"Há 20 anos toda a gente se lembrava do "Sobe, sobe, balão sobe", da Manuela Bravo, a música que ganhou o Festival da Canção. Hoje, ninguém sabe quem ganhou o Festival da Canção. Isto não é mau, é bom! Mas o que é interessante é que há 20 anos todos tínhamos assunto comum para trocar opiniões. Eu podia detestar o "Sobe, sobe balão sobe", mas sabia que ele existia. Portanto, a primeira grande diferença é a enorme fragmentação dos assuntos. Consumimos informação de todos os meios e feitios e passámos a ser editores daquilo que queremos ver. Às vezes estamos perdidos, às vezes não sabemos o que queremos ver ou o que devíamos ver. Uma parte do país ignora o que se está a passar na política ou no desporto, não sabe quem são os candidatos autárquicos, mas de repente a sua atenção está centrada num assunto muito específico que só interessa a uns quantos."
Declaração de interesses: considero Pedro Bidarra o melhor criativo da publicidade em Portugal. Posto isto, aconselho vivamente a leitura da sua entrevista de hoje ao "i". Quem melhor que um publicitário para nos dar a conhecer a vida de todos os dias e como ela muda todos os dias sem que nós, que a vivemos, muitas vezes demos por isso?
Que dia bizarro, este: 09.09.09.
O fado é este: só ligamos às coisas quando se morre. Que miséria...
O Estado Novo tinha a taxa do isqueiro, a Democracia tem a multa do sal.
Uma das muitas actividades em que a minha amiga Fátima se envolve miltantemente.
A gripe dos porcos chegou à bolsa e ameaça ter um impacto na desretomização da economia mundial. Que raio de Mundo mais esquisito. Agora digam que a culpa é do neo-liberalismo...
As funcionárias da Loja do Cidadão de Faro, inaugurada a 3 de Abril, foram proibidas de usar saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos. As instruções foram dadas numa acção de formação antes da abertura da loja, denunciou uma funcionária. Acho especialmente misteriosa a proibição que diz respeito à roupa interior escura. Será um fetiche do formador? Não tarda o Governo decreta uma farda para todos. Assim como os exércitos têm.
O dia das mentiras já não é o que era. Lêem-se os jornais, ouvem-se as rádios e vêem-se as televisões em busca da mentirola do dia e nada. Faz sentido. Um país que se habituou a ver tanta gente mentir todos os dias ficou sem vontade de brincar às mentiras no 1º de Abril.
Um pároco assumidamente sportinguista de Lisboa informou os paroquianos que não faz baptizados às crianças a que os respectivos pais decidirem pôr o nome de Lucílio. Lucílio, esclareça-se, desde já, é um péssimo árbitro de futebol que marcou um penalty inexistente numa competição de futebol sem importância nem interesse competitivo. Entretanto, esse mesmo péssimo árbitro de futebol foi ameaçado de morte e não quer aparecer em público, com medo legítimo.
O mesmo péssimo árbitro de futebol diz-se e desdiz-se sobre factos que o país inteiro viu através da televisão, menos ele. Omite factos de indisciplina em campo no seu relatório, onde foi acusado de roubar através de gestos por um treinador de futebol e não viu, onde levou um encontrão de peito de um jogador de futebol e não se lembra.
Na semana anterior, dirigentes e treinador, por acaso do mesmo clube, foram ameaçados de morte porque perderam dois jogos com o campeão de futebol da Alemanha, um por cinco golos e outro por sete golos.
Na sequencia de uma reunião da Liga de Futebol, um seu dirigente foi agredido à saída da reunião, e aqui, nem me dei ao trabalho de saber por quem e por que razão.
Esclareço que adoro futebol desde pequenino e que sou adepto ferrenho do Benfica, clube que tem sido, como muitos outros, prejudicado abundantemente por arbitragens em vários jogos e nunca deitou medalhas fora, os seus jogadores nunca deram empurrões aos árbitros com o peito e se habituou a continuar a sua vida depois dos prejuízos. Enfim, feitios…
Como se sabe, não vale a pena recorrer aos tribunais nesta matéria porque nunca há testemunhas e quando há, têm sempre profissões ou exerceram actividades que no entender dos Senhores Juízes retiram credibilidade aos testemunhos.
Acresce que se joga recorrentemente mau futebol nos relvados e por norma, os espectáculos são maus e excessivamente caros para os preços dos bilhetes. Daí que, progressivamente, sem que o meu fervor clubístico tenha diminuído, diminuiu substancialmente o meu interesse pelo futebol.
O que é mais grave do que essa opção individual é que o que se passou esta semana em Portugal, mostra que vivemos num país alucinado, em que o futebol já chegou ao ponto de induzir delinquência. O futebol deixou de ser um desporto profissional e passou a item do relatório de segurança interna. Para além do pormenor de que, evidentemente, existem muito mais assuntos a merecer a atenção e as energias do país do que o episódio Lucílio Baptista.
