Quinta-feira, 19.11.09

Não era preciso ser ministro das finanças nem especialista de finanças públicas para perceber que ia ser necessário outro orçamento rectificativo, como aqui fiz várias vezes (dispensem-me os links). O Governo dizia que não. O Governo fez que sim. Deve ser por estas e por outras que, apesar dos milagres das conferencias alcatifadas, o Finantial Times diz que temos o 4º pior ministro fas Finanças da União Europia. Chamem a LPM outra vez por favor.



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Quarta-feira, 18.11.09
Uma ponte do século XVIII sobre o Rio Tamisa, em Inglaterra, vai ser leiloada no próximo mês. A base de licitação é de 1.862 mil euros. É um investimento garantido: a ponte Swinford tem um lucro anual de cerca de 215 mil euros em portagens. Acresce que sobre a receita, não há impostos a pagar – está isenta desde o século XVIII. A travessia é feita todos os anos por cerca de quatro milhões de veículos. Esta ponte é umas das últimas que continua em mãos privadas no Reino Unido.
(Foto)

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Terça-feira, 17.11.09

A taxa de desemprego em Portugal disparou, durante o terceiro trimestre deste ano, para 9,8%, o que representa o valor mais alto registado desde pelo menos 1983 (bloco central). De acordo com os dados de hoje do INE, o número de desempregados em Portugal é agora de 548 mil, o que representa 9,8% da população activa do país. No trimestre anterior a taxa de desemprego era de 9,1% e, no mesmo período do ano passado, não passava dos 7,7%. Assim, no espaço de três meses, passou a haver mais 40 mil desempregados em Portugal, sendo o acréscimo anual de cerca de 114 mil. Assim avança Portugal em pleno estado de sítio judiciário, com polvos de corrupção a mostarar as ventosas, as instituições judiciárias às turras, altos políticos do Estado sob suspeita. Um mimo de país.
 



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Sábado, 14.11.09

Portugal saiu da recessão, proclamaram hoje as trombetas mediáticas devidamente aproveitadas por José Sócrates. Desgraçadamente, no mesmo dia, entrámos em recessão judiciária, proclamaram hoje as trombetas mediáticas, devidamente aproveitadas por José Sócrates. Passámos de um governo de maioria absoluta para uma espécie de federação de ministérios, com aparente falta de coordenação política. Devem ter mudado os calendários das reuniões de segunda-feira. Sócrates demorou mais tempo a formar Governo, o que desde logo indiciou uma enorme dificuldade política em escolher os nomes indicados para os lugares da concertação, agora muito mais exigentes do que os lugares de execução. A estratégia parece ser a de forçar eleições antecipadas logo que possível. A Face Oculta veio inoportunamente revelar a existência de um polvo de corrupção, que mostra a razão pela qual Sócrates se dedicou durante quatro anos a preencher cargos vitais na administração para os momentos de aperto. Nada escapou: serviços de informações, ministérios, bancos públicos e bancos alegadamente privados. Uma simples tarde de acerto parlamentar de Manuela Ferreira Leite serviu para mostrar que cada socialista parlamentar diz a sua diferente da outra. Na semana do arranque e tirando o apagamento dos fogos urgentes, o Governo começou sem folego, sem iniciativa e sem agenda. Sócrates é certamente o mesmo. A situação política é que mudou, embora tenuemente disfarçada pelo bom resultado autárquico.



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Terça-feira, 03.11.09

Confissão à cabeça nos termos legalmente previstos no Código de Processo Penal, versão XXCDRIIII, para a respectiva validade processual: a regularidade atrai-me, mas receio uma obsessiva compulsão para não a respeitar. Por isso, de vez em quando, escolho um blogue da semana, que fica a valer para semanas a fio, visto que, ao contrário do que consegue o meu amigo Pedro Correia, sou incapaz de separar as semanas de acordo com o rigor do calendáario gregoriano em vigor, seja para livros, rios, praias, filmes, actores e o que fôr. Vai daí, hoje apeteceu-me escolher um excelente blogue chamado A Destreza das Dúvidas para tornar este ambiente ainda um bocado mais pesado. Luís Aguiar-Conraria, Cristóvão de Aguiar e Fernando Alexandre  são destros e têm dúvidas, um privilégio nos tempos das certezas sobre o neoliberalismo que se saúda. Uma tentação nos tempos que correm, sobretudo em matéria económica.

 

Acresce isto: "Por estes dias chegará às livrarias o livro A Crise Financeira Internacional, que pode também ser adquirido no sítio da Imprensa da Universidade de Coimbra. Para ficarem com uma ideia do que nele vai escrito deixo aqui a Introdução: Na origem da crise financeira está o excesso de endividamento. Nos últimos anos do século XX e nos primeiros do século XXI, países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Irlanda, a Islândia, a Espanha ou Portugal aumentaram de forma extraordinária os seus níveis de endividamento, acumulado essencialmente pelas famílias para a aquisição de habitação e consumo. Na Dinamarca e na Holanda, por exemplo, o endividamento ultrapassou em mais de duas vezes o rendimento gerado anualmente. Assim, para percebermos as causas da crise financeira temos de identificar os factores que estiveram por detrás do extraordinário aumento do endividamento, em particular, o papel desempenhado pelo desenvolvimento dos mercados financeiros nas últimas décadas e a forma como o Estado se posicionou em relação a estes desenvolvimentos."

 

Vá lá, deixem-se um bocado de mundanices e façam um esforço. Verão que vale a pena. Já em destaque no local próprio.



