Segunda-feira, 24.08.09

Esta é uma semana especial cá na casa. Porque é o último estertor das férias? Hum... não. Porque há bastos aniversários para assinalar na família? Hum... também não. Porque, porque, porque? Também não. É uma semana especial, porque é uma semana delituosa. Isso mesmo. Só isso. O Delito de Opinião escolheu o Tomar Partido para blogue em destaque esta semana. Podiam ter ficado por aqui e eu agradecia e ficava por aqui. Mas não. O Pedro Correia, amigo de há muitos anos, diria desde os bancos da Faculdade, achou por bem adicionar à escolha umas palavras em espécie de adjectivo, que muito me sensibilizaram e comoveram (coisas da idade...). Fiquei assim sem saber o que dizer. Sem jêto, como dizem os brasileiros. Obrigado Pedro!



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Sexta-feira, 31.07.09

... E votava nesta candidatura independente. O que se tem passado nesta freguesia de Lisboa é simplesmente vergonhoso. Com a complacência de CDS e PSD. Talvez os eleitores lhes dêem uma lição em 11 de Outubro e ponham gente séria na Junta de Freguesia. Força, Margarida! Para já, podem apoiar visitando o blogue da candidatura, o Compromisso Santa Isabel-2009.



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Sexta-feira, 19.06.09

Em breve darei novidades sobre Tomar. Mais um pouco de calma por favor. Eu prometo que conto tudo.


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Quarta-feira, 03.06.09

Hoje, gostava de estar aqui. Já que o corpo está longe, enviarei o espírito. Portugal é uma sociedade pequena e dependente. Precisa de opinião e de inteligência independente como de pão para a boca. Já do exemplar autografado, não prescindirei...



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Domingo, 03.05.09

Se há uma totalidade, é ser mãe. A um filho resta agradecer e tentar merecer.


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Segunda-feira, 06.04.09

Estamos bem um para o outro, oh António! Olh'ó António... olh'ó António...



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Domingo, 05.04.09

Se há pessoa que me desarma, que me deixa assim sem jeito, é a minha amiga Júlia. Para além de ser um Privilégio lê-la, agora promoveu-me a xódó, xódó vejam bem... dos blogues políticos, distinguindo o Tomar Partido com a insígnia que vai junta aqui do lado esquerdo desta entrada. Eu já nem consigo agradecer à Júlia. Apenas lhe digo que o privilégio de contar com a sua admiração é meu.



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Quarta-feira, 01.04.09

Para descongestionar deste sítio cada vez pior frequentado decidi dar um pulo à piscina. Esta é especialmente dedicada a uma pessoa que conheço e muito prezo que a esta hora deve estar a trabalhar. Força, José Manuel...


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Começaram hoje as minhas dores de cabeça particulares com as viagens de finalistas. Uf!... Programa: trabalhar intensamente para ver se o tempo passa mais depressa.


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Sexta-feira, 27.03.09

O Fumaças fez ontem seis anos! Está de parabéns o João Carvalho Fernandes, a quem, aliás, devo a iniciação nestas traquitanas dos blogues. Seis anos é obra, num mundo tão volátil como é o mundo dos blogues. Que não lhe faleça a preserverança e que venham pelo menos mais seis.



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Segunda-feira, 23.03.09

Sou amador de várias coisas, no sentido de que gosto de várias coisas sem disso fazer profissão nem auferir rendimento. Mas a idade tem-me feito amador de coisas de que não era e também me tem eliminado alguns interesses do passado. Talvez que com a idade comecemos a precisar de fixar melhor os momentos, as emoções, os rasgos que presenciamos. Pessoas, acontecimentos, uma simples luz. Por isso se desenvolveu uma tendencia amadora para a fotografia. Vai daí, muni-me, amadoristicamente está claro, do indispensável instrumento e toca a começar. Um dia destes darei mais notícias.

 

(Foto)



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Hoje vou estar aqui. E na quarta-feira estará lá também um conhecidíssimo administrador da Fomentivest...


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Quinta-feira, 19.03.09

... mas hoje é Dia do Pai e tê-lo e sê-lo é verdadeiramente "o" estado de alma.


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Segunda-feira, 16.03.09

Regresso às aulas não é quando um homem quiser, é quando um homem puder. Para mim, é hoje.


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Sexta-feira, 13.03.09

estarei então.



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Quinta-feira, 12.03.09

                                    JOÃO MESQUITA, 1957-2009

(Foto)



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Quarta-feira, 11.03.09

Eu não sei que desafio é que conseguiu desbloguizar o Rui Castro. Só sei que a desbloguização do Rui é uma perda. Conheci-o por causa dos blogues e agradeço aos blogues tê-lo conhecido. Esperando sinceramente que ele não tenha saído de um 31 para se meter noutro, desejo-lhe muita sorte. E que rebloguize depressa, sobretudo. Já agora uma pequena provocação: espero que o tal novo desafio não seja o tal partido novo que se diz nos mentideros que o José Ribeiro e Castro está a tentar fundar... é que isso seria sair de um 31 para um 62...



