para estar presente na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. E estou na expectativa quanto à agenda do Governo. Atendendo a que o Partido Comunista chinês foi convidado do último Congresso do PS, atendendo à diplomacia medrosa e agachada que domina as Necessidades, não me admirava nada de ver Sócrates a fazer jogging na Praça Tianamen ou, quiçá, em Lhasa.


publicado por Jorge Ferreira às 16:30 | link do post | comentar

Reina o maior silêncio dos responsáveis políticos portugueses sobre a crise financeira mundial, que teve o seu epicentro no crédito hipotecário norte-americano.

Sócrates não quer falar de dificuldades, já que no horizonte tem umas eleições legislativas para ganhar e sabe de antemão que o eleitorado não gosta de más notícias. Já lhe basta ter de justificar avanços e recuos consoante a rua lhe dita.

Cavaco Silva, economista gabado, político consabidamente prudente e com aquele sentido de equilíbrio, convergência, cooperação ou assessoria institucional, consoante os casos, que o caracteriza, guarda de Conrado o prudente silêncio.

A oposição, entretida com quotas e com o fundo azul, o PSD e investigações criminais, o CDS, não diz uma palavra, não exige um esclarecimento, não propõe uma medida para nos prepararmos para o impacto da crise.

Os investidores, preocupados, regressam ao ouro, o eterno ouro, que assim vê também os seus preços subirem face ao aumento da procura. A moeda perde a confiança do mercado, debilitando-se como meio de riqueza. O que é paradoxal, face à inaudita valorização do euro face ao dólar.

As notícias, essas desmancha-prazeres, é que não páram. O petróleo a subir desmesuradamente, o euro sempre a galgar o dólar, as imobiliárias sem trabalho (só em Espanha o ano passado metade delas fecharam), o custo do dinheiro a aumentar (o que será dos bancos no dia em que tiverem nas mãos milhares de casas para vender devido ao incumprimento dos empréstimos? E a quem venderão?).

Isto tem um nome: crise. A palavra proibida. Uma crise que, talvez pela sua origem, afinal de contas parece ter começado no longínquo Ohio, onde, pasme-se!, não há só primárias para a Casa Branca, mas também economia, parece estar longe e não nos afectar. É talvez essa a ilusão dos grandiloquentes políticos domésticos.

Esta semana chegou o atestado de veracidade da crise que faltava. Aquela de que ninguém falava, foi finalmente reconhecida e falada. "A actual crise financeira nos Estados Unidos vai ser verdadeiramente considerada como a mais grave desde o fim da Segunda Guerra Mundial". A frase é de Alan Greenspan, que esteve à frente da Reserva Federal americana de 1987 a 2006.

As declarações de Greenspan geraram compreensivelmente inúmeras reacções políticas um pouco por todo o lado, incluindo na União Europeia. Excepto em Portugal. Por cá, faz-se de conta que a crise não existe. Apesar da magreza dos indicadores económicos, o discurso oficial do Governo é fazer de conta que estamos imunes à crise e no caminho certo. Entretanto, o Governo prepara-se para montar grandes operações financeiras necessárias à construção do novo aeroporto e do TGV. Se a crise durar, é legítimo perguntar qual o impacto que ela terá nesses investimentos. Mas também sobre isso, o Governo, nada diz. Os Governos, afinal, não se fizeram para grandes trabalheiras.