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Sexta-feira, 30.10.09

A taxa de desemprego em Portugal aumentou para 9,2% em Setembro, revelou esta sexta-feira o Eurostat. Assim avança Portugal, de TGV no desemprego até ao apeadeiro socialista de Madrid...
 



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Sexta-feira, 23.10.09

Vivemos num país cansado de reformas que não chegaram a ser feitas. Depois da crise passar alguém virá lembrar a necessidade de fazer as reformas de que o país se cansou sem as ter chegado a fazer.



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Terça-feira, 01.09.09

Está visto que com uma notícia destas a crise vai terminar pela milésima vez. Vem aí discurso de Sócrates...



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Sexta-feira, 14.08.09

A taxa de desemprego atingiu os 9,1% no segundo trimestre deste ano. O Instituto Nacional de Estatística revela que há 507 mil pessoas sem emprego. Trata-se, sem dúvida de seguir à risca o lema dos cartazes de José Sócrates: "Avançar portugal". O desmprego em Portugal continua a avançar. Mais um feito histórico do glorioso secretário-geral. Revejam os compêndios, actualizem as efemérides.
 



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Sexta-feira, 24.07.09

O final da legislatura fica marcado por um tema recorrente na vida dos portugueses no século XXI: agora é o PSD que quer avaliar a real situação das contas públicas. Agora é o PS que recusa a ideia do Parlamento fazer essa avaliação.

O descontrolo das contas públicas é uma espécie de “karma” nacional. Nos últimos anos o país tem passado a vida a mexer a roda sem que ela saia do mesmo sítio. Faz lembrar um jipe atolado nas areias do antigo Paris-Dakar.

O Estado gasta e, diga-se em abono da verdade, desperdiça muitas vezes,  sistematicamente mais do que aquilo que o país pode, mais do que aquilo que a economia portuguesa consente, mais do que aquilo que a produtividade das empresas portuguesas justifica.

Os dois primeiros anos de José Sócrates pareceram constituir uma saudável excepção a esta situação, que aliás, a consulta dos anais da história parlamentar portuguesa permitirá ver que é uma situação que se discute desde o século XIX.

A fraqueza ancestral das forças nacionais no sentido de produzir riqueza sempre foram disfarçadas com sucessivas fontes de financiamento do exterior. As especiarias da Índia, o ouro do Brasil, as matérias-primas das colónias e os fundos comunitários foram sucessivamente permitindo ao país viver acima das suas possibilidades, fazer uma vida de rico sendo pobre, soltando a preguiça escondida que existe no fundo de cada ser humano. O Estado gastava de mais? Que interessava isso se se sabia que havia sempre alguém que apareceria para pagar?

Desta vez, não há QREN que nos valha. Apesar das aparências orçamentais alcançadas por José Sócrates nos primeiros anos de Governo, a verdade é que a despesa fixa e corrente do Estado nunca se alterou. À parte as doses maciças de propaganda governamental, a realidade substantiva não se alterou. O que significa que num momento de aperto mais uma vez ficariam a nu as debilidades gastadoras do Estado.

Foi justamente o que sucedeu o ano passado e é precisamente o que está a suceder este ano. As contas públicas estão novamente descontroladas. Com a crise económica a receita dos impostos baixou drasticamente. Como a diminuição do défice se fez pelo lado da receita e não, como seria saudável e sustentável, pelo lado da despesa, voltámos à estaca zero.

Bem pode Teixeira dos Santos, qual Mohammed Saeed Al-Sahhaf, o trágico-cómico ministro da informação de Saddam Hussein, vir jurar a pés juntos que as contas públicas não estão descontroladas. O mundo está a ruir à sua volta e, todavia, o ministro das Finanças não repara.

Vira o disco e toca o mesmo.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



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Terça-feira, 21.07.09

Ministro garante que não há descontrolo das contas públicas.

 

(Foto)



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O défice orçamental fixou-se, no final do primeiro semestre deste ano em 7305,8 mil milhões de euros, cerca de três vezes e meia mais do que fora apurado em igual período do ano passado e praticamente o dobro do que tinha sido registado em Maio. É Portugal a avançar, sem dúvida nenhuma. Mas em direcção ao abismo.



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Quarta-feira, 15.07.09

Onde se lia "Avançar Portugal" passa a ler-se "Recuar Portugal".


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Quarta-feira, 24.06.09

A economia portuguesa deverá recuar 4,5% em 2009 e em 2010 continuará em terreno negativo, segundo a OCDE. Com a economia em recessão, o desemprego deverá atingir os dois dígitos: em 2009, a taxa de desemprego deverá subir para os 9,6%, para no ano seguinte chegar aos 11,2%. As novas previsões da OCDE apontam ainda para que a economia portuguesa registe em 2010 um recuo de 0,5%. O défice orçamental português deverá atingir os 6,5% este ano e no próximo e a taxa de inflação deverá ser negativa em 2009 (-0,2%) e voltar a valores positivos (1%) em 2010. Eis o país que Sócrates lega aos vindouros. Julgo que não são precisas mais palavras.
 



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Terça-feira, 02.06.09

Para alegadamente tentar salvar a TAP, o Governo socialista decidiu criar um novo órgão na empresa, pomposa e sovieticamente designado de Comité de Reestruturação Económico-Financeira, que terá como objectivo auxiliar a empresa a "sair do vermelho", depois de prejuízos de 285 milhões de euros, em 2008. Este comité vai ser presidido por Carlos Veigas Anjos e vai ser composto por mais quatro elementos (Vítor Cabrita Neto, Luís Mnauel Patrão, Michael Conolly e Luís Rodrigues). Para acabar com a despesa o Governo criou mais despesa. Mais jobs para mais boys.
 