Os poderes públicos do futebol, por seu lado, nos quais o Estado delega poderes públicos, são de uma indigência confrangedora. Ainda no futebol, por que raio seria diferente o futebol do resto da sociedade e dos poderes?..., é flagrante a diferença da sua actuação relativamente ao que acontece nos países europeus com que temos a mania de nos comparar. Quer a Federação Portuguesa de Futebol, quer a Liga de futebol agem quotidianamente como se nada se passasse no futebol.
Vivemos actualmente num país alucinado. E o futebol é apenas um exemplo de vários que o demonstra. Se migrarmos do futebol para a crescente violência nas escolas e na sociedade em geral, teríamos ainda mais que conversar. É triste. Não tarda, precisamos de entregar o poder a psicólogos e psiquiatras.
(publicado na edição de hoje do Semanário)
Uma menina de 12 anos, deficiente, foi violada por um homem de 26 anos, enquanto outros dois, de 17 e 19 anos, filmavam tudo. O vídeo foi, depois, posto a circular por toda a escola. Mas o que é isto, se não o regresso à pura barbárie? A propósito, é de ler esta entrada de Bruno Sena Martins, sobre Elizabetf Fritzl, no Avatares de um Desejo.
O Papa tem uma doutrina e uma função. Defende-a, promove-a e luta pacificamente pela sua divulgação. Quando a comunidade politicamente correcta começou a dizer a mentira que o Papa tinha apelado ao não uso do preservativo antes da sua visita pastoral a África, um amigo meu, insuspeito de censor, perguntou-me se não era possível responsabilizar o Papa pelas mortes por SIDA em África! Extraordinário. A liberdade de ter opiniões depende de quem as emite e, sobretudo, do facto de se concordar com elas ou não? Até para os espíritos mais improváveis parece que sim. Ora, eu, que não adiro na íntegra à visão e à doutrina da Igreja, mesmo em matéria de moral sexual, digo que o Papa fez muito bem em dizer o que a Igreja pensa e que esse facto devevria ter desencadeado o debate sobre a substância do que efectivamente ele disse e não sobre aquilo que convém a alguns ler no que ele disse. Um Papa não é um comentador. Defenda-se a liberdade de expressão do Papa!

Fazer "jogging". Não fumar. E agora isto. O PS quer construir a humanidade laboratorial. Hum..., não sei mas estas notícias despertam-me uma enorme tentação de acorrer a uma bola de berlim. Com creme, claro.
Os Estados e as sociedades têm uma relação equívoca e interesseira com os vícios. Proíbem certos vícios, criminalizam outros e permitem uns quantos. Frequentemente têm um discurso moralista quanto a alguns vícios, dos quais não se inibem de extrair as maiores vantagens fiscais e económicas que podem.
Parece que a Via Láctea aumentou a velocidade a que está a girar, o que aumenta consequentemente o risco de colisão com outras galáxias. Nada disto seria verdadeiramente relevante não fosse dar-se a coincidência de eu ser um dos biliões de habitantes da dita Via. Resta-me esperar que a Via me dê tempo a viver tudo o que tenho para viver antes de qualquer embate cósmico. E habito-a justamente num planeta onde existe uma ilha chamada Galápagos, onde foi descoberta uma iguana cor de rosa única, junto a um vulcão com 350 mil anos de idade e que passou despercebida ao celebrado Charles Darwin quando andou por aquelas paragens na primeira metade do século XIX. Já agora: cientistas da Universidade do Oregon (há sempre uma Universidade americana para nos informar destas relevancias) chegaram à conclusão de que os mamutes foram extintos por meteoritos que embateram na Terra, aliás, em período glaciar, o que é particularmente excitante dadas as temperaturas que se vivem actualmente, nesta era de arrefecimento global. O que é que isto tudo tem a ver com o facto de haver um rallye de veículos diversos chamado Dakar que se realiza na Argentina e não pelas entranhas do Norte de África é o que eu ainda estou para tentar perceber, mas que não me parece bom augúrio cósmico, lá isso não.