(publicado na edição de hoje do Semanário)
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Em 1792, morria, em Roma, o escritor e pedagogo português Luís António Verney, autor de "O Verdadeiro Método de Estudar". Em 1888, o teatro Baquet, no Porto, era destruído por um incêndio. Em 1852, era publicado, nos EUA, o romance anti-esclavagista "A Cabana do Pai Tomás", de Harriet Beecher. Em 1956, a França reconhecia a independência da Tunísia, sob a presidência de Habib Bourguiba. Em 1981, o sindicato polaco Solidariedade respondia ao espancamento policial de 23 activistas declarando uma greve nacional de alerta. Em 1988, o Irão acusava o Iraque de ter utilizado armas químicas para matar 5.000 curdos. Em 1989, morria a actriz brasileira Dina Sfat, 50 anos. Em 1990, após 115 anos de administração colonial, era proclamada a independência da Namíbia, com Sam Nujoma por Chefe de Estado. Em 1992, 7.500 intelectuais de 43 países encetavam um movimento de protesto contra a situação vivida em Timor. Em 1955, o metropolitano de Tóquio era atacado com gás sarin, matando dez pessoas e afectando mais de três mil. O atentado seria atribuído à seita Aum. Em 2003, começava a Guerra do Iraque, às 02:35, com os primeiros bombardeamentos da capital iraquiana. Em 2006, Cavaco Silva promulgava o primeiro diploma do mandato presidencial, relativo ao alinhamento do Ensino Superior português com o Processo de Bolonha. O Museu da Língua Portuguesa era inaugurado em São Paulo. E o locutor e realizador de rádio José Ramos, 51 anos, morria em Lisboa.

(O Verdadeiro Método de Estudar)


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Hoje é Quinta-feira, 20 de Março, octogésimo dia do ano. Faltam 286 dias para o final de 2008. Este é o primeiro dia de Primavera. O Equinócio de Março ocorreu às 05:48. A Primavera estender-se-á até 21 de Junho, às 00:59, hora do Solstício de Verão. O dia é dedicado ao Beato Remígio de Estrasburgo, bispo e confessor. A Lua encaminha-se para a Fase Plena. Lua Cheia, dia 21, às 18:40. O Sol nasce às 06:40 e o ocaso regista-se às 18:49. No porto de Lisboa, a preia-mar verifica-se às 02:23 e 11:45, a baixa-mar às 08:19 e 20:30. Carneiro é o signo dos nascidos nesta data, destacando-se o poeta latino Ovídio (43 a.C.), o físico britânico Isaac Newton (1727), o poeta alemão Friedrich Holderlin (1770), o dramaturgo norueguês Henryk Ibsen (1828), o compositor russo Sergei Rachmaninov (1873), o tenor Beniaminio Gigli (1890), o actor Michael Redgrave (1908), o pianista Sviatoslav Richter (1915), o cineasta Carl Reiner (1922), o actor William Hurt (1950), o actor e realizador Spike Lee (1957), a actriz Holly Hunter (1958), a cantora Tracy Chapman (1964).

(Ovídio)


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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Irresistível esta leitura do Decálogo do Bom Esquerdista Contemporâneo, do Pedro Correia.


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Há duas dimensões na política concreta: o das ideias e a dos feitios. Podia chamar-lhe também o plano do carácter, mas em Portugal corria o risco de ser mal interpretado. Fiquemos, pois, pelo plano dos feitios. E neste plano, gosto de Merkel. Anoto duas atitudes: a primeira quando recebeu o Dalai Lama, a segunda quando esta semana pediu perdão em alemão, no Knesset, pelo Holocausto. Fez-me lembrar algumas miniaturas políticas que pululam, vergando-se aos gigantes, agigantando-se sobre os fracos e provincianamente falando sempre em estrangeiro no estrangeiro, quando não mesmo no seu próprio país, confundido política, Estado e bem receber com os serões à lareira lá de casa. Dito de outra maneira: primeiro, há espaço mesmo na geopolítica dos interesses para os valores, por pouco que seja e um passado de um país, mesmo que seja uma vergonha, é um passado de um país e é inteiro, mesmo no uso da língua, que esse país deve reconhecê-lo e, se fôr o caso, arrepender-se.