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Sexta-feira, 22.05.09

O director-geral da Volkswagen-Autoeuropa, Andreas Hinrichs, anunciou hoje que se quer reunir de novo com os trabalhadores para retomar as negociações. Considerando a situação em que se encontra a indústria automóvel, penso que a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa deveria ser a primeira a ter consciencia social e pensar nas dezenas de milhar de postos de trabalho que se perderão nas empresas fornecedoras se as suas reivindicações forem de tal ordem que provoquem o fecho da empresa. Ou não?...



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Os brasileiros costumam dizer que crise não é quando você deixa de pagar; crise mesmo é quando deixa de encomendar. Ei-la.


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publicado por Jorge Ferreira às 15:01 | link do post | comentar

O que nos vai acontecer depois da crise passar, já sabemos, muito tempo depois da crise começar a passar nos países mais desenvolvidos? Eu receio que a recuperação da crise vá ser muito mais penosa para mais portugueses do que está a ser a crise propriamente dita.

 

Bem sei que as empresas fecham, estamos no limiar do meio milhão de desempregados, a dívida pública está astronomicamente descontrolada e o défice volta a disparar. Mas esta crise tem uma contradição essencial: por estranho que possa parecer a quem com ela mais sofre, os portugueses e as famílias que conseguem conservar o emprego até têm tido um aumento de rendimento disponível, muito por causa da queda abrupta dos juros do crédito à habitação que fez diminuir substancialmente as prestações mensais dos empréstimos para a compra de casa.

 

Sem que a despesa corrente do Estado tenha diminuído, o Governo desatou a gastar mais, injectando dinheiro, muitas vezes sem resultados aparentes, em empresas que acabam por fechar, e gastando também para disfarçar a crise. E prepara-se para gastar milhões no TGV e no aeroporto, que não só não têm efeitos imediatos no combate ao desemprego, como também só se vão sentir na despesa quando estivermos a sair da crise.

 

Neste momento as receitas fiscais caiem a pique devido por causa da recessão. O Governo admite um défice de 5,9% e a Comissão europeia aponta para 6,5%. E o que faz o Governo? Não admite. Outra vez não admite e tenta esconder a cabeça na areia. Exactamente como fez com a crise. O ministro das Finanças disse que "a correcção do défice não tem que implicar, em Portugal, um aumento de impostos, uma vez que avançámos com reformas de impacto decisivo na contenção da despesa", afirma o ministro, dando como exemplos as reformas da Segurança Social, da Administração Pública, da Saúde e da Educação. Falso. Começaram mas ficaram a meio, lá está, porque este ano há eleições.


Bruxelas diz que o peso da dívida pública na criação de riqueza em Portugal passará de 66,4% em 2008 para 75,4% este ano e para 81,5% em 2010. Teixeira dos Santos admite que a "redução a prazo" da dívida "exige a redução do défice orçamental para um nível próximo do". E como será isso possível? Diz o ministro que através do crescimento. Mas como para o Governo esse crescimento se fará à custa de investimento público, a solução Teixeira dos Santos é a pescadinha de rabo na boca.

 

Quando a crise passar, o que vai acontecer é que das duas, uma: ou se faz a reforma da despesa, que implica a reforma do Estado e do contrato social entre o Estado e os cidadãos, o que é impopular e difícil com os ciclos eleitorais vigentes (e nem o PS nem o PSD o querem), ou se aumentam os impostos para, mais uma vez por via do pesadelo fiscal, resolver o problema do défice. Só que o aumento de impostos vai sobrecarregar sobretudo quem tem rendimento e, por isso digo que o depois do adeus à crise vai ser outro calvário.

 

Claro, há sempre a “via Paulo Rangel”: combater a crise com os fundos europeus, isto é, pôr os fundos europeus a pagar a crise, como se diz no seu infeliz cartaz de campanha para as eleições para o Parlamento Europeu. É a proposta da preguiça e da irresponsabilidade nacional. Continuar a viver à custa de alguém. Só que não me parece que os fundos europeus possam servir para financiar o monstro público que, com método e preserverança construímos nas últimas décadas.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



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Quinta-feira, 21.05.09

O conselho de administração do Banco de Portugal não terá aumentos salariais este ano, nem aumento relativos a 2008, recuando na decisão anterior de proceder a uma actualização salarial de 5%. Esta é uma oportunidade perdida. Dar o exemplo era aproveitar para baixar os salários, em atenção à crise profunda que o país vive. Estes semi-exemplos devem ser vistos à luz dos salários de que estamos a falar...
 



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Terça-feira, 19.05.09

O crédito concedido pela banca a particulares aumentou 4,3%, em 2008, segundo o Banco de Portugal, o nosso Instituto Nacional de Estatística-2. Esta evolução representa uma forte desaceleração face ao comportamento do sector nos últimos sete anos, em que os crescimentos andaram sempre perto dos 10%. O que é espantoso é que ainda assim o crédito a particulares ainda conseguiu aumentar 4,3%! Mudar de vida é mesmo difícil.
 


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Sexta-feira, 15.05.09

A economia portuguesa recuou 3,7% no primeiro trimestre de 2009 face a igual período do ano passado, naquele que é o pior resultado desde pelo menos 1977, segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat e pelo INE. O desemprego já roça os 9%. Um estrondo que reconduz a economia para os idos de setenta. O pior é que com este Governo, se sairmos da crise, fá-lo-emos com a sreceitas esquerdistas dos idos de setenta. Isto é: os problemas fundamentais continuarão.
 