Sábado à tarde solarengo em Lisboa, nas Amoreiras. Muitas e desvairadas gentes atravessam-se em destinos que se cruzam apenas nos corredores e se desvanecem quando se traspõem as portas da rua. Ex-banqueiros e seus advogados saiem a meio da tarde, indiferentes às compras e às músicas de Natal que não páram de tocar. Acusados de ter cometido infracções, terão que se defender, sem horário nem calendário. Gente feliz com sacos leva tudo à sua frente, num irritante autismo, quase agredindo com os seus sacos e as suas malas de compras quem tem o azar de não perceber que não pode pura e simplesmente andar nas Amoreiras mas sim fazer autênticas gincanas. No éter, oiço Pacheco Pereira explicar como as canções de Ágata são retratos sociais de uma época e falavam de problemas do dia-a-dia das pessoas e como esse era o segredo do seu sucesso. Fico a saber que não tem preconceito contra a música pimba. Oiço o "Mãe Solteira" e fico a saber pela milésima vez que posso ficar com com a casa, com o carro, mas não fico com ele. Em seguida Pacheco Pereira decreta a morte da filatelia com os novos costumes do e-mail e do sms e com a rarefacção da utilização das estampilhas postais, vulgo selos. Também eu fui filatelista amador e gostei de recordar os tempos do selo. Este programa de Pacheco Pereira no Rádio Clube foi-me da maior utilidade. Permitiu-me descansar da memória do homem que vira, minutos antes, tombar, redondo no chão, de inanição. Tão simples quanto isso. Um homem, já idoso, rosto marcado indelevelmente pelas agruras da vida, com um porte de uma dignidade incrível, que caía ao chão (vi duas vezes), apenas porque ainda não tinha comido nada ontem. Era apenas fome. Apenas. Recusou ambulância, recusou médico. Ajudado pelos seguranças do centro comercial em deriva humanitária, sentou-se numa cadeira esperando o regresso das forças que lhe permitissem andar. A Margarida, de lágrimas nos olhos, foi-lhe comprar um pacote de leite, que lhe deu a beber, antes de desabafar em português vernáculo contra o mundo que permite que estas pessoas estejam a viver assim. Foi o inesperado pequeno-almoço do homem por volta das cinco da tarde. Compreendo muito bem que a Margarida não sinta Natal. É realmente muito difícil. A fome daquele homem não estava escrita na cara, nem vem nas estatísticas da desigualdade social do INE de 2006 com que Sócrates discursou esta semana no debate parlamentar. Também não sei se aquele homem é funcionário público e vai ter acesso ao apoio que o Governo anunciou em exclusivo para funcionários públicos. Sei que no meu país a pobreza oculta-se mas vai matando lentamente.
(publicado em O Carmo e a Trindade)
Descubro, ainda n' A Bola, que o antigo jogador de futebol Ricardo Sá Pinto é, nem mais nem menos, do que, tomem bem nota, senhoras e senhores, meninos e meninas, e a todos que escutam a emissão internacional do Tomar Partido, embaixador da PT para o desporto escolar! Ena pá, isto é que é vida. O que fará ele nas delicadas missões diplomáticas de que está por certo incimbido? Vende serviços da PT à criançada? Vende a necessidade de uma alimentação saudável para se ser um bom desportista escolar?
Vim a Lisboa num instante. E tirei as minhas dúvidas. Umas voltas rápidas ao El Corte Ingles e ao Oeiras Parque tiraram-me as dúvidas que ainda tinha. É oficial: o Natal, para o comércio, começa a 1 de Novembro. Não há ocorrência mais lamentável do que esta estupidez. Os funcionários públicos recebem o subsídio de Natal para o final deste mês. Os das empresas privadas, os que recebem essa pérola do estado social, que os há e muitos que nem lhe vêem o cheiro, receberão lá para meados de Dezembro. Qual é a ideia deste pessoal? Vi muita gente a passear e a vigiar gulosa mas melancolicamente os objectos à venda. Eles consomem com os olhos, agora que já não podem consumir mais com o crédito. Não comprarão. Algo não bate certo naquelas ruas de consumo para onde melancolicamente emigraram os tempos livres da classe média portuguesa. O comércio gastará mais electricidade. As vendas não aumentarão por causa disso. É a crise.
Agora são os rebocadores que, à boleia dos camionistas, querem alterar os preços pagos pelas seguradoras, os quais não contemplam certamente as alterações no custo dos combustíveis. Será que Sócrates vai pôr o Orçamento do Estado a suportar o diferencial, sempre a custo zero, claro, como despudoradamente nos garante a pantomina oficialeira para telejornal ver?
"Não deixa de ser irónico que ao fim de mais de dois anos com o PCP a tentar promover conflitos sociais sejam os pescadores e os camionistas que, fugindo ao controlo do "partido do proletariado" tenham protagonizado os conflitos mais graves vividos nos últimos anos, senão mesmo na última década. Ainda por cima, em vez de os trabalhadores serem liderados pela "vanguarda do proletariado" são conduzidos pelos patrões, com os quais são solidários e cujos lucros defendem como condição para a sua sobrevivência".

Esta fotografia fui "pilhá-la" ao blogue de Pedro Rolo Duarte. Não sei porquê, mas apeteceu-me lembrar a história.
O teste para medir uma qualidade sociológica ímpar: ser ou não ser um "homem do norte".
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