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Concentração e Vigília em frente à Embaixada da República Popular da China, 4ª feira, 19 de Março, a partir das 19h (R. São Caetano, 2, Lisboa, à Lapa). Perante os graves acontecimentos que ocorrem em Lhasa e noutros pontos do Tibete, em que já perderam a vida mais de 100 pessoas, só possíveis devido a quase 60 anos de brutal ocupação, opressão e violação dos direitos humanos por parte do governo chinês, convocamos todos para uma concentração e vigília de solidariedade com o povo tibetano, a favor do fim da repressão e da violência e do respeito pelos direitos humanos no Tibete. Apelamos a todos os órgãos de comunicação social que nos ajudem a divulgar esta iniciativa e a todas as organizações cívicas e humanitárias que se juntem a nós. Quando os governos, as Nações Unidas e os poderosos deste mundo permanecem indiferentes, desprezando as causas humanitárias em prol dos interesses económicos, cabe aos cidadãos indignarem-se e solidarizarem-se com os seres humanos como nós, que estão a ser violentados e oprimidos. Exijamos do nosso governo, que exorte a comunidade internacional a mobilizar-se. Recordamos que está on line uma Petição para que a Assembleia da República aprove, de acordo com os princípios fundamentais consagrados na Constituição da República Portuguesa, uma moção de censura à sistemática violação dos Direitos Humanos e das Liberdades Política e Religiosa no Tibete, por parte do Governo Chinês. Esta petição já excedeu numa semana as 1600 subscrições e, com a ajuda de todos, chegará às 4000, o que tornará obrigatória a sua discussão na Assembleia da República.

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(Via Eclético)


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publicado por Jorge Ferreira às 12:03 | link do post | comentar

"Quando cheguei ao partido, o 'falecido' Manuel Monteiro deixou-nos um vencimento de uma letra de dez mil contos e processos de execução", disse Abel Pinheiro ao "Expresso". Além da grosseria e da baixeza dos termos utilizados, as afirmações de Abel Pinheiro são literalmente inaceitáveis porque falsas. Uma coisa que Abel Pinheiro não herdou de certeza foram donativos de dinheiro suspeitos em nome de pessoas inventadas, nem nunca nas Direcções de Manuel Monteiro se levantaram suspeitas sobre sobreiros, submarinos, helicópteros e casinos. É uma pena ver Abel Pinheiro, pessoa que respeito, metido nestas embrulhadas. Escusava era de se meter por caminhos esconsos. Quem tem de prestar contas à Justiça não é certamente Manuel Monteiro. Já o meu amigo Manuel Monteiro anda distraidote. Pediu a Portas um desmentido das afirmações de Abel Pinheiro se "é um homem de honra". Bem pode esperar sentado pelo desmentido...


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Vai bem com a quadra. Parece que Cristo desceu à Terra. Pelo menos para dar umas voltas.


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Uma greve hoje e amanhã já não é um fim de semana prolongado. São férias. Assim continua o movimento sindical às cavalitas do calendário.


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Hoje, em directo, às 21.15 horas, na TVNET, eu e Rui Paulo Figueiredo, para conversar sobre a actualidade.

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publicado por Jorge Ferreira às 10:32 | link do post | comentar

No ano 721 a.C., segundo o historiador Ptolomeu, astrónomos da Babilónia registavam, pela primeira vez, um eclipse da lua. Em 1434, D. Duarte nomeava Fernão Lopes cronista-mor do Reino. Em 1812, as Cortes espanholas aprovavam a constituição liberal. Em 1933, era aprovada a Constituição portuguesa era aprovada em plebiscito, contando a abstenção como voto "sim". O texto serviu de base à ditadura do Estado Novo. Em 1920, o Senado norte-americano rejeitava o Tratado de Versalhes, que estabelecia a Liga das Nações. Em 1937, o Papa Pio XI publicava a encíclica "Divini Redemptoris", condenando o comunismo ateu. Em 1991, morria o actor Ruy Furtado, 72 anos. Em 1995, o partido social-democrata vencia com 28,8 por cento as eleições legislativas na Finlândia. Em 1998, Vizela tornava-se o 306º Concelho do país. Em 2001, a Provedoria de Justiça propunha a atribuição de dez mil contos em indemnizações aos familiares das vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios, a 04 de Março. Em 2004, a Audiência Nacional de Espanha confirmava a detenção dos cinco primeiros suspeitos dos ataques terroristas de 11 de Março, em Madrid. Em 2006, morria 2006 Fernando Gil, 69 anos, filósofo português, autor de "La Logique do Nom" e "Mimesis e Negação", Prémio Pessoa em 1993.