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Quinta-feira, 14.05.09

Cavaco Silva está a revelar-se um brincalhão. Apesar das suas preocupações sobre o futuro sombrio da Pátria, o Presidente, volta não volta, decide desopilar. É humano, é compreensível. Aturar José Sócrates e o seu desgoverno trapalhão não deve ser fácil. Numa conversa com os jornalistas que o acompanham na visita de Estado à Turquia, e questionado sobre a manutenção de Lopes da Costa na Eurojust, o Presidente respondeu com uma graça: “Essa sua pergunta não é ‘just’ mesmo quando o espírito é euro, ou seja europeu”. A pergunta era se a credibilidade de Portugal numa organização como a Eurojust não seria afectada depois de ter sido aberto um inquérito a Lopes da Mota. Tudo isto está certo. Resta saber se esta postura tem a ver com a impotência política que Cavaco Silva está a sentir para corrigir certas coisas ou se é mesmo sentido de humor. Haja quem consiga tê-lo nos tempos que correm...
 



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Quarta-feira, 13.05.09

José Sócrates, anunciou esta tarde que o Governo fez uma proposta para a compra da companhia de seguros de crédito à exportação Cosec. O Governo anda a reboque de Basílio Horta, afinal um expert de investimento mas do público e não do privado, como era suposto..., que já o tinha defendido. Parabéns portugueses! Ides passar a ser proprietários da COSEC. Grande país...
 



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Quinta-feira, 23.04.09

O desemprego subiu 23,8% relativamente ao primeiro trimestre do ano passado. Reacção oficial, já estou mesmo a ver: podia ser pior, 30, 40....



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Quarta-feira, 22.04.09

Para o FMI não são 3,5% como para o Banco de Portugal, são 4,1%. O desemprego dispara. E a recessão não é só para 209. É também para 2010. Mais más notícias sobre a economia portuguesa e a vida dos portugueses. A solução para Sócrates passará a ser não um, mas dois TGV's?...



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Terça-feira, 14.04.09

O Banco de Portugal reviu hoje em baixa a previsão para a evolução da actividade económica em 2009, antecipando agora uma contracção de 3,5% no Produto Interno Bruto. Depois de sucessivas tentativas de dourar a pílula o Banco Portugal rendeu-se à realidade. Falta o Governo. Esta previsão significa que em termos práticos voltámos à situação económica de 1975, o glorioso ano do gonçalvismo comunista. Outro feito histórico do PS (Partido de Sócrates).
 



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Segunda-feira, 13.04.09

Dirá o Governo, provavelmente pela voz do seu preclaro ministro da Economia: "É preciso rigor jurídico! Não se trata de despedimentos, mas apenas da não renovação de contratos, nos termos da lei".



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A taxa de inflação homóloga em Portugal no mês de Março atingiu pela primeira vez em mais de 40 anos um valor negativo, ao fixar-se em menos 0,4 por cento, segundo dados divulgados hoje pelo INE. Mais uma vez o Governo do PS consegue fazer história, como José Sócrates tanto gosta de assinalar. Desta vez, conseguiu pôr Portugal no ano de 1969 em termos de inflação homóloga. Claro: a culpa é dos céus.
 



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Sexta-feira, 27.03.09

A crise financeira internacional foi criada por “gente branca e de olhos azuis”, acusou ontem o Presidente brasileiro, Lula da Silva. Ao lado do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, de visita a Brasília, Lula afirmou: “Não conheço nenhum banqueiro negro ou índio”, cita o jornal “Estado de São Paulo”. Ora aí está um racista de se lhe tirar o chapéu... Imaginem que tinha sido o Papa, um presidente americano ou um líder europeu ou até Le Pen a fazer uma afirmação destas, simetricamente, está claro, não faltaria. Aguardo com expectativa as reacções indignadas das esquerdas politicamente correctas e fracturantes sobre este dislate. Ignora-se se esta afirmação foi proferida depois de algum almoço ou jantar bem regado...
 


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publicado por Jorge Ferreira às 10:04 | link do post | comentar

Um pouco por todo o país as autarquias locais vão aprovando medidas contra a crise. Para não fugir à regra também a Câmara de Aveiro aprovou, esta semana, catorze (podiam ser doze, treze, quinze…), medidas de apoio a instituições e famílias, congregadas num documento a que chamou de Plano de Respostas às Famílias e Pessoas em Conjuntura de Crise.

 

O plano inclui, para além do congelamento do aumento das rendas de habitação social, das tarifas relativas ao abastecimento de água, saneamento e resíduos sólidos urbanos, a promoção de habitação a custos controlados para jovens e o reforço das políticas de apoio às famílias, entre outras medidas.

