Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Em plena campanha eleitoral para as legislativas deste mês existem três temas incompreensivelmente asfixiados pela agenda temática dos partidos. Ninguém fala de corrupção, ninguém fala de Constituição e ninguém fala do despesão público que todos os programas implicam. Existe um campeonato programático a ver quem consegue prometer gastar mais. Todos querem mais Estado, a fazer mais coisas, sabendo que o país não pode pagar um estado faz-tudo.

 

Neste momento existem cerca de setecentas investigações por corrupção a correr nas instâncias competentes (espera-se que competentes…). Algumas envolvem negócios com intervenção de ex-ministros do CDS, como Paulo Portas, ex-ministros do PSD, como Arlindo Carvalho e Dias Loureiro, para não falar no caso Freeport, convenientemente remetido para o pós-eleições e que tanto enerva José Sócrates e familiares. Já nem é preciso falar nos autarcas. Mas quem ouvir os partidos em campanha parece que não há corrupção em Portugal. Ninguém se atreve nos debates a dois a colocar abertamente o problema, a propor o que quer que seja para combater a gangrena da democracia. A corrupção é do foro de um país silenciado, de uma espécie de país paralelo, que não existe no verbo partidário. Este silêncio envergonha todos.

 

A próxima legislatura poderá vir a ter poderes constituintes. Derivados, para não chocar os puristas dogmáticos da Constituição de 1976. Mas alguém sabe o que cada partido quer mudar, se é que quer, na Constituição da República? No sistema eleitoral, sempre tão vergastado quando se fala da crise de representação dos eleitores? Na utópica e disparatada Constituição económica? No próprio sistema político, tão necessitado de credibilidade, agilidade, transparência e eficácia? Não. Ninguém diz uma palavra sobre o assunto.

 

Do que todos falam é da crise. E das medidas para a combater. À crise económica e à consequente crise social. Medidas, mais medidas, despesa, mais despesa. Do que ninguém fala, enfim, é como tenciona pôr o país a pagar o renascido défice das contas públicas nos próximos quatro anos.

 

Estes três silêncios são a asfixia eleitoral em que os partidos instalados mergulharam o país. Discute-se o folclore. Discute-se quem asfixia mais e onde, mas, no fundo os partidos instalados, até o Bloco (quem os viu e quem os vê… tão aprumadinhos à frente do “senhor primeiro-ministro”…), asfixiam em conjunto o debate político de fundo. No fundo, estão iguais a si próprios. Adiam Portugal.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



publicado por Jorge Ferreira às 08:56 | link do post | comentar

JORGE FERREIRA
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