(Fernão Lopes)


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Hoje é Quarta-feira, 19 de Março, Dia do Pai, septuagésimo nono dia do ano. Faltam 287 dias para o final de 2008. Este é o último dia de Inverno. O Equinócio de Março ocorre dia 20, às 05:48. O dia é dedicado a S. José e ao Beato Marcello Callo. A Lua encaminha-se para a Fase Plena. Lua Cheia, dia 21, às 18:40. O Sol nasce às 06:41 e o ocaso regista-se às 18:48. No porto de Lisboa, a preia-mar verifica-se às 01:41 e 14:08, a baixa-mar às 07:43 e 19:54. Peixes é o signo dos nascidos nesta data, destacando-se a espanhola Teresa de Ávila (1515), João IV de Portugal (1604), o missionário e explorador britânico David Livingstone (1813), o compositor alemão Max Reger (1873), o pianista Dinu Lipatti (1917), o saxofonista Ornette Coleman (1930), o escritor Philip Roth (1933), os actores Glenn Close (1947) e Bruce Willis (1955).

(David Livingstone)


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Terça-feira, 18 de Março de 2008
No âmbito da política de clareza a que nos tem habituado, o PSD garantiu hoje que não vai colaborar com o Governo em “remendos” do mapa judiciário, embora se diga ainda disponível para tentar um consenso sobre a matéria. Remendo é cada posição que o PSD toma sobre o que quer que seja. Remendo da posição anterior. O pacto da justiça era para romper, depois não era para romper. Era para alargar. Depois rompeu-se no mapa judiciário. Agora o PSD ainda quer um consenso. Enfim, é preciso animar os blogues.

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publicado por Jorge Ferreira às 15:04 | link do post | comentar

"Se há povo com azar neste mundo é o tibetano, não podem contar com a direita porque a China é um excelente mercado, têm o desprezo dos partidos comunistas porque ousam livrar-se do regime que lhes foi imposto pelos chineses e nem sequer são lembrados pelas igrejas cristãs porque o rebanho é budista. Estão, portanto, entregues à sorte."

O Jumento.

Pois a mim pouco me importa o mercado, os comunistas e as igrejas cristãs. O Tibete é uma é uma barbárie. Ponto final.


publicado por Jorge Ferreira às 14:59 | link do post | comentar

"A apologia do terrorismo vai passar a ser crime autónomo em Portugal. Mas há algumas questões de ordem prática que não sei como vão ser resolvidas. Os que convidam as FARC para virem até cá e os que toleram romanticamente a ETA e outros assim, também estão abrangidos?"

Coutinho Ribeiro, n' O Anónimo
Nem mais.

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publicado por Jorge Ferreira às 13:13 | link do post | comentar

"Acho que as pessoas ficam sempre contentes de me ver correr", disse o meia-maratonista Sócrates no último domingo. Cada um fala por si, mas devo informar o Primeiro-Ministro que me é totalmente indiferente saber se ele corre, onde e com quem. Já não me é indiferente saber se o país que ele governa corre ou está parado. E aqui, cumpre, informar V. Exa. que as notícias não são boas.


publicado por Jorge Ferreira às 13:01 | link do post | comentar

O bloco central, sempre comandado pelos mesmos sete magníficos, nunca desilude os seus.


publicado por Jorge Ferreira às 12:00 | link do post | comentar

Em 1871, a população de Paris proclamava a Comuna, que duraria até 28 de Maio. Em 1900, morria o poeta António Nobre. Em 1913, Jorge I, da Grécia, era assassinado em Salónica. Em 1938, o presidente do México, Lazaro Cardenas, nacionalizava os terrenos petrolíferos. Em 1962, o Governo francês e nacionalistas argelinos assinavam o cessar-fogo que punha termo à guerra de libertação. Em 1990, realizavam-se na RDA as primeiras eleições livres e pluripartidárias em 50 anos, que dariam a vitória à Aliança pela Alemanha, coligação constituída pela CDU. Em 1996, morria o historiador Jorge Borges de Macedo, aos 75 anos e o poeta grego Odisseus Elytis, com 85 anos, Nobel da Literatura em 1979. Em 2001, a segunda volta das eleições municipais francesas dava, pela primeira vez em mais de um século, a vitória à esquerda na cidade de Paris. Em 2005, era desligada a alimentação artificial de Terri Schiavo, norte-americana em estado vegetativo há mais de 15 anos, por decisão do Tribunal da Florida, a pedido do marido. Em 2007, o Partido do Centro do primeiro-ministro finlandês, Matti Vanhanen, vence as eleições. legislativas por uma margem mínima.