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Terça-feira, 10.03.09

O J. M. Coutinho Ribeiro pede-me (pareceu-me ver um pedido de ajuda de quem pensa o mesmo mas hesita no destino...) sugestões para emigrar. Se o paraíso existisse na Terra certamente estava super-lotado a esta hora. Tem-me ocorrido a Nova Zelândia, país que, segundo as notícias que me chegam funciona razoavelmente e até vai pagar uma indemnização histórica de 121,4 milhões de euros às tribos maoris, a título de direitos de autor, pela utilização dos seus cânticos guerreiros. O mais conhecido desses cânbticos é a Haka, celebrada pela equipa de raguebi neo-zelandesa. Gente civilizada, como se vê, e com elevada consciência jurídica... É uma ideia. (Foto)



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Segunda-feira, 09.03.09

O Tiago Moreira Ramalho pediu-me, há tempos, para enunciar seis particularidades. Nem todas serão particulares em sentido estrito, visto que há mais quem as tenha, mas cá vai: gostava de experimentar a emigração um dia destes, adoro beber cafés, gosto de fumar, partilho o gosto de Fernando Pessoa com o Tiago, deixei de gostar de ir ao futebol e detesto piqueniques. E agora, um extra: continuo a gostar de sentir o papel dos jornais nas mãos.



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Quinta-feira, 26.02.09

UMA TARDE, DOIS LIVROS, TRÊS CONVIDADOS. O que será?



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Quinta-feira, 19.02.09

Obrigado, Nuno.



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O Parlamento Europeu aprovou hoje, em Bruxelas, uma resolução sobre a utilização de países europeus pela CIA para transporte e detenção ilegal de prisioneiros, sem qualquer referência específica a Portugal, suprimida por iniciativa da delegação do PS. O PS suprimiu Portugal. Aliás, o PS, cá dentro e lá fora não tem feito outra coisa do que suprimir Portugal. Nem que para isso tenha que suprimir a vergonha e recorrer à mentira e à ocultação. Este PS precisa de ser também suprimido. Quanto ao conluio do centrão de que fala Ana Gomes, ele funciona sempre que é preciso encobrir. Funciona no Parlamento Europeu e funciona em Portugal. Também já provei desse conluio no inquérito parlamentar das privatizações do Banco Totta & Açores e da Mundial Confiança.



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UMA TARDE, DOIS LIVROS, TRÊS CONVIDADOS. O que será?



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Terça-feira, 17.02.09

A Fátima Pinto Ferreira desafiou-me para enunciar seis particularidades de um rapaz moreno (embora agora não se note lá muito...). Cá vai: benfiquista, bloguista, com pavor de dentistas, fumador, militante do cozido à portuguesa e da feijoada à transmontana, leitor compulsivo. Quanto ao carácter, sempre tive um certo pudor de falar. Deixo por conta de terceiros, para o bem e para o mal. Para a identificação base comunico que sou Virgem no zodíaco ocidental e Búfalo na astrologia oriental.



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Sexta-feira, 13.02.09

UMA TARDE, DOIS LIVROS, TRÊS CONVIDADOS. O que será?



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Quarta-feira, 11.02.09

A vida dá muitas voltas. Vai e vem. Volta e vai. Anos passam e tudo acontece. Zangas e conflitos. Afastamentos sem razão. Algumas intrigas com consequência. Dá mesmo gozo é quando se percebe que depois das zangas, dos afastamentos, das intrigas, uma amizade sobreviveu. Desde que não se tenha tocado no essencial de cada um, porque na verdade gente existe também que não interessa nem ao Menino Jesus. Felizmente são raros estes. E eles sabem quem são. E quando se aprende a ver a vida de outro prisma, do prisma do importante em vez do urgente, sabe bem perceber quem fica à tona da amizade desinteressada. Da que dura para lá de tudo. Foi hoje ao almoço, como poderia ser amanhã ou depois. A intemporalidade é o encanto da amizade.


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Domingo, 18.01.09

Hoje é Domingo, 18 de Janeiro, décimo oitavo dia do ano. Faltam 347 dias para o final de 2009. O dia é dedicado a Stª Margarida da Hungria, virgem. A Lua atinge o Quarto Minguante às 02:46. O Sol nasce às 07:52 e o ocaso regista-se às 17:43. No porto de Lisboa, a preia-mar verifica-se às 08:27 e 21:00, a baixa-mar, às 01:49 e 14:22. Os nascidos nesta data pertencem ao signo Capricórnio, destacando-se o estadista norte-americano Daniel Webster (1782), os actores Cary Grant (1904) e Danny Kaye (1913), o historiador de arte norte-americano Kirk Vardendoe (1946) e o tenor alemão Christoph Prégardien (1956). E o nascido nesta data mais importante de todos é o meu Pai, que completa 74 deliciosas e pujantes primaveras.
 



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Sábado, 10.01.09

O que se esperava aconteceu: o Abrantes F. C. foi suspenso por dois anos das provas federativas, tem multas para pagar, um passivo de 200.000 euros para regularizar e foi despejado do Estádio Municipal pela Camara por falta de pagamento de rendas. É apenas mais uma história como tantas outras no futebol português. Chega um génio faz-tudo ao clube e desata a contratar jogadores e despesa, com mais olhos que barriga. Obtém resultados e uma ascenção meteórica dos distritais à II Divisão. Um dia chega a factura e o bébé cai nos braços de um homem sério, o meu amigo Alberto Lopes, ainda hoje presidente do clube. Por contingências da minha vida profissional pude acompanhar o esforço diário para aguentar o barco. Ao ponto de o próprio presidente se tornar um credor do clube. Movem-se montanhas para acabar com os rabos de palha mas a tarefa revela-se impossível. Dívidas caiem sobre dívidas, processos de jogadores a exigir pagamentos em atraso uns atrás dos outros. O génio da despesa anda por aí como se nada fosse. O clube está nas lonas e Abrantes, que tanto precisava do Abrantes F. C., está mais pobre. Daqui envio um abraço ao Alberto. O futebol português não seria a casa de má fama que é se houvessem mais como ele.

