Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Há rastos e rastos e rastos. Há uns que sentimos como nos apetece sentir que os deixámos. São os os rastos democráticos, dóceis, alucinogénios, de certa maneira hipócritas, que nos deixam a liberdade de sentir o significado que o nosso atávico egoísmo nos apetece atribuir-lhes. Podemos surpreendermo-mos com a ductibilidde manhosa desse rasto. É bom, mas depois passa. Deve ser essa a sensação da célebre ressaca. Nunca experimentei drogas por opção, apenas por estrita necessidade médica, mas deve ser mais ou menos assim. Deve saber bem voar, mas depois o peso da ressaca anula-nos num  ápice, efémero prazer de segundos, minutos, horas até, que a antecederam. Deve vir daí a voracidade com que os procuramos, porque sabemos que acabam numa questão de tempo. É o rasto armadilha, que entusisma , mas não alimenta. Que engorda a adiposidade emocional, mas nos tritura de abulimia acto contínuo, levando-nos a um  estado de necessidadde dinâmica progressiva, que não raro culmina numa overdose de vazio radical e desesperadamente insuperável.

 

Mas depois há os rastos verdadeiros. Os que fizémos e de nós altivamente se foram libertando, para que da ocidental praia lusitana e em perigos maiores do que prometia a força humana, da lei do rasto se foram libertando. Para começar a construção dos seus próprios rastos, noutras praias. São os mais difíceis, mas são dos que gosto mais. Somos sempre paternalistas em relação aos nossos rastos. Dos primeiros tornamo-nos escravos. Dos segundos, seremos parceiros ou não seremos e perderemos o rasto. Acontece que estes rastos de segunda é que são genuínos. São os bons. Dão mais trabalho, oh vã vertigem de preguiça, que a mera contemplação balofa. Exigem-nos mais, sempre mais, mesmo quando só nos fitam e nas palavras que dizem escondem silêncios que custam decifrar. Palavras com significado não verbal, fingindo-se alheias, às vezes frias, falsas frias, sem dó nem piedade sobre o inconsequente privilégio da contemplação que o vício com que nos habituamos a ver os primeiro rastos, nos iludimos podendo também olhar os segundos.

 

Eu sei que há quem despreze o lixo blogoférico, sobretudo quando o mau cheiro ameaça cair-lhes em cima, Passada a ETAR dos dias e tudo passa, tudo, a preocupação desaparece e até se abrem mais uns bloguezitos. Eu felizmente, já tinha este mesmo à mão. E calhou bem. Ontem e hoje aconteceu-me cruzar com um rasto de cada tipo.

 

(Foto)


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publicado por Jorge Ferreira às 01:30 | link do post | comentar

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