Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

José Sócrates deu uma entrevista esta semana. E com a mesma lata, com a mesma firmeza e com o mesmo grau de convicção falou da recessão que apenas há 56 dias negava, com igual lata, igual firmeza e igual convicção. Isto para já não falar na crise que o seu ministro da Economia comunicou há vários meses que tinha terminado.

 

Desculpem lá mas pessoas assim não dão confiança nem tranquilidade a ninguém. E, sobretudo, não dão credibilidade a um Estado já de si muito mal visto por aí por muitas razões, algumas delas seculares. O Primeiro-Ministro tem tentado desculpar as trapalhadas em que o seu Governo tem andado metido com o chavão de que esta é uma crise que acontece uma vez na vida. Evidentemente que o que José Sócrates diz, no rating das coisas que são para levar a sério está muito mal cotado. Mas eu gostava que José Sócrates fosse o Primeiro-Ministro que acontece uma vez na vida, tal qual o próprio costuma dizer sobre a crise.

 

Temo, porém, que José Sócrates me vá acontecer na vida uma segunda vez. A oposição democrática, o que naturalmente exclui a oposição à esquerda do PS, pelo menos até Manuel alegre fazer o tal partido, se o chegar a fazer, parece competir com o PS na asneirada política. Manuela Ferreira Leite desapareceu outra vez, depois de ter proclamado que depois do período de festas não haveria férias nem fins de semana e que havia que dar combate ao Governo todos os dias. No CDS discute-se quantas dezenas saíram do partido no distrito de Bragança.

 

Esta semana fica marcada por outro episódio lamentável. Poucos dias depois de Cavaco Silva ter promulgado o Orçamento, o ministro das Finanças anuncia a apresentação de um orçamento suplementar. Curiosa semântica esta. Para o Governo teimoso não há nada a rectificar e portanto não haverá orçamento rectificativo. Há sim uma nova situação que “ninguém no mundo inteiro” foi capaz de prever, segundo José Sócrates, e por isso o Governo elabora um apêndice, uma separata, um encarte orçamental. Apetece, caros leitores, por vezes, recorrer ao português vernáculo quando a paciência se esgota. Resistamos…

 

Está, pois, provada a incompetência do Governo, que ainda o primeiro caderno do Orçamento estava em discussão na Assembleia da República já anunciava rectificações, no pacote de medidas contra a crise, às mentiras que lá tinha escrito.

 

O Presidente também não fica lá muito bem na fotografia pela segunda vez a seguir ao melodrama politicamente mal conduzido do Estatuto dos Açores. Promulgou uma lei do orçamento que sabia muito bem que não correspondia à verdade. Os jornais disseram que só o fez depois de pedir esclarecimentos ao Governo, que supostamente os deu. Ora, das duas, uma: ou as explicações também não são boas e o Orçamento não devia ter sido promulgado, ou, se o foram, o Governo enganou o Presidente. Nenhuma das hipóteses prova a existência de boa moeda nas instituições da República. Ou em Belém, ou em S. Bento.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



publicado por Jorge Ferreira às 00:01 | link do post | comentar

2 comentários:
De C. Medina Ribeiro a 9 de Janeiro de 2009 às 12:57
A propósito das mentiras de Sócrates, diz-se aqui:
«Desculpem lá mas pessoas assim não dão confiança nem tranquilidade a ninguém».

Ora Churchill dizia que «um político (ou um ministro?) que não sabe mentir é incompetente».

E tinha razão. O problema não é, pois, se Sócrates mente. O problema é se o sabe fazer - com estilo, saber e arte...


De Antonio Torres a 9 de Janeiro de 2009 às 09:02
Bravo.
Muito bem!!!



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