(Alberto Lopes)



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Quarta-feira, 31.12.08

Não sendo possível saltar já para 2010, desejo a todos os que visitam e não visitam o Tomar Partido um excelente Ano Novo.


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Domingo, 21.12.08

Sábado à tarde solarengo em Lisboa, nas Amoreiras. Muitas e desvairadas gentes atravessam-se em destinos que se cruzam apenas nos corredores e se desvanecem quando se traspõem as portas da rua. Ex-banqueiros e seus advogados saiem a meio da tarde, indiferentes às compras e às músicas de Natal que não páram de tocar. Acusados de ter cometido infracções, terão que se defender, sem horário nem calendário. Gente feliz com sacos leva tudo à sua frente, num irritante autismo, quase agredindo com os seus sacos e as suas malas de compras quem tem o azar de não perceber que não pode pura e simplesmente andar nas Amoreiras mas sim fazer autênticas gincanas. No éter, oiço Pacheco Pereira explicar como as canções de Ágata são retratos sociais de uma época e falavam de problemas do dia-a-dia das pessoas e como esse era o segredo do seu sucesso. Fico a saber que não tem preconceito contra a música pimba. Oiço o "Mãe Solteira" e fico a saber pela milésima vez que posso ficar com com a casa, com o carro, mas não fico com ele. Em seguida Pacheco Pereira decreta a morte da filatelia com os novos costumes do e-mail e do sms e com a rarefacção da utilização das estampilhas postais, vulgo selos. Também eu fui filatelista amador e gostei de recordar os tempos do selo. Este programa de Pacheco Pereira no Rádio Clube foi-me da maior utilidade. Permitiu-me descansar da memória do homem que vira, minutos antes, tombar, redondo no chão, de inanição. Tão simples quanto isso. Um homem, já idoso, rosto marcado indelevelmente pelas agruras da vida, com um porte de uma dignidade incrível, que caía ao chão (vi duas vezes), apenas porque ainda não tinha comido nada ontem. Era apenas fome. Apenas. Recusou ambulância, recusou médico. Ajudado pelos seguranças do centro comercial em deriva humanitária, sentou-se numa cadeira esperando o regresso das forças que lhe permitissem andar. A Margarida, de lágrimas nos olhos, foi-lhe comprar um pacote de leite, que lhe deu a beber, antes de desabafar em português vernáculo contra o mundo que permite que estas pessoas estejam a viver assim. Foi o inesperado pequeno-almoço do homem por volta das cinco da tarde. Compreendo muito bem que a Margarida não sinta Natal. É realmente muito difícil. A fome daquele homem não estava escrita na cara, nem vem nas estatísticas da desigualdade social do INE de 2006 com que Sócrates discursou esta semana no debate parlamentar. Também não sei se aquele homem é funcionário público e vai ter acesso ao apoio que o Governo anunciou em exclusivo para funcionários públicos. Sei que no meu país a pobreza oculta-se mas vai matando lentamente.

 

(publicado em O Carmo e a Trindade)



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Terça-feira, 16.12.08

"Porque é munto fraca a memória na política e nos políticos", aqui deixo um texto de 31 de Janeiro de 2003, altura em que alguns já percebiam o que muitos outros têm percebido nos anos seguintes. E ainda hoje...

 

 

CARTA ABERTA AO CDS

 

 

1.Decidimos deixar o CDS e a razão é muito simples: continuamos a acreditar nos mesmos valores, nas mesmas ideias e nos mesmos pressupostos, que nos levaram um dia a querer intervir politicamente. Mas isso é hoje, na nossa opinião, incompatível com a manutenção neste partido.

 

Estar na Juventude Centrista, organização que nos recebeu quando ainda nem idade para votar tínhamos, depois no CDS e posteriormente no Partido Popular que ajudámos, com empenho e dedicação, a fundar, foi sempre sinónimo para nós de liberdade e diferença. Liberdade face ao sistema instituído e diferença face a uma prática política dominante, com a qual nunca nos quisemos identificar. Teve custos esta atitude!

 

Vimos muitos dos nossos concorrentes saltitarem de posição em posição, para, em nome de uma coerência muito privada, conquistarem o poder a qualquer preço; vimos ainda muitos outros atravessarem a fronteira da dita sociedade civil, para procurarem no mundo da política não os meios de defesa de um mundo melhor, mas apenas as condições para uma promoção social, profissional ou mesmo económica ou até por uma necessidade de imunidade; vimos também ser repetidamente confundida a política dos negócios, com os negócios da política, mas nenhuma destas circunstâncias nos demoveu, do caminho que tínhamos escolhido.

 

Não nos arrependemos! A política é, sempre foi e sempre será, para cada um de nós, um exercício de competição empenhado, mas ao mesmo tempo descomprometido. Empenhado, na medida em que nenhum combate pode ser travado sem ânimo e sem fé, descomprometido porque sendo o poder uma legítima meta a alcançar, ele não é em si mesmo nem o fim da política, nem o fim para aqueles que nela se movimentam. Esgotar a política, toda ela, na pura conquista do poder é resumi-la, uma vez alcançado esse poder, a toda a espécie de compromissos e jogos que conduzam à sua manutenção. Ora, olhando à nossa volta, sabemos ser isso que se passa, razão que leva aos sucessivos aumentos de abstenção e ao crescente desinteresse pela actividade dos políticos e dos partidos.

