Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

O país tem sido diariamente assolado por péssimas notícias sobre a crise. Do rating às falências e ao desemprego, vivemos actualmente uma espiral que ninguém de bom senso sabe como e quando acaba. Diariamente temos também assistido ao triste espectáculo da diminuição do valor facial das declarações dos políticos. Dos que governam e dos que se opõem. A semana ficou ainda marcada pela ressurreição do caso Freeport e da desastrada e insegura reacção de José Sócrates. Nada habitual, de resto. Depois do caso da licenciatura, outra trapalhada se anuncia. É evidente que por enquanto há mais perplexidades que certezas. Primeira perplexidade: como é possível um inquérito destes estar a marinar no limbo da não existência durante quatro anos e ser necessário um pedido de autoridades estrangeiras para o inquérito andar? As diligências pedidas pelos ingleses não deveriam ter sido já feitas pelas autoridades portuguesas? E por que razão não o foram, quando é o próprio Sócrates a pedir rapidez, pasme-se!, no esclarecimento da situação? Segunda perplexidade: como é possível que o Primeiro-Ministro, um dos ex-ministros de António Guterres tenha implicitamente acusado as autoridades inglesas e o Ministério Público de se intrometerem nas eleições legislativas? Nervosismo? Insegurança? Esta semana horribilis de José Sócrates, coroada com a péssima notícia da Quimonda, mostra bem o quão conveniente é para o PS antecipar eleições. É que não vamos ter outro ano... e cada dia que passa é mais um churrasco que o assador produz.



publicado por Jorge Ferreira às 18:32 | link do post | comentar

1 comentário:
De Zé da Burra o Alentejano a 28 de Janeiro de 2009 às 16:27
A Globalização, tal como foi concebida, vai determinar o fim da Europa social que conhecemos, mas ajudará ao nascimento de uma nova Superpotência: a China.
O Ocidente caiu na armadilha da Globalização que interessava às grandes Companhias que pretendem aproveitar-se dos baixos custos de produção do extremo oriente, dado os baixos salários e a inexistência de obrigações sociais que trariam maiores lucros a essas companhias multinacionais. Mas como esses países têm um baixo poder de compra e a produção no oriente destina-se sobretudo à exportação para o ocidente e se o ocidente não tiver poder de compra, as Companhias não vendem e acabam por ser vítimas também da situação criada.
Ao aderiram ao desafio da "globalização selvagem", os países da União Europeia prometeram ao seus cidadãos que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como). Não exigiram aos países do oriente que prestassem às suas populações melhores condições sociais, como: criar regras laborais, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice para poderem aceder livremente aos mercados do ocidente, não! o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem essas condições, criando assim uma concorrência desleal e “selvagem” da qual o ocidente não poderá ganhar e a única solução será a de nivelar as condições sociais ocidentais pelas dos países do oriente e é a isso que estamos a assistir neste momento. Acresce que esses países nem sequer estão comprometidos com a defesa do ambiente e as suas tecnologias são mais baratas mas altamente poluentes. Assim, o ocidente e a UE ditou a sua própria “sentença de morte”. Será que os trabalhadores dos países da UE, depois do nível social atingido, vão aceitar trabalhar a troco de um ou dois quilos de arroz por dia sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! , enquanto algumas empresas fecham portas para sempre e outras se deslocarem para a China ou para a Índia, o ocidente irá caminhar num lento definhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violento irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põe à beira do fim dos tempos como o descrito nos escritos bíblicos. A época áurea Europa será coisa do passado, encher-se-á de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque e a Europa deverá voltar a uma nova “Idade Média”.

Zé da Burra o Alentejano



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JORGE FERREIRA
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