(Jorge Borges de Macedo)


publicado por Jorge Ferreira às 11:36 | link do post | comentar

Hoje é Terça-feira, 18 de Março, septuagésimo oitavo dia do ano. Faltam 288 dias para o final de 2008. O dia é dedicado S. Cirilo de Jerusalém, Bispo, Doutor da Igreja, e a Sto. Eduardo, Rei, mártir. A Lua encaminha-se para a Fase Plena. Lua Cheia, dia 21, às 18:40. O Sol nasce às 06:43 e o ocaso regista-se às 18:47. No porto de Lisboa, a preia-mar verifica-se às 00:50 e 13:25, a baixa-mar às 07:00 e 19:54. Peixes é o signo dos nascidos nesta data, destacando-se entre eles o compositor russo Rimsky-Korsakov (1844), o engenheiro alemão Rudolf Diesel (1858), o compositor italiano Gian Francesco Malipiero (1882), o escritor John Updike (1932), o cineasta Luc Besson (1959).


publicado por Jorge Ferreira às 11:32 | link do post | comentar

Segunda-feira, 17 de Março de 2008
Dizem-me que o divórcio na hora virou bronca na hora. Será?


publicado por Jorge Ferreira às 16:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)

José Sócrates prometeu hoje que fará nos próximos anos um investimento sem precedentes no plano tecnológico para a educação, num discurso em que criticou os resultados das políticas educativas dos governos anteriores, incluindo os de Guterres. Um Governo que autoriza passagens administrativas no ensino básico, um Governo que é responsável por um sistema de ensino que não habilita os alunos dos conhecimentos necessários em disciplinas centrais como o Português ou a Matemática, anda entretido com esta pacovice saloia das tecnologices. E no estado de delírio educativo em que o PS se encontra já vale tudo. Criticar o seu ministro Santos Silva, ministro da Educação de Guterres, que obviamente tudo aceita mudo e quedo visto que apenas existe para a trauliteirada. Criticar-se a si próprio, ministro que foi de Guterres. Criticar Guterres. E tudo Sócrates levou.


publicado por Jorge Ferreira às 15:38 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Trinta anos depois Alberto João Jardim continua a dar o seu bailinho da Madeira aos contribuintes portugueses.


publicado por Jorge Ferreira às 13:11 | link do post | comentar

O melhor retrato.

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publicado por Jorge Ferreira às 11:28 | link do post | comentar

Em 1756, era canonizada a princesa portuguesa Sta. Joana, filha de Afonso V. Em 1938, era assinado o o Pacto Ibérico, tratado de amizade e não-agressão entre Portugal e Espanha. Em 1945, os norte-americanos ganhavam a batalha com os japoneses pela posse de Iwo-Jima. Em 1959, morria, no Rio de Janeiro, o poeta português António Botto. Em 1976, morria o cineasta e encenador italiano Luchino Visconti. Em 1988, o Senado espanhol aprovava o projecto de lei que abria a televisão à iniciativa privada. Em 1990, Freitas do Amaral era reeleito líder dos centristas, no IX Congresso do CDS. Em 1992, cerca de 70 por cento dos brancos da África do Sul votavam favoravelmente as reformas propostas pelo presidente De Klerk tendo em vista o fim do Apartheid. Em 1993, morria o professor António José Saraiva, 76 anos, personagem de relevo na cultura portuguesa do século XX. Em 1995, Totto Rina, chefe máximo da máfia siciliana, era condenado, em Palermo, a prisão perpétua. Em 2002, o PSD vencia as eleições legislativas em Portugal, com 40,12% dos votos. Em 2004, a multinacional canadiana Bombardier anunciava o fecho da fábrica na Amadora, em Maio. Em 2006, o Tribunal de Instrução Criminal de Guimarães pronunciava Fátima Felgueiras pela prática de 23 crimes. Em 2007 ocorria a investidura do novo governo de unidade nacional palestiniano, da Fatah e do Hamas, tendo como primeiro-ministro Ismail Haniyeh.