 

O que é verdade e lei na oposição, torna-se incómodo e esquecido no governo, o que é ponto de honra quando se está de fora do sistema não é mais do que uma questão a remeter para o esquecimento do passado, quando se alcança o poder e se é investido em funções governativas.

 

Acresce a estes factos, que a política perdeu alma, perdeu autenticidade e a crença em ideais foi substituída por um combate publicitário, em que tudo vale desde que útil à vitória.

 

 O Povo, esse desconhecido útil no momento do voto, torna-se então dispensável, sendo  imprescindível que a argumentação da conjuntura, dos meios encontrados e das condições adversas surja torrencial para calar críticas, para apagar reivindicações ou até para abafar perguntas sobre promessas que tardam em ser cumpridas. Tudo em nome do país ou até, para que a pompa seja mais conforme com a indumentária, em nome do Estado, precisamente para que quem ouse discordar sinta o peso da sua imensa responsabilidade.

 

2. Acontece que tendo o CDS chegado ao governo, o panorama não mudou. Um partido que lutou durante anos, ininterruptamente, pela mudança do sistema e pela afirmação livre de princípios políticos que sempre o autonomizaram, simplesmente soçobrou na exacta hora de demonstrar coerência na acção.

 

No plano das ideias políticas, nomeadamente na questão concreta do modelo de evolução da União Europeia, rendeu-se ao modelo do bloco burocrático de Bruxelas. É certo que pode ser conveniente, sob o ponto de vista táctico, que os seus mais empenhados dirigentes, à pressa, apareçam a jurar o contrário, mas a realidade não admite dúvidas. O bloco burocrático de Bruxelas viu aumentar, formalmente, a lista dos seus apoiantes;

 

No plano ideológico, ao nível nacional, quando se esperava que o CDS fosse no governo, a alavanca das verdadeiras mudanças, o que se assiste é tão só a uma acomodação perante o sistema, esquecendo-se que as mudanças não se alcançam pelo anúncio, pela mera propaganda ou pela intenção, mas pela sua efectiva concretização.

 

No plano da prática, face ao Estado e ao seu aparelho, quando se esperava, e até exigia, total diferença, a desilusão não pode ser maior. O CDS entrou no sistema, vive no e do sistema e como se isso não fosse já grave, degladia-se internamente na disputa de lugares e na distribuição de postos políticos.

 

Por último, no plano interno o CDS deixou de ser um espaço de liberdade. A democracia interna funciona apenas quando se está de acordo com a Direcção. Perseguem-se militantes disciplinarmente por delito de opinião. O CDS é hoje um partido que pratica dentro de casa o contrário do que defende para o Estado e para os outros.

 

Eis pois o cenário em que se realizará o próximo Congresso, ou melhor dizendo, a festa comício para aclamar o poder, só o poder, nada mais do que o poder.

 

Respeitamos que assim seja. A liberdade de que não abdicamos para discordar e sair é a mesma que assiste a quem desta forma hoje dirige o partido, e nele assim quer estar e continuar.

 

Registamos apenas que o espaço político que existe no país para a diferença deixou de existir e de estar no CDS.

 

Só que para nós esta hora chegou ao fim e é tempo de partir. Somos movidos pela mesma fé, pela mesma vontade, pela mesma coragem, pela mesma determinação com que lutámos no Partido Popular. Não prescindimos de lutar por Portugal, defendendo para ele e para quantos nele queiram viver, os ideais de Liberdade e de Justiça que orientam as nossas mais firmes convicções. Não cedemos, não recuamos, não desistimos. E por isso mesmo não confundimos os meios ou os instrumentos, com a própria ideia que temos da actividade política. É que enquanto para uns a política serve os Partidos, para nós os partidos estão ao serviço da Política.

 

Só assim vale a pena e porque assim é queremos começar já hoje a construir um novo futuro.

 

Lisboa, 31 de Janeiro de 2003  

 

 

Francisco Peixoto

Gonçalo Ribeiro da Costa

Jorge Ferreira

Nuno Correia da Silva

 


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Sexta-feira, 05.12.08

Cinco anos, foram quantos completou ontem o Tomar Partido. Em várias casas e com várias roupas diferentes, mas sempre a publicar. Obrigado a todos os que  vêm aqui ler os desabafos, os comentários e as piadolas. Confesso que já me apeteceu em momentos vários e por razões diversas ir variar a pevide para outro lado. Mas nunca fui e aqui continuarei. Pelo menos por mais uns tempos.



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Sexta-feira, 21.11.08

O livro de Rui Costa Pinto sobre os vôos da CIA já está à venda. Agora o meu "momento Magalhães": o Prefácio é meu e os curiosos, que presumo sejam algumas unidades, poderão saciar a sua curiosidade linkando aqui.



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Quinta-feira, 20.11.08

Pois é, caro José Paulino. Cuidadinho com as palavras que os tempos não vão com ironias... Se eu adoptasse a postura estúpida e oportunista vigente em relação a tudo o que Manuela Ferreira Leite diz, poderia agora acusá-lo de ter cometido a gaffe de me considerar "libertário", o que na gíria popular tem vários significados pouco abonatórios da personalidade e do comportamento dos humanos em território nacional. Mas esteja descansado. Percebi perfeitamente! É que um gajo, perdoe-se-me o vernáculo, às vezes passa-se com a escandaleira em que as instituições portuguesas fazem de conta que vivem. E, apesar de tudo, eu ainda consigo escandalizar-me com muitas das coisas que, de tão repetidas e naturais, já resvalam na couraça da indiferença dos eleitores.