 

De caminho, a Câmara autarquia decidiu enviar para as IPSS mais 28 mil euros, e decidiu ceder terrenos e apoio na elaboração de projectos de arquitectura. Os equipamentos de apoio social, património natural, cultural e urbanístico receberão estagiários em situação de desemprego prolongado e será criado um gabinete de apoio aos desempregados (para quê, se existem os centros de emprego?!...). A Câmara não esclarece, no entanto, porque é que a acção deste Gabinete de Inserção Profissional vai incidir apenas nas freguesias de Nossa Senhora de Fátima, Nariz, Requeixo e Eirol, deixando as restantes de fora…


Para além de congelar os aumentos das rendas e das tarifas de água, saneamento e resíduos sólidos urbanos, a autarquia decidiu também “não reflectir na factura do consumidor a Taxa de Recursos Hídricos que a Administração Regional Hídrica do Centro começou a facturar desde 1 de Julho de 2008, manter um tarifário com base em escalões de forma a não penalizar as famílias de menores recursos e manter um tarifário específico para as famílias numerosas”. Pelos vistos as taxas estão demasiado altas e podem e devem baixar, diminuindo, assim, a carga fiscal exagerada sobre os cidadãos e as empresas que todos dizem querer apoiar…


Outra das medidas, que já tinha sido anunciada antes da criação do plano e que, consequentemente, está abusivamente metida no plano anti-crise, tem a ver com a promoção de habitação para jovens, através de um protocolo de cooperação entre o município e empresas do ramo imobiliário (Como? Entregando dinheiro às empresas que constróiem?... Com que critérios?). Para os mais velhos será criado um cartão que irá assegurar um conjunto de regalias (quais?...) e possibilitar o encaminhamento para as IPSS que trabalham com a população sénior.


O plano anti-crise aprovado pela Câmara prevê também a criação de um Gabinete de Apoio ao Emigrante para prestar apoio nas áreas social, jurídica, económica, de emprego (outra vez…) e educação, que funcionará no Gabinete de Atendimento Integrado da Câmara, em articulação directa com a Direcção Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas. Deverá também ser posto em funcionamento um serviço de aconselhamento a famílias e pessoas em situação de sobre-endividamento.

 

Lê-se o rol e o espanto é inevitável. Percorrem-se os sítios das autarquias na Internet e as medidas parecem tiradas a papel químico umas das outras. Criação de gabinetes, isto é, mais burocracias, mais papéis, mais despesa corrente, muitas vezes em sobreposição com outros serviços da Administração Pública já existentes. Redução ou isenção de taxas municipais. E cabe perguntar: se é preciso uma crise deste tamanho todo para isto então é por que estas medidas são todas possíveis e deviam ter sido tomadas sem crise!

 

É evidente que o plano que a Câmara aprovou não passa, por enquanto, de um simples discurso escrito. Não está quantificado, não está calendarizado, não se sabe quanto vai custar, não se sabe quanto tempo durará, nem se sabe quando começará.

 

Enfim, ano de eleições…

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

 


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Domingo, 22.03.09

Uma vez vi o actual Presidente da CIP defender no Prós & Prós a nacionalização temporária (como se o Estado saia de alguma coisa sem ser à força...) da economia. Apanhei um susto, porque, por momentos, pensei estar a ouvir Carvalho da Silva. Agora, o mesmíssimo Presidente da CIP diz que Portugal precisa de um Governo de centro. Ora, Portugal nunca teve outra coisa senão isso. Quem te viu e quem te vê, CIP....



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A responsável do Conselho Económico Consultivo do presidente norte-americano disse hoje que o Governo precisa da ajuda dos investidores privados na compra de activos tóxicos que estão a sobrecarregar os balanços dos bancos. Afinal, parece que o Estado não dá para tudo, nem em momentos de crise. Afinal, parece que é necessário regressar ao neo-liberalismo. Foi manifesta exagerada a notícia da ressurreição das nacionalizações e do socialismo de Estado...
 


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Sexta-feira, 20.03.09

As preocupações com a pobreza costumam ser proporcionais à intensidade das crises económicas e sociais. Estes momentos são pasto fácil para o oportunismo e a demagogia na busca do voto. É frequente ver governantes e ex-governantes dom retóricas sobre a pobreza nos momentos de crise económica e social aguda, como aquela em que actualmente vivemos.

 

A verdade é que não fora a acção de inúmeras instituições privadas que dentro e fora das crises ajudam quem precisa e há sempre quem, a pobreza seria um fenómeno social ingovernável. Quanto ao Estado, a verdade também é que a pobreza não se remedeia, evita-se. Evita-se com políticas acertadas de criação de condições para investir, para criar emprego e riqueza.

 

Em momentos como este, em que há cada vez mais desempregados, mais fome e mais miséria, ninguém presta atenção a qualquer discurso que não passe pelas ajudas do Estado: mais subsídios, mais ajudas, mais dinheiro do Estado para quem precisa. Quando é sabido que o mesmíssimo Estado não aproveita os momentos que pode para facilitar a vida às empresas, para aliviar a carga fiscal aos investidores, para mudar leis do trabalho que desincentivam o emprego, para acabar com licenças inúteis, para acabar som subsídios de preguiça a quem é pobre porque apenas não quer trabalhar.

 

Existe um bom barómetro político desta atitude hipócrita e anti-social relativamente ao desemprego e à pobreza. O Partido Comunista, poucos se lembrarão, fechou um jornal, o célebre Diário, e vendeu uma editora, a Caminho, sem preocupações de manutenção de emprego dos respectivos trabalhadores ou quaisquer outras. E, todavia, exactamente o Partido Comunista faz gala de manifestações, protestos e indignações com o desemprego dos trabalhadores dos outros e com a pobreza dos outros. Sem que ninguém ouse sequer confrontá-lo com os seus comportamentos.

 

O Governo, esta semana, mais uma vez a reboque dos acontecimentos foi ao debate quinzenal apresentar medidas de socorro avulsas e, aliás, baratinhas, para tentar corrigir o monumental erro que cometeu ao admitir a gravidade da situação tardiamente, como se Portugal fosse hoje a segunda versão do oásis da crise social dos anos noventa.