(António José Saraiva)


publicado por Jorge Ferreira às 10:55 | link do post | comentar

Hoje é Segunda-feira, 17 de Março, septuagésimo sétimo dia do ano. Faltam 289 dias para o final de 2008. O é dedicado a S. Patrício, bispo, e a S. Ambrósio de Alexandria, diácono. A Lua encaminha-se para a Fase Plena. Lua Cheia, dia 21, às 18:40. O Sol nasce às 06:45 e o ocaso regista-se às 18:46. No porto de Lisboa, a preia-mar verifica-se às 12:32, a baixa-mar às 06:03 e 18:21. Peixes é o signo dos nascidos nesta data, destacando-se de entre eles o cantor norte-americano Nat King Cole (1919) e o bailarino russo Rudolf Nureyev (1938).

(Nat King Cole)


publicado por Jorge Ferreira às 10:52 | link do post | comentar

Torquato da Luz vai publicar novo livro. Boa notícia.

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publicado por Jorge Ferreira às 10:45 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Recomendo vivamente a exposição "Dali, O Divino Ilustrador", patente na Fundação Eugénio Almeida, em Évora. As ilustrações que Dali fez para a Divina Comédia, onde Dante Aligheri decreve a sua viagem pelo Inferno, pelo Purgatório e pelo Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio, autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz (com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes). As ilustrações de Dali são uma viagem única pela obra de Dante.


(Foto)


publicado por Jorge Ferreira às 10:02 | link do post | comentar

Sábado, 15 de Março de 2008
O receio de ter no comício do Porto «pessoas menos entusiasmadas ou que até possam vaiar Sócrates» levou a máquina partidária do PS a fazer uma selecção dos militantes para o comício desta tarde, disse ao SOL um dirigente concelhio dos socialistas. O PS até já apura a raça da militância. A minha dúvida é sobre os critérios que vão ser usados para aferir o entusiasmo. Será a capacidade vocal dos militantes? Será a quantidade de bandeiras que são capazes de segurar em cada mão?

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publicado por Jorge Ferreira às 12:28 | link do post | comentar | ver comentários (1)

A repressão chinesa voltou a abater-se sobre os tibetanos. Mortos, feridos, acessos cortados para ninguém ver, perigosos monges presos, a barbárie outra vez. Presumo que o Governo não tenha agenda disponível para se pronunciar sobre o assunto. A política de cócoras das Necessidades, obviamente, aconselha-o.

(Bandeira do Tibete)


publicado por Jorge Ferreira às 12:16 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sobre o momento dia do cão do PS, o projecto-lei sobre os piercings e ressalvada a questão dos menores, sobre a qual aqui já me pronunciei, é óbvia a estupidez pura da proibição. Aqui há uns tempos, num debate com o Rui Paulo Figueiredo, na Tv Net, alertei para a perigosa filosofia política desta maioria que resumi na expressão: "proibir, proibir, proibir". A coisa até deu spot de promoção do Netfire. Cá está. O que se seguirá no index de heresias da maioria? Proibir a circulação automóvel por causa da poluição? Definir as medidas standard do preservativo como em tempos a Comissão Europeia tentou fazer? Frutos secos, podemos comer sem ilícito? De quanto em quanto tempo teremos de cortar as unhas, fazer a barba e tomar banho? O delírio está em progressão no PS.

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publicado por Jorge Ferreira às 11:53 | link do post | comentar

Em 44 a.C., Júlio César era assassinado. Em 1147, Afonso Henriques tomava Santarém aos Mouros. Em 1820, o Maine tornava-se o vigésimo terceiro estado norte-americano. Em 1961, a UPA desencadeava os primeiros ataques a fazendas e vilas no norte de Angola. Em 1974, o primeiro-ministro português Marcello Caetano demitia os generais Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de chefe e vice-chefe, respectivamente, do Estado-Maior General das Forças Armadas. Em 1975, morria o multimilionário grego Aristóteles Onassis. Em 1988, era formalizada a dissolução da Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP). Em 1990, Mikhail Gorbachov era eleito presidente da URSS por um período de quatro anos. Em 2001, a utilização da "pílula do dia seguinte" era aprovada na Assembleia da República. Em 2003, o secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Hu Jintao, era eleito presidente da República Popular da China.