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Quarta-feira, 19.11.08

A pedido de várias famílias publico a pequena conversa que mantive com Manuel Azinhal, n' O Sexo dos Anjos, por interposto blogue.

 

1 - Num dos seus poemas, António Manuel Couto Viana fala do "pudor brando de tomar partido" que assolaria a nossa terra... Tem sentido isso? Não tem nada que ver com o seu blogue?

 

Não é bem isso que sinto, embora perceba a que se refere António Manuel Couto Viana. O pudor brando é assim uma espécie de torpor de indiferença, que alguns tentam salvar qualificando-o de sageza, mas que atentos os resultados práticos, me parece uma sub-espécie da indolência mental, ancestralmente estimulada por pseudo-elites contemporizadoras e chico-espertas. As nossas elites preferem comer fast ideas, do que dar-se a muitas trabalheiras de pensamento. Quanto à acção, nem falar… O que sinto mais e é sobretudo contra isto que dirijo o Tomar Partido é a cultura medíocre de desancar políticos, futebolistas, manequins nos cafés e andar às palmadinhas nas costas dos mesmos, mal se tem uma oportunidade ou uma câmara de televisão à mão. Isto é a cobardia pura. Bem sei que somos todos primos uns dos outros e que nos encontramos nas mesmas ruas, nas mesmas praças. Esse é o principal factor que leva os portugueses a tomar um partido cúmplice, porque inconsequente. Sucede que numa época de cavalgada dos relativismos, dos permissivismos e da ausência de valores, acho que a atitude de tomar partido é ainda mais necessária. Mesmo que nos custe solidões, pobreza ou desencanto. É como se o círculo mental coimbrão tivesse tomado conta do país. Um professor de Coimbra expõe a tese a favor, a tese contra e depois constrói uma tese própria, que é a “eclética”, que traz um bocadinho de cada uma e assim vamos ficando de bem com Deus e com o Diabo.

 

 

2 - Há muito que se convencionou chamar à imprensa o quarto poder. Poderá a internet vir a ser o quinto?

 

Aqui para nós, que ninguém nos ouve…, eu creio bem que já é. Mas é um poder muito mais vasto ou devastador, se se preferir, do que era o poder que a imprensa recebeu como o quarto. O quarto poder era essencialmente um anti-poder político. A imprensa como refúgio de denúncia, como respiradouro das democracias corrompidas. O poder que a Internet é, é muito mais aliciante e perigoso. É uma virtualidade que tende a tornar-se totalitária se não tivermos cuidado. Orwell, Orwell…


3 - O Jorge Ferreira tem já uma longa experiência política. Observando hoje a cena política portuguesa, parece-lhe que há um caminho à direita? Ou o sistema partidário está fechado, e não é possível romper o círculo?

 

O sistema político está claramente fechado. Todas as portas estão devidamente bloqueadas pelos partidos parlamentares. Eles fazem as leis e os orçamentos que impedem novos alvarás partidários. Eles fazem, todos, do Bloco ao CDS, embora cada um à sua maneira, os negócios do regime, que não começaram agora com os escândalos recentes. Eu próprio, enquanto deputado, tive a oportunidade e o poder de denunciar alguns, numa altura em que ainda não era moda e sei bem o que passei. Ora, o caminho à direita eu tenho a certeza que há, mas esse caminho político e ideológico esbarra nos vários cadeados do sistema e no pudor brando do eleitorado, que não está disposto a arriscar numa mudançazinha por mínima que seja. Mas também acredito que isto não é eterno, e que há que continuar o combate, nem que seja apenas nos blogues… as mudanças surpreendem justamente porque não se prevêem.

 

 

4  - A blogosfera complementa os meios de comunicação social tradicionais, substitui-os, ou confronta-os? Em que medida se pode dizer que os blogues são a voz dos que não têm voz em tais meios?

 

A blogosfera faz isso tudo. Complementa-os, porque proporciona um tipo de comunicação que não se encontra nos meios tradicionais. Substitui-os, porque hoje, talvez infelizmente para os meios convencionais, há informação censurada nesses meios que nos blogues não há como impedir. E confronta-os, na exacta medida em que os complementa e substitui. Creio, aliás, que os meios de comunicação convencionais ainda não perceberam ou não conseguiram reagir completamente a esta nova realidade. Eu diria, felizmente hoje há blogues. Basta ver como teria sido muito mais calma a vida deste desgoverno socialista sem eles. Pela primeira vez assistimos a políticos a porem processos judiciais a blogues:  Sócrates ao Do Portugal Profundo, o ministério das Finanças ao Jumento. Como diria o humorista, vai muito meduncho por aí…

 

 

5 -  Um amigo dizia-me que em Portugal só há lugar para um partido, o país só dá para alimentar um partido; por isso vivemos tendencialmente sempre em partido único, que por vezes assume a aparência de um rotativismo alternadeiro... Se o Estado Novo funcionou com um, e a Primeira República funcionava com outro, o rotativismo monárquico funcionava com dois que na realidade se combinavam perfeitamente para rodar de vez em quando os lugares de topo sem afectar o essencial (não tirar a gamela a ninguém), e esta república tende a organizar-se de forma idência, com o PS/PSD, novamente o um em dois. O que se lhe oferece comentar sobre a tese?