 

E, quando voltar o tempo das vacas gordas, tudo voltará ao mesmo. Ninguém, então, e de novo, se preocupará em tomar as medidas necessárias para garantir mais e melhor produtividade e criação de riqueza. É a sina lamentável de um país mal governado e em que a oposição consegue ser tão medíocre quanto o Governo.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

 



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Quarta-feira, 18.03.09

Eu bem digo que isto só lá vai com o terceiro Orçamento. O índice de confiança caiu 54% em Janeiro. Histórico, Eng. Sócrates, mais um histórico...



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Terça-feira, 10.03.09

O crescimento mundial poderá ser pela primeira vez em mais de 60 anos negativo este ano e os efeitos da crise serão particularmente severos em África, alertou hoje o director-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn. Isto é: desde a ressaca da II Guerra Mundial que a economia mundial não estava tão mal. Porque não existe procura. Porque não existe confiança. Porque não há dinheiro. Porque o pessoal tem vivido acima do que pode, ou seja, do que produz. Ou será que houve a III Guerra Mundial e eu não dei por nada?



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Quarta-feira, 25.02.09

O PSD decidiu atacar as auto-estradas de Sócrates na crise, depois de ter construído ele próprio auto-estradas noutra crise, na década de noventa. Cá para mim, a política de Sócrates para perceber e combater a crise não precisa de tanto adjectivo, de tanta imaginação, de tantas figuras de estilo, como Paulo Rangel julga que tem de usar nos debates quinzenais para fazer títulos de jornal. Basta uma palavra: incompetencia.



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Quarta-feira, 18.02.09

Com a ajuda prestimosa e militante de muitos e com a cumplicidade involuntária de outros tantos, JoséSócrates tem conseguido impôr desviar as atenções do que não lhe interessa que o país discuta. O tema da moda´são os homossexuais. O país está de pantanas, o Governo não sabe o que fazer, mas devagar, devagarinho, a agendinha de assuntos secundários do líder de um terço do PS lá vai levando a água ao seu moinho.



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Terça-feira, 17.02.09

A zona euro tornou-se na zona neuro.


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publicado por Jorge Ferreira às 15:08 | link do post | comentar

A taxa de desemprego aumentou uma décima entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, para 7,8 por cento, não reflectindo ainda a onda de desempregados do início de 2009. Comentará o José Sócrates da oposição: "isto é uma vergonha para qualquer país decente e civilizado". Comentará o actual Primeiro-Ministro: " Graças às políticas deste Governo o desemprego está a crescer menos do que nos outros países afectados pela crise".



publicado por Jorge Ferreira às 11:34 | link do post | comentar

Sexta-feira, 13.02.09

Cavaco Silva diz que o país não pode "baixar os braços" face aos números absolutamente deprimentes divulgados hoje sobre a economia portuguesa. Da ginástica da crise passa assim a fazer parte o levantar dos braços. O Presidente, aliás, tem muita ginástica à sua espera. É melhor preparar-se para promulgar o terceiro Orçamento do Estado para este ano...



publicado por Jorge Ferreira às 13:09 | link do post | comentar

A economia portuguesa contraiu-se 2% no quarto trimestre de 2008, face ao trimestre anterior, o que contribuiu decisivamente para a variação nula do PIB no conjunto do ano, anunciou hoje o INE na sua estimativa rápida. Todos viam o que estava a suceder menos o Governo. Eis a prova de que como o Governo reagiu tarde de mais para quem tem a responsabilidade de governar e ainda por cima tem acesso privilegiado à informação.
 



publicado por Jorge Ferreira às 11:33 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.02.09

O Governo aprovou hoje o aumento da licença parental para seis meses, subsidiando com 83% do salário bruto, mas que atingirá 100% se a licença for de cinco meses partilhada por pai e mãe. Conclusão: crise para o Governo é só milhões. Tirando isso é o bodo aos pobres em ano de eleições. Trabalhar cada vez menos, mandar vir contra os ricos, sempre em festa. Uma irresponsabilidade política total que sairá muita cara. A todos e não apenas a quem votar em José Sócrates.
 



publicado por Jorge Ferreira às 16:26 | link do post | comentar

Terça-feira, 10.02.09

"É até muito estranho que pelo Mundo fora se tente ultrapassar a crise injectando riqueza que não produzimos. Tendo em conta que a gravidade desta crise tem muito a ver com o facto de milhões terem andado a gastar o que não tinham, a sensação que fica é que estão a tratar da cirrose de um alcoólico com mais uma garrafa de vinho e outra de uísque."

Paulo Baldaia, no Jornal de Notícias (Via O Insurgente)


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publicado por Jorge Ferreira às 10:02 | link do post | comentar

Sexta-feira, 06.02.09

O Governo tem derramado milhões sob várias formas jurídicas sobre a crise e sobre as empresas em dificuldades. José Sócrates tem afirmado que o Governo apoiará todas as empresas em dificuldades que puder. Não explicou ainda, todavia, como é que vai fazer isso. Com que dinheiro e com que critério, visto que é virtualmente impossível o Governo cumprir em sentido literal mais esta promessa espúria, demagógica e inconsequente.

 

Se o Governo quisesse mesmo ajudar a economia e as empresas devia começar por devolver o bom nome ao Estado. E para dar bom nome ao Estado, um gigantesco devedor e incumpridor para com particulares e empresas, o Governo devia começar por pagar as suas próprias dívidas, que ascendem a cerca de três mil milhões de euros, que representam 1,75% do PIB.