(Júlio César)


publicado por Jorge Ferreira às 11:42 | link do post | comentar

Hoje é Sábado, 15 de Março, Dia Mundial dos Direitos do Consumidor e septuagésimo quinto dia do ano. Faltam 291 dias para o final de 2008. O dia é dedicado a S. Raimundo da Calatrava, religioso, e a Sta. Lucrécia, mártir. A Lua encaminha-se para a Fase Plena. Lua Cheia, dia 21, às 18:40. O Sol nasce às 06:48 e o ocaso regista-se às 18:44. No porto de Lisboa, a preia-mar verifica-se às 09:35 e 22:14, a baixa-mar às 02:48 e 15:23. Peixes é o signo dos nascidos nesta data, destacando-se Andrew Jackson, sétimo presidente dos EUA (1767), o compositor austríaco Edward Strauss (1835), imunologista alemão Emil von Behring (1854), o escritor Lawrence Sanders (1920), o cineasta David Cronenberger (1943), o guitarrista Ry Cooder (1947), o cantor Terence Trent D'Arby (1963) e a actriz Eva Longoria (1975).


publicado por Jorge Ferreira às 11:35 | link do post | comentar

A PSP explicou ao SOL que, «tendo em conta a avaliação do risco», não houve qualquer directiva para que os agentes se deslocassem às federações distritais e concelhias do PS, para apurar o número de autocarros que irá até ao Porto para o comício de sábado. E não comenta a contra-manifestação de professores. Isto é, há ajuntamentos de 1ª e de 2ª. Devem estar à espera de pouca gente.

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publicado por Jorge Ferreira às 01:42 | link do post | comentar

ABC, The Lexicon of Love.

(Foto)


publicado por Jorge Ferreira às 01:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Como julgo que é visível o Tomar Partido foi sujeito a umas pequenas obras. Ainda faltam uns retoques, mas vai com o tempo. Estas obras só foram possíveis com a ajuda especializada e amiga da MP, a quem testemunho o meu agradecimento.

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publicado por Jorge Ferreira às 22:19 | link do post | comentar | ver comentários (3)

"Le premier ministre polonais Donald Tusk a déclaré aujourd'hui à Bruxelles qu'il n'excluait pas en dernier recours de faire ratifier le traité de Lisbonne par référendum, même s'il croit encore possible une ratification au parlement grâce à un compromis avec les conservateurs.Alors que le parlement polonais s'attendait à ratifier ces jours-ci le traité européen, destiné à rénover les institutions de l'UE, Jaroslaw Kaczynski, chef du principal parti d'opposition Droit et Justice (PiS), a menacé de voter contre le projet. Les voix de son parti sont nécessaires pour atteindre la majorité des deux tiers requise pour l'adoption d'un traité."

A Polónia pode vir a fazer um referendo ao Tratado de Lisboa. Ora aí estaria um bom exemplo.

(Foto)


publicado por Jorge Ferreira às 14:54 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Confesso desde já um preconceito: penso que, à partida, as pessoas não devem ser lojas de ferragens ambulantes. Agora não percebo a fixação do PS com a língua. Porquê proibir os piercings só na língua? Eles colocam-se em tantos locais igualmente sensíveis do corpo ... Cheira-me que há mensagem política por detrás disto. Como por exemplo: "nós somos o partido da liberdade e como tal queremos a língua bem operacional para poderem dizer mal do Governo á vontade, sem constrangimentos nem limitações; o resto, são más línguas ...". Já em relação à proibição de colocar adereços murais e ferragens em corpos com idade inferior a 18 anos, já estou integralmente de acordo.
(Foto)