 

Eu sempre tentei refutar esse fatalismo, que não é novo. Bem como aquele fatalismo iberista, que deve ser a base de raciocínio do ministro iberista Mário Lino, que nos diz que um país que apenas consegue obter um PIB como o da Catalunha, não tem o direito nem as condições para aspirar a uma soberania no mundo de hoje. Sempre militei nas margens do sistema e tive a alegria de, em certas circunstancias, sentir que é possível dar luta. Dar luta, dar sempre luta, é isso que o sistema não gosta, porque se é certo que é guloso, também é verdade que está anafado e preguiçoso. A alternativa é fechar o país ou desistir. Não vou por aí.

 

 

6 - Fazer o "Tomar Partido" tem sido um exercício estimulante, uma perda de tempo, ou um empreendimento de sucesso?

 

Tem sido, sobretudo, um imenso gozo da minha liberdade. Escrever o que quero, quando quero e quando me apetece. Isto não tem preço. De são e de jornalista, todos temos um pouco. Ora, algum dia, caro Manuel, pensou ser tão fácil e tão barato ter um jornal só para si?... Na medida em que é resultado da minha liberdade é muito estimulante. Agora sucesso, não lhe sei responder. Devolvo a pergunta: o que é o sucesso de um blogue?

 

Lisboa, 15 de Novembro de 2008



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Domingo, 16.11.08

Foi com alegria e honra que tive o prazer de responder a uma inesperada entrevista que o Manuel Azinhal, d' O Sexo dos Anjos, cometeu a simpatia de me solicitar. O Manuel Azinhal não é um qualquer. E O Sexo dos Anjos, não é qualquer um que se atreve a questionar... O Manuel , em certa medida, consegue e, por entre o politicamente correcto lá vai erguendo os seus ideiais e as suas bandeiras sem medo da sombra. Ele é um dos que toma partido. É, portanto, um dos que leio e um dos que gosto de ler, embora nem sempre a nossa maneira de ver os partidos que tomamos seja a mesma.



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Terça-feira, 11.11.08

NÃO ESTOU INTERESSADO EM COMPRAR MAIS NADA, CHIÇA! FALEM UNS COM OS OUTROS, CARAMBA!


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Quarta-feira, 05.11.08

Isto é muito engraçado, mas o fuso horário trucida o cidadão mais interessado. Como McCain já sobreviveu à barreira das duas da manhã, vou dormir. Amanhã conversamos.


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publicado por Jorge Ferreira às 01:59 | link do post | comentar

Segunda-feira, 03.11.08

Ouvia ontem um comentador de economia encartado dizer que tinha tido um processo em tribunal no valor de cinco milhões por ter escrito um artigo a apontar irregularidades no BPN. Ou seja, a puxar pelo curriculo do "eu bem avisei". O mesmo comentador desancou-me há uns anos, numa crónica radiofónica, por eu ter apontado irregularidades na aquisição, precisamente, de uma outra instituição bancária. Certamente que o mesmo comentador estaria a par da torrente de processos com que eu fui ameaçado, numa clássica manobra de intimidação, que, garantiam as fontes clássicas, me daria que fazer para o resto da vida. A vida, justamente a vida, dá muitas voltas. E ainda vai dar mais. Na altura, apontar um dedo a um banco era quase um crime de lesa economia. Hoje, é uma moda. Haja paciência para estes jornalismos de ocasião. Quanto ao comentador, por mim, está desculpado. Quanto aos processos, nunca fui citado.



publicado por Jorge Ferreira às 14:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 31.10.08

"A investigação e a experiência profissional de um Jornalista, contada na primeira pessoa, sobre a passagem por Portugal da maior operação negra das 'Secretas' norte-americanas. E, não só. A transferência de prisioneiros ilegais para Guatánamo foi feita através de território português. É um dos maiores embaraços para o Estado português e para os seus últimos quatro Primeiros-Ministros: António Guterres, José Manuel Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e José Sócrates."

 

O Volume I deste livro do meu amigo Rui Costa Pinto, e de que me foi dada a honra de prefaciar, está quase a sair. É já em Novembro.



publicado por Jorge Ferreira às 12:35 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 23.10.08

Sucede que a semana passada Pedro Lomba e eu escrevemos dois textos sobre o problema da concessão do terminal de contentores de Alcantara à Mota-Engil. Pedro Lomba acusa-me hoje, surpreendentemente, na sua coluna do Diário de Notícias, de o ter plagiado. É falso, como julgo que a simples leitura dos dois textos prova. Escrevi de facto sobre o mesmo assunto e até já tinha publicado aqui no Tomar Partido um post em que, veja-se a ironia, citava outra pessoa, concretamente António Prôa, que havia escrito sobre o assunto no Camara de Comuns. Escrevo vai para mais de vinte anos em jornais. Nunca precisei, felizmente de plagiar ninguém. Reconheço que existem parecenças em segmentos dos dois textos, mas partir daí para a acusação leviana que me é feita, vai a distância da ligeireza que não pode ficar sem resposta. Sempre me habituei a citar as fontes e faço-o, como é público e notório nos blogues em que escrevo e em que publico as minhas colaborações para os jornais. O escrutínio é, hoje, ademais, permanente e global. Lamento, caro Pedro Lomba, mas ninguém tem o monopólio da opinião. Se anda aborrecido com alguma coisa encontre onde descarregar. Quanto à possibilidade de virmos a assinar textos conjuntamente é uma questão a pensar. A vida dá tantas voltas, não é, caro Pedro? Proponha qualquer coisa que eu logo vejo se estou para isso.