 

É que esta maneira casuística de gastar milhões que saem dos depauperados bolsos dos contribuintes pode dar nisto: no dia 21 de Março de 2007 José Sócrates presidiu à assinatura de um contrato de investimento na multinacional Qimonda, no valor de 70 milhões de euros numa nova fábrica. "Este investimento é uma prova de confiança em Portugal, na nossa economia e, em particular, na capacidade e competência dos portugueses", afirmou então José Sócrates, presente na apresentação do novo projecto da Qimonda.

 

Manuel Pinho, dono de um insuperável triunfalismo a cada passo desmentido pela realidade, lembrou na altura que a nova unidade produtiva, que Vila do Conde "ganhou" a Dresden (Alemanha) exportará mais 300 milhões. O Primeiro-Ministro destacou também a importância do projecto, não só pela dimensão, mas pela sua "intensidade tecnológica", que colocaria, "mais uma vez", o país na "vanguarda tecnológica" das energias renováveis. José Sócrates lembrou que 2007 foi o primeiro ano em que "Portugal vendeu mais tecnologia do que aquela que importou", números para os quais muito contribuiu a Qimonda. Na área "das renováveis" - "uma aposta estratégica do actual Governo" -, lembrou que em três anos, o país conseguiu criar um cluster na energia eólica e estaria a preparar-se para exportar tecnologia na área da energia solar.


Já depois da crise ter rebentado em todo a sua pujança, em Dezembro passado, a Caixa Geral de Depósitos prometia injectar 100 milhões na empresa.

 

Entretanto, os credores do Estado asfixiam, definham, desempregam e fecham. Não há voluntarismo de Sócrates que lhes valha. Muitos nem sequer têm direito a uma linha de jornal. São as tais micro, pequenas e médias empresas que empregam 90% da população activa. Todos os dias temos sido submersos por ondas de notícias de despedimentos, de falências, de insolvências. Milhões para que vos quero…

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

(Foto)

 

 



publicado por Jorge Ferreira às 00:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 05.02.09

Qualquer dia os bancos ainda nos vão pagar para pedirmos dinheiro emprestado...



publicado por Jorge Ferreira às 17:06 | link do post | comentar

Basílio Horta, um centrista repescado pelo situacionismo socialista para o aparelho das nomeações, confessou a verdade.: "Não sabemos o que havemos de fazer mais" . Já tínhamos percebido. O presidente da Agência Portuguesa para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta, comparou hoje a crise internacional a um "abalo de terra" contra o qual não se vislumbram soluções. O problema é que enquanto o Estado e as instituições não mudarem os paradigmas que conduziram à crise não se conseguirá ver a luz ao fundo do túnel. E a verdade é que não há sinais de mínima vontade de mudar esse paradigma.


publicado por Jorge Ferreira às 17:00 | link do post | comentar

Lá como cá:

 

"El presidente del Banco Santander argumenta que la actual coyuntura económica imposibilita conceder créditos. En su opinión, ve "irresponsable" dar préstamos a quien no puede pagarlo.De esta forma, Emilio Botín se defiende de las críticas del Gobierno a los bancos por no prestar dinero. El pasado lunes, el presidente del Ejecutivo, José Luis Rodríguez Zapatero, se volvió a reunir con los grandes de la banca para reiterarles la necesidad de facilitar el acceso al dinero a las familias y empresas. De hecho, el miércoles la Cámara de Comercio dijo que una de cada cinco pymes no consigue crédito de las entidades." (El Mundo).

 

Cá, temos o Primeiro-Ministro que diz o mesmo que Zapatero. Falta-nos é o banqueiro que diga o mesmo que Emílio Botin.

 


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publicado por Jorge Ferreira às 13:14 | link do post | comentar

Terça-feira, 27.01.09

Uma coisa é a crise. Outra coisa são casos de polícia. Seria muito vantajoso que o Governo não se aproveitasse da primeira, para resolver os segundos.



publicado por Jorge Ferreira às 19:19 | link do post | comentar

Sexta-feira, 23.01.09

O país tem sido diariamente assolado por péssimas notícias sobre a crise. Do rating às falências e ao desemprego, vivemos actualmente uma espiral que ninguém de bom senso sabe como e quando acaba. Diariamente temos também assistido ao triste espectáculo da diminuição do valor facial das declarações dos políticos. Dos que governam e dos que se opõem. A semana ficou ainda marcada pela ressurreição do caso Freeport e da desastrada e insegura reacção de José Sócrates. Nada habitual, de resto. Depois do caso da licenciatura, outra trapalhada se anuncia. É evidente que por enquanto há mais perplexidades que certezas. Primeira perplexidade: como é possível um inquérito destes estar a marinar no limbo da não existência durante quatro anos e ser necessário um pedido de autoridades estrangeiras para o inquérito andar? As diligências pedidas pelos ingleses não deveriam ter sido já feitas pelas autoridades portuguesas? E por que razão não o foram, quando é o próprio Sócrates a pedir rapidez, pasme-se!, no esclarecimento da situação? Segunda perplexidade: como é possível que o Primeiro-Ministro, um dos ex-ministros de António Guterres tenha implicitamente acusado as autoridades inglesas e o Ministério Público de se intrometerem nas eleições legislativas? Nervosismo? Insegurança? Esta semana horribilis de José Sócrates, coroada com a péssima notícia da Quimonda, mostra bem o quão conveniente é para o PS antecipar eleições. É que não vamos ter outro ano... e cada dia que passa é mais um churrasco que o assador produz.