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publicado por Jorge Ferreira às 13:42 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Anos depois de o PS passar de vermelho a rosa, o PSD sobrepôs o azul ao laranja. Depois de o PS ter substituído o punho pela rosa, o PSD tira duas das suas três setas ao emblema. Não se trata de acasos. O rígido PCP arranjou, a seu tempo, maneira de se encafuar numa CDU que vestiu de azul, arrumando o vermelho para debaixo dos móveis eleitorais. São tentativas de mudanças de identidades sem correspondência na verdade política que cada um representa. Mas que visam atrair os eleitores apesar dos significados reais que os partidos transportam das fundações, das doutrinas e das histórias. Acabo de ver Sócrates prestar-se a uma entrevista política na SIC Notícias vendida à audiência como uma reportagem sobre a vida pessoal do Primeiro-Ministro. O mesmo sucedeu com Luís Filipe Menezes. Apesar de se poder entender estes actos como puro marketing, eles revelam uma faceta essencial da política dos nossos dias. A ideia foi substituída pela imagem. O importante é a emoção que se gera, não a razão do que se diz. É por isso que, paradoxalmente, as mesmas sociedades que consomem estes produtos se queixam do vazio da política. Esquecem-se que, porventura, esse vazio tem precisamente origem na forma como tomam a decisão eleitoral. A luta política que vale a pena é pois a de convencer as pessoas de que a revolução hoje não está nas armas nem na rua mas na mudança do critério de decisão eleitoral. Bem sei: não é fácil. Mas também sei que água mole em pedra dura às vezes fura.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)

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publicado por Jorge Ferreira às 13:23 | link do post | comentar

O título desta crónica não é irónico, ao contrário do que se possa supor à primeira vista. De facto, esta semana verificaram-se dois importantes progressos no combate à corrupção. O primeiro devêmo-lo ao Ministério Público. O segundo a Rui Rio.

Vejamos o primeiro.

Onze coveiros dos cemitérios de Benfica e do Alto de São João, em Lisboa, foram acusados de corrupção passiva por violação dos seus deveres funcionais a troco de uma contrapartida económica de valor não apurado, mas "nunca inferior a dez euros", lê-se na acusação deduzida pelo Ministério Público, que lhes imputa aquele ilícito punível com um a oito anos de prisão.

Os arguidos recebiam esta "comissão", depois de convencerem os familiares de defuntos enterrados naqueles cemitérios a alindar as sepulturas, através da colocação de estelas (placas graníticas onde são afixados o nome do defunto e outros símbolos e dizeres a gosto) e de gravilha no chão.

Os trabalhos eram realizados por um empreiteiro, que está acusado por 11 crimes de corrupção e 13 de falsificação de documento. Todos os arguidos receberam uma paga quase simbólica do empreiteiro, que cobrou entre 300 a 500 euros pelas 16 obras de beneficiação, que decorreram no ano de 2006. Num dos casos, os familiares do falecido cuja campa foi beneficiada não pagaram os trabalhos avaliados em 350 euros.

As abordagens dos familiares dos defuntos ocorriam quando estes se encontravam de visita às sepulturas e os coveiros pediam aos interessados fotocópias do bilhete de identidade e do cartão do contribuinte para requerer autorização do serviço camarário. Ajustados os trabalhos, estes eram feitos depois de os materiais serem introduzidos clandestinamente no recinto, fora das horas de serviço e aos fins-de-semana, para iludirem a vigilância do encarregado, quando as portas eram abertas com a chave do coveiro.

Em resultado deste comportamento, os empreiteiros fugiam ao pagamento de uma taxa camarária de 64,42 euros. O prejuízo do município, feita as contas, ascenderá a 687 euros.

Ora aí está: finalmente dá-se caça judiciária aos coveiros da democracia.

Vejamos o segundo.

Rui Rio acusou o novo sistema de cobrança de quotas no PSD de permitir o branqueamento de capitais. A magnitude da acusação não pode deixar ninguém indiferente. Sobretudo, tratando-se do PSD, onde, como é sabido, nunca se aceitou o pagamento de serviços partidários por empresas de construção civil.

A denúncia de Rui Rio permite as maiores esperanças. Com esta militância anti-branqueamento estamos em crer que a investigação da corrupção denunciada por Paulo Morais quando saiu da Câmara Municipal do Porto conhecerá avanços significativos.

Foi, assim, uma boa semana no combate à corrupção em Portugal.

(publicado na edição de hoje do Semanário)


publicado por Jorge Ferreira às 10:39 | link do post | comentar

JORGE FERREIRA
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