 

Sem mais comentários, aqui ficam os dois textos para quem quiser ajuizar livremente das razões de cada um e, sobretudo, do alegado "plágio quase integral".

 

O texto de Pedro Lomba:

 

"Aqui há uns tempos, quando Jorge Coelho marchou para a presidência da construtora Mota-Engil, o mundo português dividiu-se. Para uns, a Mota- -Engil era livre de escolher quem quisesse para a sua administração, até aquele que é possivelmente o português mais influente junto do Governo. Para outros, mesmo que a idoneidade de Jorge Coelho estivesse fora de causa, essa escolha iria pôr em suspeição permanente as relações entre o Estado e a construtora. Uma suspeição que até poderia revelar-se infundada, mas que seria difícil eliminar.

Agora, vejam bem, o Governo decidiu, já em fim de mandato, renovar o contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara à Liscont, uma empresa maioritariamente detida pelo grupo Mota-Engil - renovação acompanhada de uma apreciável melhoria das condições do contrato (aumenta a área disponível para a instalação de contentores). Aquilo de que qualquer lisboeta está absolutamente farto - ver a zona ribeirinha atravancada pelos contentores da actividade portuária -, não só irá continuar como irá crescer em densidade. O PSD reagiu invocando o favorecimento da empresa da Mota-Engil e tenciona pedir a apreciação parlamentar da decisão do Governo. Eu não sei nem posso garantir se o Governo favoreceu aqui a empre- sa do "amigo" Jorge Coelho. Mas se a função do jornalismo é fazer perguntas, eu aproveito para fazer as minhas. Há uns anos, numa notícia de 2 de Maio de 2005, o Diário de Notícias dava conta de que o grupo Tertir pedia ao Governo que clarificasse a sua posição sobre a localização da actividade portuária, porque estava insatisfeita com a ideia de ter de deslocar o terminal portuário para fora de Lisboa a fim de se "devolver" a área ribeirinha à população. Convém notar que a Tertir era então proprietária da Liscont e, para além de temer os custos inerentes à construção de uma nova central de contentores, tinha interesse natural em renovar a concessão do terminal de Alcântara. É escusado acrescentar que o Governo não clarificou nada, sempre sob o pretexto de que a área ribeirinha seria libertada para se tornar no espaço de lazer e liberdade que os lisboetas esperam há décadas. Então o que fez a Tertir? Em 2007, vendeu a sua posição na Liscont à Mota-Engil, que assim passou a controlar a empresa. E é essencialmente isto que importa esclarecer: como é que antes a renovação do contrato de concessão desejada pela Tertir parecia uma tarefa impossível por força dos planos governamentais de abertura da área ribeirinha e, assim que a Liscont passa para as mãos da Mota-Engil, o contrato de concessão é logo celebrado, ainda por cima com condições mais favoráveis? De resto, este é só mais um exemplo de como Lisboa e os lisboetas são tratados por quem nos governa."

 

O meu texto:

 

"Vai para três anos, soube-se que o grupo Tertir solicitou ao Governo que clarificasse a sua posição sobre a localização da actividade portuária, porque estava insatisfeita com a ideia de ter de deslocar o terminal de contentores portuário para fora de Lisboa. Estava na altura em causa a meritória ideia de “devolver" a área ribeirinha à população de Lisboa.

 

A Tertir era então proprietária da Liscont e, para além de não desejar suportar os custos inerentes à construção de uma nova central de contentores, tinha óbvio interesse na renovação da concessão de Alcântara. Claro que a Tertir ficou sem resposta, o Governo calou-se muito bem caladinho, sempre brandindo o ideal da libertação da zona ribeirinha para uma nova era de lazer, a que de resto os lisboetas aspiram há décadas.

 

Então o que fez a Tertir? Em 2007, vendeu a sua posição na Liscont à Mota-Engil, que assim passou a controlar a empresa. E é justamente aqui que importa esclarecer: como é que antes a renovação do contrato de concessão desejada pela Tertir era impossível por força da estratégia de libertação da zona ribeirinha e, assim que a Liscont passa para as mãos da Mota-Engil, o contrato de concessão é logo celebrado, ainda por cima com condições mais favoráveis e sem concurso público?

 

Destes factos pode concluir-se, em primeiro lugar, que para o PS Lisboa é carne para canhão de negócios e, em segundo lugar que há um dado novo, que parece ter alterado tudo: Jorge Coelho na Mota Engil. Claro que o silêncio de outrora vai regressar. O silêncio sempre foi o método de explicação dos negócios públicos inexplicáveis. Pela comunicação social passou vagamente uma reacção do PSD, que se revelou até agora inconsequente. Nem sequer o Bloco de Esquerda se lembrou de tentar um inquérito parlamentar, não fosse José Sá Fernandes na Câmara fugir ainda mais de controlo. E depois, venham-me cá com belos discursos…"


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publicado por Jorge Ferreira às 18:31 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Quinta-feira, 16.10.08

Cá estou a prestar contas: o Prefácio encomendado está concluído e entregue. Agora é só corrigir uns exames e despachar alguma intendencia académica. Foi dia de despacho advocatício à distância e de escrever alguns textos para amanhã. Ainda falta um.