publicado por Jorge Ferreira às 18:32 | link do post | comentar | ver comentários (1)

"Temos de pensar em medidas temporárias. Tenho muitas dúvidas que a descida generalizada dos impostos seja depois reversível", disse com a maior das calmas e tranquilidades, sabendo para que país fala, o ministro Teixeira dos Santos no Parlamento, na apresentação do segundo Orçamento de Estado para 2009. De passagem, o ministro acusou o PSD de eleitoralismo ao propor a baixa dos impostos, tal qual o PS faria se as posições se invertessem. A verdade é que nem um nem outro acreditam na iniciativa privada a sério e ambos, quando no Governo, têm aumentado brutalmente a carga fiscal sobre os cidadãos. Teixeira dos Santos, sabendo muito bem para que país fala, atreveu-se ainda a dizer que esta medida poderia comprometer o regresso, no futuro, à consolidação orçamental, acrescentando que o Governo já adoptou várias descidas pontuais de impostos, que representam mil milhões de euros. Por alguma razão o Finantial Times considera o actual ministro português das Finanças o pior de 19 Estados da União Europeia.

 
Sucede que, apesar do Primeiro-Ministro ter afirmado que desta vez as previsões são “sérias e responsáveis”, a verdade é que a Comissão europeia já se encarregou de desmentir novamente as previsões do segundo Orçamento para 2009, tal qual sucedeu com o primeiro Orçamento para 2009, que no momento em que estava a ser discutido foi destruído pelo próprio Governo com um pacote de medidas anti-crise que punham em causa a seriedade do documento.

 

Por outro lado, o aumento de despesa pública e o abrandamento da economia levam a despesa pública do Estado a pesar pelo menos 50% do PIB pela primeira vez na história. No primeiro Orçamento para 2009 o Governo fez uma batota aritmética. Alterou o método da contabilização das despesas no que diz respeito às contribuições sociais dos funcionários públicos. Esta alteração valeu um corte artificial nas despesas e receitas orçamentadas de 3.149 milhões de euros. O valor do défice ficou igual, mas o peso destas rubricas no PIB diminuiu, o que impossibilitava a comparação com 2008. A partir deste truque e sem que ele fosse visível a olho nu nos mapas do Orçamento o Governo, com as habituais trombetas da propaganda, vangloriava-se de ter conseguido passar o peso do Estado na economia de 46,1% para 46% em 2009 (como se 0,1% fosse um feito…). Mas a realidade, essa realidade que é a verdadeira líder da oposição em Portugal, está lá a trocar as voltas à propaganda financeira de Teixeira dos Santos. É que, considerando o valor de 2009 de acordo com os mesmos critérios utilizados em 2008, o peso do Estado na economia aumentaria, só por si, de 46,1% para 47,8%.

Actualizando a realidade com os dados do segundo Orçamento para 2009, e refazendo as contas temos de considerar que a economia terá crescido 0,3% em 2008 (e não os 0,8% que o Governo previa no primeiro Orçamento) e deverá, segundo o próprio Governo, baixar aos 0,8% este ano, o que não é certo, como o próprio ministro já admitiu, tendo em conta as tais previsões da Comissão Europeia, que apontam para uma baixa até aos 1,6%. Se assim fôr teremos que então o peso da despesa pública no PIB passou para 49,94% em 2008 e crescerá para 49,97% em 2009, chegando assim à barreira dos 50%.

Por último, a agência de notação financeira Standard & Poor’s decidiu também esta semana baixar a classificação que atribui ao risco de crédito do Estado português, passando o rating de “AA-“ para “A+”. As debilidades estruturais da economia portuguesa e as reduzidas expectativas de crescimento do país nos próximos anos são a principal razão para esta decisão que pode ter como resultado um agravamento dos juros a que o Estado obtém financiamento nos mercados internacionais. Mais contas para fazer, eventualmente num terceiro Orçamento de Estado, lá mais para o Verão e que mais uma vez vai agravar a dívida pública.

O rating de uma agência de notação financeira a um Estado mede o risco que existe de este poder vir a falhar um pagamento da sua dívida pública. Quanto mais baixo o rating, maior a ameaça considerada de se vir a registar no futuro uma falha no pagamento. Os ratings da Standard & Poor’s vão de “AAA” a “D”. A Standard & Poor’s tinha, durante a semana passada, lançado o alerta de que iria fazer uma análise mais aprofundada do rating português, com a possibilidade de realizar uma redução. Nas últimas semanas, esta mesma agência também decidiu baixar as classificações atribuídas à Grécia e Espanha.

O mesmo ministro das Finanças desculpou-se com a crise quando reagiu a esta péssima notícia. Mais uma vez passou ao lado da realidade e a realidade puni-lo-á por isso. As debilidades estruturais da economia portuguesa e o peso da dívida já vêm de trás, de muito antes de ter rebentado a crise. O que se passa é que o Governo andou a disfarçar e a crise desempenhou a função de demascarar a falsidade orçamental em que o país vivia.

Um país cuja dívida pública pesa 50% do PIB, o que significa que em cada dois euros que o país produz um é para entregar ao Estado e que tem uma carga fiscal tão penosa como é o nosso caso, não deve certamente as suas dificuldades ao neo-liberalismo, como está na moda dizer e José Sócrates não se cansa de comiciar sempre que pode. Deve-se, sim, ao socialismo, ao despesismo, ao estatismo e ao laxismo na utilização dos recursos públicos.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

 



publicado por Jorge Ferreira às 00:12 | link do post | comentar

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