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publicado por Jorge Ferreira às 20:31 | link do post | comentar

Não são só os mercados que estão em crise. Há crises públicas e há crises privadas. Uma crise privada fez-me concluir várias coisas interessantes e que muitas vezes nos escapam na lufa-lufa do dia-dia. Quanto mais amigo se é menos se precisa de mostrar que se é. Amigo pode ser aquele que não vemos ou ouvimos durante tempos a fio e que quando voltamos a falar retomamos a conversa exactamente no mesmo ponto em que ficámos há meses.


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publicado por Jorge Ferreira às 20:30 | link do post | comentar

Terça-feira, 14.10.08

Há sensivelmente três semanas recebi do meu banco um crédito pré-aprovado de 16.750 euros, simbolizado num cheque que trazia aposta a informação de que o mesmo não possuía o valor nele pré-inscito mas apenas servia para simbolizar a felicidade creditícia que me estava a ser apresentada. Pensei então: eles não aprenderam nada. Não sabem das minhas finanças pessoais, não conhecem os meus rendimentos actuais, ignoram se eu posso suportar a mensalidade que em letras muito mais pequenas que o tamanho do cheque a brincar lá vinham no prospecto, diga-se, aliás, com um spread de fazer corar uma lampreia. Passados quinze dias ligou-me uma afável funcionária do banco. Pretendia saber, primeiro se eu tinha recebido o milagre lá em casa, segundo, se pretendia contratar o crédito, terceiro o destino que eu dei ao cheque brincadeira, quarto a razão pela qual não queria o crédito. Sinceramente hesitei no tom das respostas. Não gosto de ser mal educado, mas confesso que me apeteceu. Eles não aprenderam nada. Agora, verifico que o Governo socialista, no Orçamento pra 2009prepara-se para criar mais fundos imobiliários para salvar as famílias da bolha dos fundos imobiliários. Apetitoso, sem dúvida. Tal qual o cheque brincadeira que recebi o era. No fundo, eles não aprenderam nada. E mais: estão apenas a tentar salvar o modelo de vida que criticam e que nos últimos anos conduziu ao que agora se vê. De passagem, os socialistas preparam-se para arrecadar mais um tanto de IRS, tirando com uma mão o que estão a dar com a outra. Eles não aprenderam nada.



publicado por Jorge Ferreira às 15:05 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Segunda-feira, 06.10.08

O prometido é devido. Eis o resultado do dia: dei a aula, despachei o requerimento, iniciei o prefácio e o resto fica para amanhã que também é dia.


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publicado por Jorge Ferreira às 23:21 | link do post | comentar

Há aulas para dar, trabalhos para organizar, um prefácio de um livro para escrever e um requerimento para assinar. Vantagem para este corpo preguiçoso: posso fazer tudo sentado. Dúvida: saber se há pachorra intelectual para tudo. Depois conto.


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publicado por Jorge Ferreira às 12:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 30.09.08

Obrigado pela força! A todos e a todas.


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publicado por Jorge Ferreira às 10:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 26.09.08

Há dias o Rádio Clube Português conseguiu surpreender-me. Telefonaram-me a meio da tarde, afundava-me eu algures num processo, com o objectivo de responder a umas perguntinhas. Estranhei o interesse e perguntei qual era o asssunto. Que estavam a fazer uns trabalhos sobre o que pessoas que estiveram na política activa estavam agora a fazer, explicou-me o simpático jornalista. Acedi. Foi aí que tomei verdadeira consciencia que faço imensa coisa. Inevitavelmente começaram pelo CDS e se se tinha tratado de uma desilusão. Respondi pela centésima vez que não tinha sido desilusão mas divergência. Perguntaram-me também sobre se não era difícil um partido novo ter sucesso em Portugal. Concordei. Dificílimo, senão imposssível. O sistema de partidos vigente blindou qualquer hipótese, A não ser que seja um partido novo amestrado, daqueles que os partidos do sistema fazem por encomenda para o que der e vier. Anda um desses por aí.



publicado por Jorge Ferreira às 21:56 | link do post | comentar

Quinta-feira, 18.09.08

Uma das vantagens de certas situações de vulnerabilidade em que a natureza por vezes nos coloca, é a de aprender a relativizar as coisas. A pô-las no seu lugar real. As situações sociais são, por vezes, como o sector do imobiliário. De especulação em especulação até ao estoiro final, que dá no que se está a ver. É como na vida. Por vezes, fazemos especulação com a importância que conferimos a certas coisas que certamente não a têm e produzimos aí a nossa bolha privativa. A verdade é que parar para pensar é difícil. Só mesmo a força das surpresas da vida para nos obrigar a ir lá. E a perceber. Por estranho que pareça e apesar dessa vulnerabilidade, quando aprendemos a relativizar vivemos definitivamente melhor. Porque vivemos em paz. Mesmo quando todos gritam à nossa volta.


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publicado por Jorge Ferreira às 00:44 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Terça-feira, 02.09.08

A simpático convite do João Gomes aceitei passar a colaborar no Portal Lisboa. Lá manterei uma Coluna à Direita, que achei oportuno inaugurar com um texto sobre o problema da criminalidade e das leis penais. Agradeço o convite, felicito os autores da iniciativa (o Portal é excelente!) e aconselho-os a visitá-lo. Verão que não darão por perdido o vosso tempo.



publicado por Jorge Ferreira às 23:33 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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